Petrobras desiste de investir em projeto na Venezuela
Os planos da Petrobras de explorar as reservas de óleo ultrapesado de Carabobo, na faixa do rio Orinoco, na Venezuela não serão concluídos. A decisão foi divulgada ontem pela empresa brasileira de petróleo.
De acordo com reportagem da Folha o motivo da desistência da Petrobras de participar do processo de seleção teria sido a inviabilidade econômico satisfatória do projeto.
Dois consórcios continuam na disputa pela exploração na Venezuela. Um é formado pela Chevron, por três empresas japonesas e pela Suelopetrol. O segundo consórcio tem a participação da espanhola Repsol, da Petronas (Malásia) e da ONGC (Índia).
Venezuela sela maiores contratos de petróleo do governo Chávez
A Venezuela assinou na quarta-feira o maior contrato de exploração de petróleo em 11 anos do governo de Hugo Chávez, atraindo dezenas de bilhões de dólares em investimentos estrangeiros para o desenvolvimento da Faixa do Orinoco, que há apenas três anos teve suas operações nacionalizadas pelo líder esquerdista.
A norte-americana Chevron e a espanhola Repsol lideram os grupos que deixaram de lado os riscos de operar na Venezuela para explorar as reservas do país membro da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), sinalizando que as grandes empresas do setor precisam repor reservas de petróleo que estão cada vez mais sob controle das nações produtoras.
Houve vitórias para ambos os lados. As empresas aceitaram os termos duros impostos por Caracas, enquanto a Venezuela atenuou as exigências fiscais, em mais um sinal de que a tendência nacionalista de gestão de recursos no mundo inteiro tem sido abalada pela queda na cotação do petróleo.
"Este investimento internacional é absolutamente necessário para nós, não poderíamos desenvolver sozinhos a Faixa do Orinoco", disse Chávez a executivos do setor durante cerimônia no palácio presidencial de Miraflores.
"Isso é mutuamente benéfico. Vocês estão aqui porque precisam estar aqui. São relações de iguais, de amizade", disse o presidente, que passou vários minutos criticando o presidente dos EUA, Barack Obama, embora tenha pedido ao diretor regional da Chevron que ajude a Venezuela a melhorar suas relações com Washington. "Talvez Obama venha à Faixa do Orinoco, traga-o", afirmou.
Analistas dizem que as reservas globais do petróleo leve, fácil de explorar, estão rapidamente se esgotando, o que significa que o futuro do setor está em áreas de produção difícil, como a Faixa do Orinoco, o pré-sal brasileiro e as areias de alcatrão do Canadá.
"Isso é pragmatismo por parte dos venezuelanos e das companhias petroleiras internacionais", disse Jeremy Martin, diretor do programa energético do Instituto das Américas, na Califórnia. "Os venezuelanos sabem que não podem fazer isso sem um grande capital e know-how, e (as empresas) sabem que não há nenhum outro lugar no mundo onde eles poderiam ter acessos a reservas de primeira classe como estas."
A produção venezuelana de petróleo caiu de mais de 3 milhões de barris por dia em 2001 para menos de 2,5 milhões de barris, segundo o Departamento de Energia dos EUA, em grande parte devido à falta de investimentos e mão de obra especializada.
A Repsol terá 11% em seu projeto, a mesma participação dos parceiros de consórcio Petronas, da Malásia, e ONCC, da Índia. A PDVSA ficará com 60%, ficando o restante com duas outras empresas indianas, disse uma autoridade da Repsol.
A Chevron comandará um segundo projeto junto com os parceiros de consórcio, que incluem as japonesas Mitsubishi e Inpex, mais a venezuelana Suelopetrol. O governo não recebeu ofertas para um terceiro projeto, e não recebeu nada de várias empresas que Chávez cortejava aberta mente, como a chinesa CNPC e empresas russas como a Lukoil e a Gazprom.

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