General se nega a mostrar carta de desculpas por declarações sobre gays
A novela da polêmica indicação do general de Exército Raymundo Nonato de Cerqueira Filho, para uma vaga de ministro do Superior Tribunal Militar (STM), continua no Senado. Nesta quinta-feira ele se negou a atender ao pedido do senador Eduardo Suplicy (PT-DF)para divulgar o teor da carta enviada ao relator do processo, senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), para negar que tenha dado declarações homofóbicas durante a sabatina na CCJ.
Depois da polêmica provocada pela declaração de que há incompatibilidade entre homossexuais assumidos e a atividade militar, na carta não divulgada por Azeredo, ele ataca a imprensa e diz que não se pode afirmar que Alexandre o Grande, o mais célebre conquistador do mundo antigo, e o imperador romano Júlio Cesar, eram gays.
Na tarde de quarta-feira, Azeredo leu para os jornalistas apenas alguns trechos da carta de quatro páginas enviada pelo general Cerqueira, se comprometendo a nunca contrariar a Constituição em seus julgamentos, nem perseguir militares por se declararem homossexuais. Azeredo nesta quinta continuou se negando a divulgar a parte que o general atacava a imprensa.
- Ele achou melhor não divulgar para evitar mais problemas na votação da indicação do general no plenário - disse o senador Romeu Tuma (PTB-SP).
Suplicy tentou convencer general a divulgar carta
[O negócio do senador Suplicy é ridicularizar as Forças Armadas e o Senado Federal. Quando Suplicy veste aquela SUNGA VERMELHA fica travesso demais. Cria caso até com o vento. Ele tenta humilhar o EB constrangendo o general Cerqueira e avilta o Senado Federal, debocha do Poder Legislativo, quando veste a SUNGA VERMELHA e fica desfilando no Senado da República. Não entendi ainda porque não processaram o senador Suplicy por quebra de decoro.]O senador Azeredo chegou a ficar irritado com Suplicy, que insistiu em ler o conteúdo de toda a carta. À tarde, o senador petista ligou para o general Raymundo Cerqueira tentando convencê-lo a divulgar a carta, mas sem sucesso. De acordo com o relato de quem leu o texto, o general reclama que a imprensa explorou suas declarações, rotulando-as de homofóbicas.
- Falei com o general, mas ele disse que considera suficiente os trechos da carta que o senador Azeredo divulgou. Ele disse que houve maldade na interpretação das suas declarações, que não foram homofóbicas. Disse também que, ao contrário do que foi publicado pela imprensa, não se pode assegurar qual o comportamento sexual de Alexandre, o Grande, ou Júlio Cesar, com base no que foi escrito 350 anos antes de Cristo - disse Suplicy.
Na primeira sabatina, o general Raymundo Cerqueira, ao ser questionado pelo presidente da CCJ, Demóstenes Torres (DEM-GO), sobre a presença de homossexuais nas Forças Armadas, respondeu que "a vida militar reveste-se de determinadas características, inclusive em combate, que pode não se ajustar ao comportamento desse indivíduo".
O senador petista disse que vai votar pela aprovação da indicação do STM, porque Cerqueira se comprometeu a respeitar a Constituição.
- É uma carta interessante, porque não divulgar? - questionou Suplicy.

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