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COMUNICADO - Novo Site

Nota de Esclarecimento

Importante:

Memória: em 8 setembro 2007, começamos as atividades deste Blog, sob o título Blog da UNR e nossos objetivos estão bem destacados no nosso primeiro post, título 'início das atividades...' .

De imediato, constatamos que estando a esquerda no governo, uma dificuldade se apresentava: contar os erros, as traições, as covardias, os assassinatos, as falcatruas cometidos pela esquerda durante o Governo Militar OU contar os crimes que a esquerda, a petralhada à frente, continua cometendo nos dias atuais? (apesar de fragorosamente derrotada pelos militares a esquerda aproveitou-se da generosidade dos vencedores e voltou tal qual serpente e conseguiu PERDER A GUERRA e vencer a Batalha da Comunicação, passando de vilão a heroína).

A famigerada esquerda conseguiu o poder - agindo disfarçada de democrata - e passou a mostrar, de forma descarada, ser pior que antes.

Diversos motivos, que não vem ao caso aqui detalhar, tornaram conveniente alterar o nome do Blog da UNR, que passou a denominação de BLOG PRONTIDÃO, mantendo a URL.

Apesar de ser um Blog pequeno, fruto de um trabalho amadorístico, porém de muita dedicação, contando com poucos seguidores, alguns visitantes fiéis, outros eventuais, tivemos a imensa alegria de constatar que incomodávamos a petralhada - o que foi fácil perceber pela necessidade de 'moderar comentários', pelos xingamentos que recebemos a cada postagem, tentativas de invasão (parcialmente exitosas, com modificações de postagens {o mais odioso foram as vezes que conseguiram mudar palavras, trechos de postagens, títulos, e passar a idéia que defendíamos o desgoverno petralha}).

Para tornar mais dificil que os guerrilheiros da informática à serviço do desgoverno - o ministro da Secom, Traumann, foi demitido por admitir publicamente que o desgoverno Dilma, a exemplo do seu antecessor $talinácio Lula, usam a guerrilha virtual - continuassem a nos incomodar, decidimos suspender, temporariamente, a veiculação de POSTs no Blog Prontidão, passando a veicular no Blog PRONTIDÃO TOTAL, usando outra URL.

Claro que alguns leitores não acessaram o Blog Prontidão Total - o que atribuímos a alguma falta de comunicação da nossa parte - porém, de tudo concluímos que podemos e VAMOS PERMANECER firmes e fortes, protegidos da sanha 'assassina' dos guerrilheiros virtuais do desgoverno, contando a verdade, tudo o que soubermos e o nosso amadorismo permitir, do muito de ruim, de nocivo, de pernicioso, que o atual desgoverno pratica, estimula, esconde e apoia.

Voltar ao Blog PRONTIDÃO seria pretender que nossos poucos leitores ficassem pulando de galho em galho - a manutenção da nossa 'linha editorial', que vem desde 2007, é eloquente e fiel aos fatos ao provar que nossos ideais permanecem firmes, estamos apenas mais fortes.

Vamos continuar com a denominação Blog PRONTIDÃO TOTAL, na URL que atualmente atende àquele Blog, mantendo nossa postura de apresentar sempre a VERDADE - verdade que representa os fatos (aliás, não podemos esquecer, verdade e fato são unos)e não a verdade conveniente (tática usada pela esquerda petralha).

Felizmente, temos dois leitores, afinal, escrevemos e vamos continuar escrevendo para dois leitores: "Ninguém" e "Todo Mundo".

Por favor, nos honre com sua visita, clicando aqui: Blog Prontidão Total ou em qualquer link disponível, em azul, neste texto

ou colando em seu navegador: http://brasil-ameoudeixe.blogspot.com.br/

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quarta-feira, 31 de março de 2010

Caso Isabella = antes e depois

A justiça foi feita

Três dias antes de a morte de Isabella completar dois anos, seu pai, Alexandre Nardoni, e sua madrasta, Anna Carolina Jatobá, são condenados pela Justiça como autores do homicídio. Pela celeridade, rigor técnico e sentenças rigorosas, o julgamento pode ser considerado um divisor de águas na Justiça brasileira

ISABELLA Morta aos 5 anos de idade por aqueles que deveriam protegê-la

Isabella Nardoni, finalmente, poderá descansar em paz. A condenação exemplar de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá pelo homicídio triplamente qualificado da menina fecha um ciclo de dor para os que a amavam e reacende um horror generalizado ao comprovar que aquilo que parecia cruel demais para ser verdade de fato ocorreu. Uma criança de 5 anos de idade foi asfixiada por sua madrasta e lançada viva da janela por seu pai – que, ao vê-la caída no solo, em lugar de socorrê-la, ocupou-se da tentativa de salvar a própria pele e a da mulher, forjando urgência em localizar "o monstro que havia feito aquilo".

Agora, pode-se afirmar com certeza que os monstros estão identificados. E a Justiça desceu sobre eles com mão de ferro. Não se sabe o placar exato do júri porqu
e, ao chegar ao quarto voto favorável à condenação, o juiz parou de contá-los – a maioria simples já estava estabelecida. Nardoni foi condenado a 31 anos, 1 mês e 10 dias de prisão em regime fechado pelo crime de homicídio, com os seguintes qualificadores: uso de meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e prática de crime destinado a ocultar crime anterior. Além disso, aumentaram a pena de Nardoni os seguintes agravantes: o fato de a vítima ter menos de 14 anos e de ele ser seu pai. Anna Carolina foi condenada a 26 anos e 8 meses de detenção, também em regime fechado, pelo mesmo crime, com os mesmos qualificadores e ag

ravantes (exceto, obviamente, o da paternidade da vítima). Foram acrescentados 8 meses de prisão em regime semiaberto para cada réu por fraude processual: a tentativa do casal de "limpar" a cena do crime. Ao ouvir a sentença proferida pelo juiz Maurício Fossen, Anna Carolina Jatobá olhou pa ra a família com ar compungido e acenou com um adeus. O casal, que recebeu a sentença algemado, não poderá recorrer dela em liberdade.

