Irã anuncia construção de novas usinas de enriquecimento de urânio
O Irã anunciou na noite de ontem que planeja construir dez novas usinas de enriquecimento de urânio até 2011.
De acordo com Ali Akbar Salehi, um dos responsáveis pelo programa nuclear iraniano, o país comunicou ontem oficialmente à AIEA (organização nuclear da ONU) que começará a enriquecer urânio a 20% a partir de hoje.
Segundo reportagem da Folha, analistas manifestaram ceticismo em relação à construção das novas usinas, já que o Irã tem problemas na obtenção de materiais e componentes no exterior devido às sanções e por isso não seria capaz de instalar e explorar as 10 novas usinas.
Irã planeja construir 10 novas usinas de enriquecimento de urânio até 2011
Após afirmar que irá avançar no enriquecimento do urânio, o Irã anunciou que planeja construir dez novas usinas de enriquecimento de urânio durante o próximo ano iraniano, segundo Ali Akbar Salehi, um dos responsáveis pelo programa nuclear iraniano, na noite de ontem. O Irã já havia anunciado a construção das novas instalações em novembro, porém não havia especificado a data. O ano iraniano começa no dia 21 de março.
O país comunicou oficialmente a AIEA (organização nuclear da ONU) que começará a enriquecer urânio a 20% a partir de amanhã (8). A notícia já havia sido antecipada ontem por Salehi em pronunciamento ao canal de TV estatal iraniano em língua árabe Al Alam.
Analistas ouvidos pela agência Reuters manifestaram ceticismo em relação a construção das novas usinas, já que o Irã tem problemas na obtenção de materiais e componentes no exterior devido às sanções e por isso não seria capaz de instalar e explorar as 10 novas usinas.
Tensão
Neste domingo (7), o presidente Mahmoud Ahmadinejad anunciou que deve avançar no enriquecimento de urânio, o que levou a uma imediata elevação da pressão internacional sobre o país. O anúncio do Irã elevou a tensão na sua disputa com o Ocidente, mas Ahmadinejad disse que as negociações ainda eram possíveis em relação à possível oferta de troca nuclear feita pelas potências mundiais.
O secretário de Defesa americano, Robert Gates, disse que a resposta do Irã, um grande exportador de petróleo que diz que seu programa nuclear visa principalmente a produzir eletricidade, não bombas, foi muito decepcionante.
"Se a comunidade internacional permanecer unida e fizer pressão sobre o governo iraniano, eu acredito que ainda há tempo para que e sanções e pressões funcionem", disse ele em uma entrevista coletiva durante uma visita à Itália.
Há um consenso internacional para evitar "mais dificuldades do que for absolutamente necessário" para o povo iraniano, disse Gates. A Alemanha também citou a ameaça de sanções, enquanto o reino Unido disse que os novos planos do Irã violam resoluções da ONU.
A AIEA, agência nuclear da ONU, vem trabalhando em um acordo para diminuir as tensões internacionais sobre o programa nuclear iraniano. Em outubro, a ONU propôs que Teerã exportasse seu urânio pouco enriquecido para a Rússia e a França, que iriam devolvê-lo um ano mais tarde, como barras de combustível mais enriquecido, que poderia ser utilizado para alimentar o reator nuclear de pesquisa, mas não poderia ser mais refinado para fazer material bélico.
Ao anunciar que o Irã enriquecerá o combustível por conta própria, Ahmadinejad perece ter rejeitado o acordo, o mesmo que ele parecia aprovar na semana passada.
O Irã quer enriquecer seu estoque de urânio para 20%, acima dos atuais 3,5%, para alimentar um reator de pesquisa para produzir isótopos médicos. Mas a comunidade internacional exigiu a suspensão de todas as atividades de enriquecimento, pois o mesmo processo é usado para produzir grau de material bélico, suscetível de utilização em bombas.
Fonte: Folha OnLine

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