O maçom em desgraça José Roberto Arruda, deprimido com sua prisão, já decidiu que é melhor renunciar ao Governo do Distrito Federal. Sua renúncia não passa desta quarta-feira de cinzas, ou no máximo até sexta-feira. A estratégia da defesa de Arruda e de seus aliados é, a um menor custo possível, evitar a intervenção federal. Já está em andamento a maior operação abafa dos últimos tempos – maior ou tão grande quanto aquela que até hoje preserva os líderes do mensalão petista e do mensalão tucano.
Na noite de segunda-feira, Arruda passou muito mal. Como diriam os maçons, quase “passou para o oriente eterno”. Ele correu risco de morrer porque ingeriu dez comprimidos de um forte remédio para dormir. Seu mal-estar foi devidamente abafado pela Superintendência da Polícia Federal. Arruda foi socorrido às pressas. Não precisou ser removido para um hospital. Em profunda depressão, resolveu que uma atenuante para seus problemas seria a renúncia - que será anunciada em breve.
A solução agrada ao seu amigo Luiz Inácio Lula da Silva. O chefão $talinácio relutava sobre a ideia da intervenção federal. No começo, lhe pareceu conveniente. Depois, pensando melhor, verificou que seria um desgaste desnecessário para seu governo ter de administrar os escândalos de Arruda e companhia – mesmo que petistas ilustres, que permanecem ocultos nas maracutaias, estejam envolvidos. Lula já avalia que a renúncia de Arruda levaria o Supremo Tribunal Federal a não aceitar o pedido de intervenção feito pelo Procurador Geral da República, Roberto Gurgel.
Desde quinta-feira passada, Arruda sente a vergonha de estar preso. Ocupa uma sala, sem grades, do INC (Instituto Nacional de Criminalística) da PF. O cenário é formado por uma cama de solteiro, banheiro com chuveiro de água quente e ar condicionado. Não tem televisão. Muito menos acesso à internet ou telefone. Só pode ler jornais, livros ou revistas enviados por parentes ou assessores. Come três refeições diárias levadas por familiares. Desde domingo, tem direito a banho de sol de 15 minutos.
Ontem, ganhou dois livros: "Como Permanecer Animado por 24 Horas" e "Da Derrota para a Vitória". Foram dados pelo tenente Francisco de Souza, da Diretoria de Inativos e Pensionistas da Polícia Militar do DF. O militar contou que "recebeu uma ordem divina para ajudar o governador". Arruda também recebeu a solidariedade de uma aposentada, que veio de Ceilândia, a cerca de 30 quilômetros de Brasília. Com a Bíblia e um terço na mão, Maria Dolorosa Ferreira de Souza sentou sob uma árvore, do lado de fora da sede da PF, para pedir aos céus a liberdade do governador licenciado.
Além de Arruda, acusado de subornar uma das testemunhas do esquema do Mensalão do DEM, o Superior Tribunal de Justiça também determinou a prisão de cinco pessoas que também são acusadas de participar do suborno do Jornalista Edson dos Santos, o Sombra. Estão presos: o ex-deputado distrital Geraldo Naves (DEM), ex-secretário de Comunicação Wellignton Moraes, o sobrinho do governador, Rodrigo Arantes, o conselheiro do Metrô, Antonio Bento da Silva, e o ex-diretor da CEB (Central Energética de Brasília), Haroaldo Carvalho. Todos eles estão no presídio da Papuda, em Brasília.
Abafa
A ordem geral agora é manter o vice Paulo Octávio no poder, apesar das várias denúncias de corrupção contra ele. A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Legislativa do DF promete colocar em votação amanhã os três pedidos de impeachment do governador afastado/licenciado José Roberto Arruda.
Os parlamentares do DF tomam a decisão moralizadora 80 dias após o estouro do Mensalão do DEM simplesmente porque temem ser atingidos pela avalanche de uma intervenção federal.
Fonte: Blog do Alerta Total – Jorge Serrão

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