A condenação do casal sem a confissão dos réus nem o depoimento de testemunhas oculares – consagrou a máxima do jurista italiano Enrico Ferri, que afirmou ser a lógica "a rainha das provas". Nesse caso, o exercício da lógica contou com um elemento fundamental: o exímio trabalho da perícia técnica paulista. Por meio da análise de materiais genéticos, uso de reagentes químicos e estudos

de cronometragem, os peritos costuraram provas que, de outra forma, não se conectariam diretamente e, assim, deram respostas a lacunas que poderiam se transformar em perguntas jamais respondidas. Foi o resultado de um trabalho conjunto entre a perícia e a polícia, por exemplo, que produziu uma das argumentações mais robustas apresentadas pelo promotor Francisco Cembranelli aos jurados: a cronologia dos fatos que se deram imediatamente após a morte de Isabella. Por meio de um vasto cruzamento de informações, os investigadores responsáveis pelo caso puderam precisar o momento exato em que Isabella foi atirada pela janela – às 23h48. O promotor Cembranelli demonstrou de forma cabal que, nesse horário, tanto Alexandre Nardoni quanto Anna Carolina Jatobá estavam, sim, dentro do apartamento.

HOMENAGEM
Na semana passada, o túmulo de Isabella foi visitado por dezenas de pessoas que jamais viram a menina, mas, mesmo assim, choraram a sua morte

O fato de não ter sido constatada a presença de nenhum outro adulto na cena do crime levou à inevitável conclusão de que só poderiam ser eles os autores do homicídio – uma questão de lógica. Também pesaram contra Nardoni os laudos da perícia técnica, em especial o que analisou a camiseta que ele usava na noite do assassinato. Os peritos observaram que a peça trazia, na altura dos ombros, marcas de sujeira em forma de losango – e que elas seguiam o exato padrão da rede de proteção por onde Isabella foi jogada. Testes mostraram que as marcas só poderiam ficar impressas dessa forma no tecido caso a pessoa que a estivesse vestindo enfiasse os dois braços pelo buraco da rede e sustentasse, com as mãos, o equivalente a 25 quilos – precisamente o peso de Isabella. Na condição de testemunha, a perita Rosângela Monteiro, responsável pela análise da camiseta, foi assertiva ao relatar a conclusão a que chegou com sua equipe. "O réu defenestrou a vítima. Foi ele", afirmou.

Às provas técnicas se somou uma atuação impecável da parte de Cembranelli, que demonstrou domínio absoluto de todos os detalhes do caso do começo ao fim do julgamento. O apogeu de seu desempenho se deu na quinta-feira, quando o promotor interrogou os réus, deixando-os por várias vezes sem respostas razoáveis. O primeiro a responder ao promotor foi Nardoni. Cembranelli o arguiu sobre a razão pela qual não telefonou para o resgate assim que chegou ao gramado do prédio, onde a filha estava caída.

Por que o senhor não a socorreu? – perguntou o promotor.

Eu estava vendo se ela estava viva – respondeu o pai.

Ela estava viva. Por que o senhor não a socorreu?

Eu estava em choque, não sei dizer.

Por que o senhor não a socorreu? – insistiu Cembranelli.

Quando caí em si (sic), seu Lúcio (o vizinho) estava dizendo para não mexer nela.

As respostas de Nardoni estarreceram promotor e jurados: como um pai que acaba de ver a filha despencar do alto de um prédio deixa de tomar providências por determinação do vizinho? Nardoni também teve dificuldade para explicar por que não dirigiu a palavra nem sequer uma vez à mãe de Isabella, Ana Carolina Oliveira, depois da morte da menina – nem no velório, nem no enterro.

Ela lhe entregou a filha viva e a recebeu morta. Por que não falou com ela? – quis saber o promotor.

Era uma situação embaraçosa – limitou-se a responder o pai da menina morta.

Em seguida, foi a vez de Anna Carolina Jatobá enfrentar a acusação. Em seu depoimento, ficou claro que ela reproduzia, com detalhes minuciosos, respostas que eram de interesse da defesa, mas dizia não se lembrar de questões que pudessem trazer embaraços para ela e Nardoni. Anna Carolina Jatobá chegou a dizer que, no dia do crime, só havia lavado roupas pretas, mas disse não se recordar do valor da pensão alimentícia paga pelo marido a Isabella (325 reais por mês). Houve ainda um desfile de contradições: Nardoni havia afirmado que o casal tinha apenas "brigas normais", mas a mulher declarou que eles "quebravam o pau" constantemente.

Os jurados acompanharam os interrogatórios com interesse. Em vários momentos, elaboraram perguntas – repassadas por escrito ao juiz – para ser feitas aos réus. Ao final, responderam às doze questões formuladas pelo juiz Fossen. As relativas a Nardoni foram: 1) Existiu a esganadura que contribuiu para a morte de Isabella Nardoni? 2) Isabella foi jogada da janela do 6º andar do Edifício London, provocando sua morte? 3) Alexandre omitiu-se quando deveria, por dever legal, proteger a filha? 4) Foi Alexandre quem jogou Isabella pela janela? 5) O jurado absolve o réu? 6) Existem qualificadores para o crime, no caso, o meio cruel, uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, e com o intuito de assegurar impunidade de outro crime? 7) Houve alteração da cena do crime para enganar as autoridades?

Em relação a Anna Carolina Jatobá, além das duas primeiras questões e da última, foram feitas as seguintes: 3) Anna Carolina Jatobá colaborou com a morte de Isabella ao aderir a toda a ação? 4) O jurado absolve a ré?

Ao contrário do juiz, obrigatoriamente técnico, os jurados do tribunal do júri – "juízes leigos" – não são obrigados a desprezar a emoção na hora de decidir nem a fundamentar suas posições. Para chegarem ao seu veredicto, o único compromisso deve ser com a própria consciência. No Brasil, o tribunal do júri é a instância responsável pelo julgamento dos crimes dolosos contra a vida: homicídio, infanticídio, indução ou auxílio ao suicídio e prática de aborto, mais as tentativas frustradas de cometer os mesmos delitos. A ideia por trás desse critério é que, ao contrário dos crimes contra o patrimônio, por exemplo, os que atentam contra a vida podem ser mais facilmente cometidos por pessoas que não são bandidos "profissionais". Dessa forma, entende o direito, é justo que sua conduta seja avaliada por iguais – cidadãos que, por viverem sob as mesmas regras e códigos sociais do réu, conseguiriam entender melhor suas motivações, paixões e emoções. Tarefa que não seria desempenhada a contento por um magistrado, forçosamente pautado pela letra fria da lei. Se oferece vantagens incontestáveis, a dinâmica do tribunal do júri tem seus riscos também. Como o de resultar na absolvição, ou quase isso, até mesmo de réus confessos.

