Diretor-geral da PF nega que Arruda esteja recebendo tratamento privilegiado
O diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, negou nesta sexta-feira que o governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido), tenha recebido tratamento privilegiado da instituição ao ser preso por determinação do STJ (Superior Tribunal de Justiça).
Corrêa disse que a recomendação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ter cautela com Arruda não representa nenhum pedido especial porque é uma praxe da instituição.
"Em primeiro lugar, nós temos uma orientação permanente de respeito à figura de qualquer pessoa presa pela Polícia Federal. Isso é regra. O governador se apresentou, entrou em um veículo que não permitiu imagem e foi recebido como qualquer outro preso nosso. Então aquela exposição deliberada do preso não existe mais independente do status do preso. Isso é regra nossa", disse.
Segundo Corrêa, Arruda tem o tratamento previsto em lei para chefes de Estado. O diretor da PF, no entanto, evitou dar detalhes da sala onde Arruda permanece preso desde ontem por tentativa de suborno de umas das testemunhas do esquema de arrecadação e pagamento de propina. "Ele está em uma sala de trabalho digna com a posição de governador", afirmou.
Segundo reportagem da Folha publicada hoje, o presidente Lula lamentou o episódio. Ao saber, pela internet, que o ministro do STJ Fernando Gonçalves havia aceito o pedido de prisão, disse a auxiliares que a notícia não era algo "bom para o país, nem bom para a política".
Ainda segundo interlocutores, Lula mostrou-se "abatido" com o caso, quando os ministros do STJ ainda tomavam a decisão final. Depois de confirmada a ordem de prisão, Lula comentou com assessores considerar "horrível" o episódio e que decisão da Justiça tem de ser cumprida.
O ministro Fernando Gonçalves aceitou pedido da subprocuradora-geral da República, Raquel Dodge, e a Corte do tribunal foi convocada para analisar a decisão de Gonçalves, relator do inquérito que investiga o suposto esquema de corrupção no GDF (Governo do Distrito Federal).
O Ministério Público Federal ofereceu denúncia contra o governador e mais cinco pessoas por formação de quadrilha e corrupção de testemunha.
Além de Arruda, o STJ determinou a prisão do ex-deputado Geraldo Naves (DEM); Weligton Moraes, ex-secretário de Comunicação; Rodrigo Arantes, sobrinho do governador; Haroaldo Brasil de Carvalho, diretor da CEB (Companhia Energética de Brasília); e Antonio Bento da Silva, conselheiro do Metrô. Silva, no entanto, já está preso.
A Polícia Federal prendeu, na semana passada, o conselheiro do Metrô. No momento da prisão, ele entregava R$ 200 mil a Sombra. Silva está no presídio da Papuda, em Brasília.
Segundo o jornalista, o dinheiro seria a primeira parcela de um suborno de R$ 1 milhão em troca de um pacote de serviços que incluía uma declaração afirmando que os vídeos que mostram políticos de Brasília recebendo dinheiro de suposta propina foram manipulados por Durval Barbosa, delator do esquema.
Em depoimento à Polícia Federal, Sombra disse que, além de Silva, Naves e Weligton foram interlocutores do governador na tentativa de suborno. O jornalista ainda entregou aos policiais um bilhete que teria sido escrito por Arruda como prova de que estaria envolvido na negociação de suborno.

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