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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Os falcões brasileiros

O valoroso general de exército brasileiro Raymundo Nonato de Cerqueira Filho é um homem de convicções.

Uma delas é a grande verdade que todos têm o direito de dizer tolices – algo que a maioria faz em privado, ou na mesa de um bar, e às vezes sob o manto do anonimato.

No entanto, quando diz em pleno Senado, perante a Comissão de Constituição e Justiça, que o sabatinava para decidir sobre sua nomeação ao cargo de ministro do Superior Tribunal Militar, que “(militar) homossexual não comanda”, escancarou a sua absoluta inadequação ao cargo de magistrado.

Ele, que com a mais absoluta certeza, nas diversas patentes que teve em sua longa carreira no Exército, obedeceu a mais de um superior homossexual, brande um dogma digno do mais antiquado falcão da era Bush Filho.

Repete, como um papagaio, a estupidez generalizada de considerar o homossexualismo uma opção – ou orientação, conforme outros – ao dizer que “os homossexuais só deveriam ser aceitos pelas Forças Armadas se mantivessem a ‘opção’ sexual em segredo”. [no momento em que o homossexual deixar de manter em segredo sua OPÇÃO SEXUAL a primeira coisa que ele vai fazer é desmunhecar, se encher de trejeitos e quero ver qual tropa vai obedecer a um oficial que na VOZ DE COMANDO dá gritinhos.]

Então, o anacrônico oficial acredita piamente que um, digamos, capitão, ou capitã, sabidamente homossexuais, não seriam obedecidos por seus subordinados, e não teriam peito de mandar prendê-los por desobediência? [pensem na dificuldade que o capitão, ou capitã, do exemplo teria para se controlar ao entrar, no caso do capitão, em um banheiro com vários homens nus e a capitã no mesmo ambiente com várias mulheres totalmente à vontade?]

Seu colega de profissão, mas não de arma, o almirante de esquadra Álvaro Luiz Pinto, submetido à mesma sabatina, mostrou-se mais caridoso, dizendo que “não tem nada contra”, sob a condição de que os homossexuais mantenham a dignidade da farda, do cargo, do trabalho que executa”, como se militares gays ficassem aos beijos e abraços nos cantos dos quartéis.

“Manter a dignidade da farda”, honrá-la, é respeitar seus subordinados, tratá-los com humanidade, saber-se servidor do Estado, e não do governo de turno. Mostrar a eles que a coragem está no espírito, e não no corpo, nem na natureza sexual de cada um, que é inata.

Por incrível que pareça a comissão do Senado aprovou os nomes dos dois para assumirem o cargo de ministros do Superior Tribunal Militar.

Ao proferirem tais enormidades, dois militares da mais alta patente jogam sobre as Forças Armadas a pecha de instituições homofóbicas, desrespeitadoras dos Direitos Humanos. [virou moda agora criticar um GAY ser um atentado aos direitos humanos.]

Ao distorcerem o conceito de “macho” (ou de fêmea”) num maniqueísmo fruto de uma ignorância abissal, caem na vala comum dos intolerantes, igualando-se àquele que seu comandante-chefe, o presidente da República, muito admira, Mahmoud Ahmadinejad, o fraudador eleitoral que disse uma vez não existirem homossexuais no Irã…

Os novos ministros, sob a sua ótica singular, praticam religiosamente o mandamento de honrar a farda que envergam. Haverão de mostrar doravante que também honram a toga que passarão a vestir, declarando-se impedidos de julgar causas envolvendo homossexuais. [não vejo impedimento nenhum em que os dois militares julguem um militar homossexual que cometa um crime militar; eles não estarão julgando o acusado por ser homossexual e sim por ter cometido um crime militar.]

As coisas não deveriam ser assim, quando a inadequação de ambos ao exercício da magistratura é de clareza solar, mas o Senado, pelo menos nesses tempos mais recentes e indecentes, sempre aprova qualquer indicação presidencial. Talvez porque lá a maioria seja tributária do governante da ocasião.

Fonte: Opinião & Notícia

[ainda sobre preconceito: assisti na TV, durante o carnaval, uma entrevista de um 'chefe' de um bloco afro de Salvador.

O entrevistado, afrodescentende, disse com uma clareza fantástica que naquele bloco só eram aceitos pessoas da raça negra.

Pergunto: se fosse um branco que presidisse um bloco carnavalesco e dissesse que aquele bloco só aceitava brancos, o que ocorreria com ele?

com certeza seria imediatamente preso pela prática do crime de racismo.

Por que o presidente do Blogo Afro não foi incomodado por nenhum grupo de defensores dos direitos humanos. Na entrevista ele manifestou um exemplo indiscutível de racismo.]

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