O julgamento de Doca Street, de 1979, três anos após o crime, mostrou como o resultado de um júri pode ser determinado não pela culpa ou inocência do réu, mas pela moral vigente no período – à qual, nesse caso, se aliou uma defesa ardorosa. Assassino confesso da socialite Ângela Diniz, com quem vivia, o playboy Doca Street foi defendido pelo criminalista Evandro Lins e Silva, que anunciava (não pela primeira vez) ser aquele seu último júri. Sem quase se referir aos autos, o criminalista descreveu seu cliente como um "mancebo bonito e trabalhador", cuja honra teria sido pisoteada pela "Vênus lasciva" e "devassa" (Ângela Diniz), que, entre outras iniquidades, teria tentado acomodar na cama do casal uma beldade do sexo feminino que ela havia conhecido na praia. A apaixonada exposição de Lins e Silva contaminou não apenas os jurados, mas até mesmo um dos assistentes da acusação, que chegou a pespegar um beijo de admiração no criminalista.

Ao final, Doca Street foi condenado a uma pena irrisória: dois anos em regime aberto. Mas em 1981, no julgamento do recurso impetrado pela acusação, já sem Lins e Silva, recebeu condenação bem maior, de quinze anos.

Em outro caso, de menor repercussão, um homem que confessou ter matado a mulher em Itapacerica da Serra, em São Paulo, acabou absolvido depois que o criminalista Tales Castelo Branco, seu defensor, pediu que os onze filhos do réu se postassem diante da porta do fórum. Nas últimas palavras que dirigiu aos jurados, não mencionou culpa ou inocência. Disse apenas: "Ao decidir, senhores jurados, lembrem-se de que este homem tem onze filhos". Por unanimidade, o júri absolveu um réu confesso.

Fonte: Revista VEJA

General Maynard, livre para falar o que quiser

General contrário à "Comissão da Verdade" vai para a reserva

O general-de-exército Maynard de Santa Rosa poderá pendurar a farda a partir de hoje e falar o que quiser. Santa Rosa escreveu uma nota, vazada na internet no início do ano, em que chamava de “Comissão da Calúnia” a Comissão da Verdade, criada por Lula para apurar os crimes contra direitos humanos ocorridos na ditadura militar.

No texto, Santa Rosa disse que a comissão, “certamente, será composta dos mesmos fanáticos que, no passado recente, adotaram o terrorismo, o sequestro de inocentes e o assalto a bancos, como meio de combate ao regime, para alcançar o poder”.

Em fevereiro, após o vazamento, Santa Rosa foi exonerado por Lula do cargo de chefe do Departamento Geral Pessoal. Agora, vai para a reserva.

Inflação ultrapassa meta para 2010

Banco Central já prevê inflação acima de 5% para 2010

Expectativas de inflação se deterioram e ultrapassam centro da meta. Mesmo assim, BC optou por não subir os juros neste mês.

O Banco Central informou nesta quarta-feira (31), por meio do relatório de inflação do primeiro trimestre deste ano, que as suas expectativas de inflação se deterioraram nos últimos três meses e ultrapassaram a barreira dos 5% para este ano. A projeção coloca a inflação acima do centro da meta do governo, de 4,5%.

A autoridade monetária utiliza dois cenários para projetar a inflação: o de referência (no qual a taxa de juros é mantida estável em 8,75% ao ano no horizonte de projeção e o câmbio permanece em R$ 1,80 por dólar) e o de mercado - que considera as estimativas dos economistas do mercado para a trajetória de juros e câmbio nos próximos meses.

No chamado "cenário de mercado", que utiliza as projeções dos economistas das instituições financeiras e que, portanto, é considerado mais factível, a projeção do BC para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano subiu de 4,5%, em dezembro, para 5,2% no documento divulgado nesta quarta-feira (31). Para 2011, a projeção avançou de 4,3% para 4,4%.

No chamado "cenário de referência", a projeção do Banco Central para o IPCA subiu de 4,6% para 5,2% em 2010, e avançou de 4,6% para 4,9% em 2011. Este cenário não considera a expectativa dos economistas do mercado financeiro de subida dos juros por parte do BC. O mercado acredita que os juros subirão para 11,25% ao ano até o fim de 2010.

Metas de inflação
No Brasil, vigora o sistema de metas de inflação, pelo qual o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central tem de calibrar a taxa de juros para atingir uma meta pré-determinada com base no IPCA. Quando sobe os juros, julga que a expectativa de inflação está incompatível com a trajetória das metas. Para 2010 e 2011, a meta central de inflação é de 4,50%.

Manutenção dos juros em março

Apesar da subida das projeções de inflação, a maioria dos membros do Copom, devido ao fato de que já está em curso o processo de "retirada dos estímulos" introduzidos durante a crise, entendeu ser mais "prudente" aguardar a evolução do cenário macroeconômico até a próxima reunião do Comitê, em abril, para então dar início ao ajuste da taxa básica.

Analistas do mercado financeiro acreditam que a subida dos juros terá início no mês de abril, quando a taxa deverá avançar de 8,75% para 9,25% ao ano. Até o fim de 2010, o mercado prevê que os juros avancem para até 11,25% ao ano.

Fonte: G 1

NARCOTRÁFICO. União de esforços entre os EUA e o Brasil

Brasil discute com EUA criação de base no Rio

Objetivo seria reforçar combate ao narcotráfico e ao contrabando, sempre sob o comando de brasileiros

Por sugestão da Polícia Federal, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva discutiu ontem com o comandante do Comando Sul dos EUA, tenente-brigadeiro Douglas Fraser, a proposta de criação de uma base "multinacional e multifuncional" que teria sede no Rio de Janeiro.

A base formaria, com duas já existentes, em Key West (EUA) e em Lisboa (Portugal), o tripé de monitoramento, controle e combate ao narcotráfico e contrabando, principalmente de armas, além de vigilância antiterrorista. Douglas Fraser passou o dia de ontem em Brasília. Após reunião de trabalho e almoço com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, o comandante americano encontrou-se com o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa.

A PF já tem um adido de inteligência trabalhando na base de Key West, na Flórida. O Planalto está para decidir se o adido junto à base de Lisboa será um delegado federal ou um oficial da Marinha.

A base no Rio, assim como as outras duas, não admite operações sob comando de estrangeiros. Os países que aceitam participar dos programas de cooperação de combate ao crime organizado enviam adidos que atuam sempre sob supervisão dos agentes do país soberano sobre a base. A ideia é que com a base da Flórida, que vigia de perto o tráfico no Caribe, e a de Lisboa, que exerce controle sobre o Atlântico Norte, a base brasileira sirva como posto avançado de monitoramento do Atlântico Sul.

Tragédia.

Key West é uma base aérea e naval que atua em cooperação com os departamentos de Defesa e de Segurança Nacional, agências federais e forças aliadas. Desde 1989, possui força-tarefa de inteligência que conduz operações contra o narcotráfico no Caribe e na América do Sul. Foi de lá que partiu o primeiro avião de resgate no caso da tragédia do voo AF 447, da Air France, em junho passado, no litoral do Brasil, perto de Fernando de Noronha. Notificada do acidente, a base mobilizou o adido brasileiro, que providenciou o início do socorro.

O grupo de agentes da força-tarefa de Key West tem como objetivo combater o cultivo, a produção e o transporte de narcóticos. Os governos britânico, francês e holandês contribuem com o envio de navios, aeronaves e oficiais. O grupo reúne ainda representantes de Argentina, Brasil, Colômbia, Equador, Peru e outros países latino-americanos.

A presença dos Estados Unidos na região começou em 1823, com o objetivo de combater a pirataria local. Foi usada inicialmente como patrulha de operações submarinas e como estação de treinamento aéreo, utilizada por mais de 500 aviadores na época da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Em 1940, ganhou a designação de base aérea e naval.

Em Lisboa, a base naval fica à margem do Rio Tejo, no Perímetro Militar do Alfeite. Foi criada em dezembro de 1958.

Fraser também veio ao Brasil para organizar a viagem do secretário de Defesa dos EUA, prevista para meados de abril. A visita é retribuição da viagem de Jobim aos EUA, em fevereiro, em Nova York. Em pauta, a cooperação estratégica militar entre os dois países, a compra de caças pelo Brasil e o interesse dos EUA em adquirir aviões de treinamento - a Embraer produz o Supertucano. A americana Boeing produz o F-18, Super Hornet, que está entre os três classificados na concorrência da FAB.

Fonte: O Estadão
[sem punição severa ao usuário, ao viciado, não adianta o combate ao tráfico, já que o consumo é que gera os bilhões de dólares que torna o narcotráfico altamente lucrativo;
entre os incontáveis maleficios do (des)governo Lula ao Brasil está o abrandamente - praticamente liberação - no combate ao usuário.]

31 de março de 1964 - Inicio da derrota dos maus brasileiros que queriam fazer do nosso Brasil uma Cuba

A Contra-Revolução de 1964

Sr. Presidente: Permita-me esclarecer que a intenção desta palestra consiste em colocar em debate a perda da memória dos acontecimentos que precederam o 31 de março de 1964. Persiste o veto a qualquer referência favorável à derrubada do governo João Goulart. A circunstância de que os derrotados de 64 estejam em condições de influenciar tantos atos na área oficial (atletas cubanos expulsos do país em avião de Hugo Chavez e a defesa organizada do criminoso Cesare Battisti) é reveladora de uma pronunciada tendência para o esquerdismo. Na universidade, na imprensa, nas editoras, na publicidade, na internet e em várias áreas da vida social brasileira exalta-se a importância das “reformas de base” do governo João Goulart, cuja execução teria sido impedida pelo golpe de Estado. Tais reformas entram na história como uma grande fraude.


Passo ao texto da palestra, intitulada A Contra-Revolução de 64.

Inicio citando, textualmente, uma bravata brizolista:


“O Grupo dos Onze representa a vanguarda

avançada do Movimento Revolucionário, a exemplo da

Guarda Vermelha da Revolução Socialista de 1917 na

União Soviética”, proclamou Leonel Brizola, em outubro

de 1963, ao criar essa organização revolucionária.


Da população total hoje existente, cento e dez milhões de brasileiros não respiraram a atmosfera dos anos que precederam o movimento de 31 de março de 1964, quando foi derrubado o presidente João Goulart. Para essa grande massa de patrícios o acontecimento histórico, um divisor de águas, há de parecer remoto ou inexistente. Não será difícil aos formadores de opinião, esquerdistas, anticapitalistas e antiamericanos desenvolver esforços para convencer os desprevenidos de que essa data serve apenas de referência a uma quartelada.


A derrubada do presidente Goulart e de seu grupo de agitadores políticos ofereceu à sociedade a oportunidade de uma descontração, de um alívio profundo, que só pôde ser avaliado pelos que viveram aqueles anos tumultuosos. Na área política, predominavam tensões crescentes. Em todas as regiões metropolitanas as greves, distúrbios, arruaças e tumultos faziam parte da vida cotidiana, perturbando a tranqüilidade pública de modo incessante. À medida que avançava o ano de 1963, intensificava-se a fuga de capitais. Na onda de desespero, muitos vendiam suas propriedades a qualquer preço, pois a escalada de teor esquerdista, fomentada pela Presidência da República, conduzia à crença de que parecia fatal a instauração de um governo comunista. Luiz Carlos Prestes dizia que os comunistas estavam no governo, mas ainda não no poder.


Como os derrotados ganharam o prêmio de uma aplicação de alto rendimento, recebido sob a forma de bilhões de reais em indenizações, a ascensão do esquerdismo político, nos últimos decênios, criou condições em que se tornou fácil denegrir a contra-revolução de 64, como se tivesse sido um golpe de Estado de estilo latino-americano. Mais de cem milhões de brasileiros ignoram que a Nação esteve à beira de uma revolução comunista, à moda de Cuba. Essa grande massa de patrícios não se cansa de ouvir elogios ao governo João Goulart, “impedido pelo golpe” de executar o seu projeto de reformas de base, que era uma palavra de ordem inteiramente vazia. Tudo o que se imaginava como reforma era contra o desenvolvimento sócio-econômico. Propunha-se, por exemplo, que o capital estrangeiro ficasse proibido de operar em energia elétrica, frigoríficos, indústria farmacêutica, refinação de petróleo, telefonia e outros setores.


Medida dessa natureza deixaria a economia nacional à margem da comunidade financeira internacional e a colocaria no campo soviético. O Brasil viria a ser mais um satélite de Moscou. Aberração maior foi o decreto do presidente Goulart desapropriando terras, vinte quilômetros ao longo de rodovias, ferrovias, açudes e rios navegáveis, uma pré-condição das fazendas coletivas. Entre as palavras de ordem do esquerdismo ganhava destaque a que propunha que o proprietário de duas casas ou dois apartamentos deveria ceder um aos sem teto. Providências insensatas eram anunciadas quase diariamente, nos últimos meses do governo Goulart, inclusive o aluguel de casas e apartamentos fixado pelo governo e o preço uniforme dos remédios em todas as farmácias. O carro-chefe era um amplo programa de estatização. A parte política das reformas abrangia o direito de voto para analfabetos, sargentos e patentes inferiores, origem de estremecimento nas Forças Armadas.


A imprensa refletia o clima de desordem. O matutino Correio da Manhã, jornal de grande prestígio na época, proclamava no dia 31 de março: “Basta!” e no dia seguinte declarava “Fora” ao governo João Goulart, que havia perdido a confiança dos representantes da sociedade organizada. Na verdade, o presidente se tornara joguete das forças radicais de esquerda, as quais se empenharam em fomentar um desafio constante às Forças Armadas, alimentando ilusão num suposto “Dispositivo” do general Assis Brasil, chefe da Casa Militar e secretário-geral do Conselho de Segurança Nacional. Posteriormente, o general declarou: “O dispositivo militar, que dizem que eu montei, nunca existiu”. Propagava-se a informação de que o general comandava a parte “progressista” do Exército, a qual seria capaz de neutralizar as Forças Armadas e de facilitar a tomada do poder pelos extremistas de esquerda. Não demoraram os fatos para provar, de forma categórica, que as forças sob o comando de Jango não passavam de agitadores incapazes de enfrentar um simples embate. O famoso “dispositivo” era pura invenção.


Em certo momento, houve uma aparente disputa entre Jango e seu cunhado Brizola para ver qual dos dois estava mais à esquerda. As agitações de operários, estudantes e lideres de trabalhadores rurais deixaram o presidente da República convencido de que as forças de esquerda podiam lhe assegurar a vitória final, no confronto com os adversários liberais e conservadores.


Demonstrando visível prudência, o governador Magalhães Pinto advertia: “Dois grandes males põem em risco a paz e a liberdade de nossa pátria na conjuntura atual. São eles a inflação financeira e o radicalismo político. O medo de perder gera a mesma fúria agressiva que a cobiça de ganhar. Em breve, se não houver possibilidade de uma solução equilibrada, o destino da maioria dos brasileiros estará à mercê dos grupos extremistas minoritários que se atiram à ação direta, para a resolução ou para o golpe de Estado”.


Os fatos se encarregaram de provar que esse receio tinha sério fundamento. Em março de 1963, uma passeata de militares, em São Paulo, demonstrava a escalada do esquerdismo. Consistia o objetivo do movimento na posse de alguns sargentos eleitos no pleito de 3 de outubro de 1962. Militares da Aeronáutica e da Força Pública compareceram fardados à passeata, a qual foi seguida de solenidade, na qual sentaram-se à mesa diretora os comunistas Geraldo Rodrigues dos Santos, Mario Schemberg, Luiz Tenõrio de Lima, Oswaldo Lourenço e o general reformado Gonzaga Leite, um dos organizadores do Congresso Continental de Solidariedade a Cuba.


As manifestações realizadas em defesa dos militares de baixa patente, cujas reivindicações repercutiam em todo o país, ganharam ímpeto quando o sargento-deputado Garcia Filho afirmou, em Fortaleza, que, se não houvesse uma decisão favorável à posse dos sargentos eleitos, a Justiça Eleitoral seria “fechada”. Garcia pregou o enforcamento dos responsáveis pela tirania dos poderes econômicos e rotulou a instituição militar de nazista.


Entre os acontecimentos que tornaram denso o clima político, no ano de 1963, não se pode subestimar o efeito causado pelas comemorações do aniversário do general Osvino Ferreira Alves, comandante do III Exército, em Porto Alegre, onde cerca de oitocentos subtenentes e sargentos se reuniram, em julho, para homenageá-lo. O ato teve significação particular. O general se distinguira como um dos ardorosos defensores da restauração do presidencialismo, contra o parlamentarismo, vigente no ano de 1962, um fator restritivo à ação do presidente Goulart. Osvino representava um dos esteios do janguismo.


Em setembro de 63, Brasília se tornou palco de um fato político de gravidade, quando sargentos da Marinha e da Força Aérea, sob o comando do sargento da FAB Antonio Prestes de Paula, se apossaram do Ministério da Marinha, da Base Aérea, da Área Alfa (da Companhia de Fuzileiros Navais), do Aeroporto Civil, da Estação Rodoviária e da Rádio Nacional. Os revoltosos prenderam um ministro do Supremo Tribunal Federal e o presidente da Câmara Federal. Durante a tarde, o movimento estava dominado com a prisão dos rebelados. Carros blindados do Exército ocuparam pontos estratégicos de Brasília e se dirigiram ao Ministério da Marinha, onde os rebeldes se entregaram. Alguns marinheiros sairam feridos. Houve dois mortos, o soldado fuzileiro Divino Dias dos Anjos, rebelde, e o motorista civil Francisco Moraes.


A imprensa denunciava como insuportável a agitação social que descambava para um estado de desordem, o qual interessava, visivelmente, à Presidência da República, como exigência da implantação das “reformas de base”. A denuncia da agitação era a tônica dos editoriais dos Diários Associados, do Estado de S. Paulo, do Jornal do Brasil, da Tribuna da Imprensa e do Globo. Empresários e intelectuais se reuniam em associações civis para advertir a sociedade dos perigos que se avolumavam e combater a infiltração comunista, que pregava a revolução social e a estatização da economia. Estava em plena atividade o Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais – IPES, ao lado do Instituto Brasileiro de Ação Democrática – IBAD, o qual se empenhava no combate aberto à infiltração comunista. A CAMDE reunia as esposas de militares, funcionários públicos e dirigentes sindicais contra a desordem. Foi também criado o Movimento Sindical Democrático, para atuar no campo. Era muito ativo em Pernambuco o Serviço de Orientação Rural.


Em oposição ao movimento democrático, eram numerosas as entidades que compunham a frente de agitação esquerdista, inclusive o Comando Geral dos Trabalhadores, a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria, a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura, o Comando dos Trabalhadores Intelectuais e a Frente Parlamentar Nacionalista. Ao mesmo tempo desenvolviam intensa atividade a União Nacional de Estudantes, cujo Centro Popular de Cultura agia em todo país; O Movimento de Educação de Base, a Ação Popular e o próprio Ministério da Educação, por intermédio da Comissão de Cultura Popular, que influía na conduta das Secretarias de Educação dos Estados.


Ganhou importância, nessa atmosfera pré-revolucionária, o documento que o general Castello Branco, chefe do Estado Maior do Exército, encaminhou ao Ministro da Guerra, salientando a necessidade de providências sobre a “ação ilegal, inclusive subversiva, do Comando Geral dos Trabalhadores, a agitação insurrecional promovida pelo Deputado Leonel Brizola, e a conexão de atividades de políticos com o motim de Brasília”. Na mesma ocasião o general se manifestou contrário ao Estado de Sítio pleiteado por João Goulart, para implantação das “reformas de base”.


O encadeamento dos fatos demonstra a marcha acelerada do esquerdismo para a tomada do poder. Assinalemos algumas datas:

5 de julho de 1961 – Durante a greve geral de 5 de julho foi criado o Comando Geral dos Trabalhadores, CGT. As lideranças sindicais criaram o Comando Geral de Greves, CGG, para coordenar o movimento grevista.

25/09/1962 – É fundada a Frente de Libertação Nacional, tendo Leonel Brizola como presidente e Mauro Borges, governador de Goiás, como secretário-geral.

Em 2 de julho de 1962, Auro de Moura Andrade é indicado para primeiro ministro e enfrenta reação das organizações sindicais que decretam greve geral contra sua posse, afetando principalmente o Rio de Janeiro, Recife, Porto Alegre, Santos e Fortaleza.

Agosto de 1982 – Os ministros militares lançam manifesto pedindo antecipação do plebiscito sobre o fim do regime parlamentarista e a restauração do presidencialismo. O primeiro ministro Brochado da Rocha defende essa posição em discurso na Câmara

15 de outubro de 1962 – O Comando Geral dos Trabalhadores deflagra greve geral com a finalidade de exigir do Congresso a fixação da data do plebiscito. O Congresso aprova lei complementar número 2 que estabelece a realização do plebiscito em 6 de janeiro de 1963.

6 de janeiro de 1963 – Realização do plebiscito. O presidencialismo venceu por ampla margem: 9.5 milhões contra 2milhões. João Goulart é o grande vencedor.

24 de janeiro de 1963 – tomou posse o primeiro ministério presidencialista.

De 28 a 30 de março, realizou-se em Niterói, na sede do Sindicato dos Operários Navais, um Congresso Continental de Solidariedade a Cuba, com a participação de delegações latino-americanas. Luiz Carlos Prestes foi um dos oradores. Manifestou o desejo de que o Brasil fosse a primeira nação da América do Sul a seguir o exemplo de Cuba.

5 de maio de 1963 – Leonel Brizola discursa em Natal, fazendo acusações ao general Antonio Carlos Muricy, a quem chama de “gorila” e “golpista”. Seguem-se manifestações de militares apoiando o general.

12 de maio e 1963 – Sob o comando do subtenente Gelci Rodrigues Correia, mais de mil suboficiais, sargentos e cabos se reúnem no auditório antigo do IAPC, no Rio, para defender a elegibibilidade dos graduados. Gelci refere-se também à possibilidade de os graduados lançarem mão de “seus instrumentos de trabalho” (as armas) para exigir do governo federal as reformas de base.

O ministro da Guerra, Amauri Kruel, determina a detenção do subtenente Gelci por 30 dias.

15 de junho de 1963 – João Goulart muda pela quarta vez o seu ministério. Os ministros do Exército, da Aeronáutica e da Marinha são substituídos.

23 de setembro de 1963 – A Frente Parlamentar Nacionalista e a União Nacional de Estudantes defendem a elegibilidade dos sargentos e condenam declarações do general Peri Bevilacqua, que criticou a revolta dos sargentos e a solidariedade sindical a esse movimento. O general, que havia apoiado a posse de Goulart e a realização do plebiscito, atribuiu ao Comando Geral dos Trabalhadores, ao Pacto de Unidade e Acão e ao Fórum Sindical de Debates a responsabilidade pela insurreição dos sargentos, tachando a cúpula do movimento sindical de “aglomerados de malfeitores sindicais”.

4 de outubro de 1963 - Goulart envia mensagem ao Congresso solicitando a decretação de estado de sítio por trinta dias. Mas sofre derrota.

6 de outubro -Tropas do IV Exército, por ordem do seu comandante, o general Justino Alves Bastos, ocupam Recife para conter trinta mil manifestantes camponeses nas proximidades do palácio do governo estadual. O governador Miguel Arrais apóia a manifestação.

Outubro de 1963 – Brizola organiza o “Grupo dos Onze Companheiros”. Seu objetivo era tomar o poder pela luta armada. Segundo Brizola, o G-11 seria a “vanguarda avançada do Movimento Revolucionário, a exemplo da Guarda Vermelha da Revolução Socialista de 1917 na União Soviética”. Brizola chegou a lançar um boletim, intitulado “O Panfleto”, cujo objetivo era literalmente fomentar distúrbios.

A Nação estava na expectativa de uma grande concentração popular anunciada pelas lideranças de esquerda para o dia 13 de março de 64. Prepararam o grande ato o Comando Geral dos Trabalhadores, a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria, a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura, o Comando dos Trabalhadores Intelectuais, a União Nacional de Estudantes, a Frente Parlamentar Nacionalista e conhecidos dirigentes de esquerda. Nos comunicados à opinião pública, declararam essas organizações que o objetivo era demonstrar a exigência das reformas, as quais deveriam entrar em vigor ainda no ano de 64. Outro objetivo era a defesa das liberdades democráticas e sindicais, exigindo-se a extensão do direito de voto aos soldados, marinheiros e cabos, assim como a elegibilidade para todos os eleitores e a necessidade de imediata anistia a todos os civis e militares indiciados e processados por crimes políticos e pelo exercício de atividades sindicais.

Era grande a efervescência no momento em que se realizava o comício de 13 de março de 64, na Praça da República, vizinhanças do Quartel-General do Exército e da Central do Brasil. Nessa concentração, a que compareceram Goulart e sua esposa, Maria Teresa, ao lado de vários ministros de seu governo, deputados e líderes sindicais. Ficou demonstrado que o presidente não era o ponto de equilíbrio, lembrado por Magalhães Pinto, capaz de evitar a destruição das instituições democráticas. Animado pelos aplausos da multidão, Goulart decreta a encampação das refinarias de petróleo privadas e autoriza a expropriação de terras, vinte quilômetros à beira de rodovias, ferrovias, rios navegáveis e açudes.

O matutino Estado de S. Paulo, no dia 14 de março, um dia depois do grande comício da Central do Brasil, em que o presidente Goulart fez pronunciamentos tipicamente de esquerda, escreveu: “Depois do que se passou naquela praça, após a leitura dos decretos presidenciais que violam a lei, não tem mais sentido falar-se em legalidade democrática, como coisa existente”.


A agitação no comício foi o sinal de que as forças de esquerda marchavam para a tomada do poder. Essa concentração não foi um ato isolado, Comícios semelhantes foram à mesma hora realizados em Porto Alegre, Recife, Belo Horizonte e São Paulo, para veiculação de orações de teor sindical-esquerdista. No Rio, participavam da comissão organizadora do comício o radical Oswaldo Pacheco da Silva, presidente da Federação Nacional dos Estivadores e representante do Comando Geral dos Trabalhadores e do Pacto de Unidade e Ação; o deputado comunista Hércules Corrêa dos Reis, secretário da Comissão Permanente das Organizações Sindicais, e o deputado José Talarico, secretário do PTB na Guanabara e assessor de Goulart nas atividades sindicais.


No dia 19 de março, mulheres paulistas lideraram a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, um movimento que envolveu centenas de milhares de pessoas, traduzindo a inquietação generalizada dos brasileiros. No dia seguinte, O GLOBO comentou: “Sirva o acontecimento para mostrar aos que pensam em desviar o Brasil de seu caminho normal, apresentando-lhe soluções contrárias ao ideal democrático e ensejando a tomada do poder pelos comunistas, que o povo brasileiro jamais concordará em perder a liberdade, nem assistirá de braços cruzados ao sacrifício das instituições”.


O grevismo era o principal instrumento de agitação política. Na área de Santos, o ano de 1963 registrou em média de 3 a 4 greves por mês. Houve durante o ano duas greves gerais. Junho e agosto viveram os meses mais agitados, numa sucessão de paralisações de trabalhadores do Porto, de hospitais, funcionários públicos e até de juízes de futebol. O clima era de greve onde quer quehouvesse trabalho sindicalizado. Houve momentos em que se tornou necessária a presença de tropas federais para assegurar a ordem na faixa portuária e na área da refinaria de petróleo e do oleoduto.


As greves gerais foram decretadas pelo Fórum Sindical de Debates, que contava com o apoio de quarenta sindicatos e associações de trabalhadores. Durante todo o ano de 1963 e primeiros meses de 1964, a baixada santista viveu momentos de grande tensão, causada pelo grevismo e as agitações de rua. Qualquer pretexto servia para se proclamar uma greve. No dia 24 de fevereiro de 1964, foi declarada greve que parou totalmente o porto de Santos depois de um incidente entre um vigilante das Docas e um delegado da Polícia Marítima.


Maior e mais intensa foi a inquietação social causada pelo grevismo no Estado da Guanabara, onde, nos anos de 1962 a 1964, foram declaradas 176 greves, abrangendo em grande parte empresas privadas, mas também as governamentais, que eram mais tolerantes com o paredismo. Na capital da República, fonte de informação disseminada a todo o país, a população carioca e da periferia esteve dominada por tensão generalizada e viveu mais de perto a ameaça da implantação do regime comunista. Em 1963 houve setenta e seis greves no Rio e 38 nos primeiros meses de 64, segundo o pesquisador Marcelo Badaró Matos, in Revista Brasileira de História, Vol. 24/2004, S. Paulo. Segundo esse autor, as greves por aumentos salariais estavam sempre impregnadas de motivação política. Greves e mais greves se sucediam. Bancos, escolas, hospitais, serviços públicos, transportes, tudo estava sujeito a paralisação. Os habitantes da metrópole eram quase diariamente vítimas de greves que perturbavam a vida da cidade.


O Rio viveu os momentos mais intensos da desordem. No dia 25 de março de 64, houve o motim dos marinheiros, precedido de uma assembléia de mais de dois mil militares de baixa patente, realizada no Sindicato dos Metalúrgicos. Esse numeroso grupo, onde predominavam marinheiros e taifeiros, exigia melhores condições de existência, extensivas aos militares de outras Armas, e declaravam apoio às “reformas de base”, anunciadas por João Goulart. Exigia, também, a suspensão de medidas disciplinares impostas aos diretores da Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais do Brasil, entidade que funcionava à revelia do regulamento da Marinha. O então ministro da Marinha, almirante Silvio Mota, ordenou que fossem presos os líderes dos amotinados, enviando destacamento dos fuzileiros navais, sob o comando do almirante Candido Aragão. No entanto, ocorreu a adesão dessa tropa aos amotinados. O presidente Goulart expediu ordens, no dia 26, proibindo a invasão da sede do Sindicato onde se realizava a assembleia. Coube ao ministro do Trabalho negociar com os marinheiros a desocupação pacífica do edifício.


Logo em seguida, uma tropa prendeu os líderes dos amotinados, porém João Goulart lhes concedeu imediato perdão, o que exaltou o ânimo da oficialidade. O ministro Silvio Mota, que ordenara a prisão dos dirigentes da associação, foi demitido e substituído pelo almirante Paulo Mário da Cunha Rodrigues. A resposta do almirantado foi hostil ao governo. No Clube Naval, um grupo de almirantes hasteou a bandeira nacional a meio pau. O Clube Militar se solidarizou. A decisão do novo ministro, que concedeu anistia aos rebeldes marinheiros, provocou a coesão militar contra João Goulart. Vinte almirantes subscreveram uma nota de protesto, em que afirmavam: “O grave acontecimento que ora envolve a Marinha, ferindo-a na sua estrutura, abalando a disciplina, não pode ser situado apenas no setor naval. É um acontecimento de repercussão nas Forças Armadas e a ele o Exército e a Aeronáutica não podem ficar indiferentes”.

A Folha de São Paulo, de 27 de março, indagava: “Até quando as forças responsáveis deste país, as que encarnam os ideais e os princípios da democracia, assistirão passivamente ao sistemático, obstinado e agora já claramente declarado empenho capitaneado pelo presidente de República de destruir as instituições democráticas?”


Pouco depois, no dia 30 de março, véspera da derrubada do governo, estava marcada, no Rio de Janeiro, uma reunião de sargentos das três Forças, mais os da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, a ser realizada no Automovel Clube. Diante da notícia, o Comando do Primeiro Exército ordenou que suas unidades retivesse dentro dos quartéis os sargentos, o que impediu a presença destes na reunião. Para presidi-la foi convidado o presidente da República. Tancredo Neves, político experiente, aconselhou-o a não comparecer. O deputado Tenório Cavalcanti, um ativista das esquerdas, recomendou a Jango que não saísse do Palácio das Laranjeiras. Tudo inútil. Acompanhado do general Assis Brasil, responsável pelo esquema de segurança, o presidente se dirigiu ao Automóvel Clube, onde foi festivamente recebido pelos sargentos.


O clima, nessa noite, o induziu a deixar de lado o discurso escrito, para falar de improviso, ressaltando a importância do sargento como elemento de ligação entre as Forças Armadas e o povo. Estavam presentes o almirante Aragão e o “cabo” Anselmo que pronunciaram discursos inflamados e foram aplaudidos com entusiasmo.

Comentando o fato, escreveu o Jornal do Brasil, em 31 de março: “Pois não pode mais ter amparo legal quem, no exercício da Presidência da República, violando o Código Penal Militar, comparece a uma reunião de sargentos para pronunciar discurso altamente demagógico e de incitamento à divisão das Forças Armadas”.


Horas depois da reunião no Automóvel Clube, iniciaram o avanço em direção o Rio de Janeiro as tropas de Minas, sob o comando dos generais Mourão e Guedes. As informações que Goulart conseguiu reunir, na manhã do dia 1º de abril, eram confusas. O presidente decidiu viajar a Brasília, para manter contato com parlamentares e deixou no Rio o general Assis Brasil. Logo a seguir, o general Âncora telefona a Assis para informá-lo de que “o Norte já aderiu à revolução. Minas está toda revoltada. O batalhão que mandei daqui se passou para o lado dos revoltosos, os quais ganharam a adesão do batalhão de Barra do Piraí. As tropas de São Paulo já estão marchando. Colocaram os cadetes da Academia Militar na vanguarda”.


Relatou o general Assis Brasil os últimos momentos do governo Goulart. "Disse que, antes de ir para Brasília, realizou uma reunião com os ministros militares e depois com os civis. O único que queria resistir era o da Marinha, justamente o que não tinha tropa”. Assis chegou a Brasília às 20 horas e encontrou Goulart no aeroporto. Havia um avião da Panair do Brasil sendo preparado. Disse o general que, antes de falar com Goulart, mandou que os oficiais da Casa Militar fossem para seus postos e passassem os cargos aos substitutos. “Ninguém falou em resistência entre os meus auxiliares. Um deles perguntou: “E o senhor?”. Respondi: vou com o presidente, porque esta é a minha função. Não sei para onde ele vai, mas o meu destino, enquanto ele estiver vivo, está ligado ao dele. Fui ao encontro de Jango, que queria saber da situação. Informei que o III Exército perdeu o Paraná e Santa Catarina, mas Porto Alegre está intacta. Militarmente, dá para o senhor descer lá, mas não podemos pensar em resistência.


Prossegue o relato das horas finais:

- Fomos para Porto Alegre. Chegamos pela madrugada. O general Ladário, que chefiava as tropas, queria resistir. Jango me disse que também Brizola falava em resistir. Eram quatro horas da manhã. A guerra estava perdida. Durante a manhã, embarcamos e fomos para a estância Rancho Grande, em São Borja, onde se encontravam Maria Teresa e filhos. Jango não sabia o que fazer, estava atordoado. Eu disse: O senhor tem que sair daqui, senão vão lhe prender. Havia três aviões, um dos quais levou a Brasília os oficiais que me acompanhavam.


- De lá fomos para uma das fazendas de Jango, à margem do rio Uruguai. Consegui demover Jango da idéia de ir para o Brasil Central e ficar em uma de suas fazendas. Quando ele me perguntou qual era a minha sugestão, sugeri o Uruguai. Mandamos um portador a Montevidéu para sondar a posição do governo. O piloto voltou com a notícia de que Jango e família seriam recebidos de braços abertos. Às três e meia da tarde do dia 4 de abril, partimos de uma segunda estância de Jango e logo desembarcamos em Montevidéu, onde Goulart foi muito bem recebido.


Assis Brasil viajou de volta ao Brasil para se apresentar ao Exército. Foi preso. Perdeu os vencimentos. Passou muitas dificuldades. Ganhava a sobrevivência como professor. Até que foi anistiado.


Leonel Brizola não se conformou com a derrota. Pronunciou discursos acalorados em Porto Alegre, dirigindo-se aos “sargentos do III Exército. Dessas Unidades que me ouvem neste momento. Atenção, sargentos das Unidades chefiadas por esses militares golpistas. Atenção, oficiais nacionalistas dessas Unidades. O povo, do qual sois uma parte inseparável, vos pede neste instante. Pedem a todos vós, pede aos sargentos que se levantem, tomem os quartéis e prendam os gorilas”.


Sem demora, o lider esquerdista também seguiu o caminho do exílio. A Nação havia escapado de um golpe comunista que esteve barulhentamente articulado, deixando a Nação em suspenso diante da possibilidade de se materializar.


O movimento esquerdista não contou com o apoio do general Machado Lopes, aquele que levantou o III Exército para garantir, em 1961, a posse de Goulart na Presidência da Republica. Em livro que publicou em 1981, o general escreveu: “A Nação, estarrecida, assistia aos desmandos do próprio chefe do Governo. E o Sr. Leonel Brizola vibrava no meio da desordem, que parecia levar o país para o caos. O Clero, o povo e principalmente as Forças Armadas puseram em 1964 um paradeiro na situação caótica em que se encontrava o país”.


No dia 1º de abril de 1964, o Diário de Notícias, do Rio, assim definia o governo: “Por mais que o sr. João Goulart negaceie, tergiverse e dissimule, ninguém poderá negar – porque está à vista de todos, porque é público e ostensivo – que os elementos chamados de “formação marxista”, não somente conseguiram infiltrar-se facilmente em todos os postos, mas também são os preferidos pelo governo para esses postos, sobretudo os de comando e direção. Atualmente, no presente governo, que ainda se diz democrata, a ideologia marxista e mesmo a militância comunista indisfarçada constituem recomendação especial os olhos do governo”.

Concluiu o Diário de Noticias: Era como se já estivéssemos em pleno regime “marxista-leninista”, com que sonham os que desejam incluir sua pátria no grande império soviético, às ordens do Kremlin”.

O Brasil foi salvo à beira do precipício do retrocesso econômico e do empobrecimento crescente, à moda de Cuba, e a alteração de seu destino colocou a sua economia entre as maiores do mundo, mas não escapou da falsificação da história, simbolizada em dois atos oficiais:

João Goulart recebeu o prêmio de anistiado político, enquanto a viúva Maria Tereza, milionária, foi contemplada por indenização de R$643 mil e pensão vitalícia de R$4,5 mil.

A contra-revolução de 64 representa uma página oculta em nosso passado.

Palestra proferida pelo jornalista Gilberto Paim, em 18 de agosto de 2009, no Conselho Técnico da CNC

Fonte: Terrorismo Nunca Mais - TERNUMA

Palestra proferida em 18 de agosto de 2009, no Conselho Técnico da CNC


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