Alexandre Nardoni deixa de responder perguntas e dá respostas ríspidas à Promotoria
Em mais de uma hora e meia de interrogatório, o pai de Isabella, Alexandre Nardoni, deixou de responder várias perguntas feitas pelo promotor Francisco Cembranelli. Em muitas ocasiões, ele disse que não sabia a resposta ou que não se recordava do acontecido. Mesmo tendo, logo após o crime, dois anos atrás, assinado depoimentos na delegacia, em que precisava o horário e a sequência dos fatos no dia da morte da menina.
Alexandre respondeu com muita rispidez a várias perguntas feitas pelo promotor durante o julgamento, que teve um clima tenso entre Cembranelli e o advogado de defesa, Roberto Podval.
O pai de Isabella não soube precisar o horário em que deixou Guarulhos, onde mora os pais de Anna Carolina Jatobá, e chegou ao apartamento da família na Vila Mazzei, Zona Norte de São Paulo. Respondeu apenas que a precisão dos horários estava registrada no GPS do carro da família e que o aparelho havia sido instalado naquele mesmo dia.
Nardoni também não soube precisar quanto tempo ficou na garagem enquanto esperava que um carro, que se aproximou com som alto, se afastasse para que ele tirasse os três filhos do carro sem que acordassem. E se atrapalhou para contar quem foi a primeira pessoa que encontrou no pátio do prédio, ao descer para ver a filha que havia caído do 6º andar do edifício. Em seguida, lembrou que a primeira pessoa foi o porteiro do Edifício London e, em seguida, o síndico, morador do primeiro andar.
Na primeira parte do depoimento, ao responder as perguntas feitas pelo juiz Maurício Fossen, Nardoni acusou o delegado Calixto Calil Filho de ter sugerido que ele assumisse a morte da menina para livrar a mulher, Anna Carolina Jatobá.
Perguntado pelo promotor se ele havia se sentido pressionado pela polícia para relatar fatos, Alexandre disse que sim, mas não conseguiu explicar qual o motivo de não ter denunciado o fato;
- Eu não acredito que polícia investigue polícia, por isso não relatei o fato à Corregedoria - disse Alexandre.
Segundo ele, parte do depoimento dado à polícia foi dado sem a presença de seu advogado. Alexandre afirmou que foi à delegacia depor às 5h de domingo (a morte de Isabella ocorreu perto da meia noite) e que só passou a ser acompanhado por advogado a partir de 17h30m daquele dia, um domingo, depois que o pai dele, o advogado Antonio Nardoni, passou a ficar preocupado com a "situação em que a polícia o colocava". Ele admitiu que não houve interesse da família em denunciar o fato à imprensa.
O promotor fez ao pai de Isabela várias perguntas sobre o relacionamento entre ele e Anna Carolina Jatobá. Uma delas foi sobre brigas constantes do casal e se ele havia chegado a ser chamado pelo síndico do Edifício Vila Real, onde morava antes da mudança para o Edifício London, e recebido pedido para que amenizassem as brigas, pois elas incomodavam os vizinhos.
Cembranelli lembrou o depoimento de uma vizinha de parede do casal, que teria testemunhado frequentes brigas, e uma violenta discussão que terminou com Anna Carolina Jatobá esmurrando o vidro da lavanderia.
Alexandre afirmou que havia sido uma briga normal, provocada por uma discussão em torno de uma lista de supermercado.
- O senhor deve perguntar a ela (a vizinha). Nossas discussões eram normais e nunca frequentes. Não me lembro de os meus pais ou os pais da minha esposa terem sido chamados para apartar qualquer briga, como o senhor diz - afirmou Alexandre.
O pai de Isabella foi também questionado sobre o fato de pagar R$ 325 de pensão à Isabella, embora tivesse em casa móveis e aparelhos eletrônicos caros, além de correntes e relógios, e dois carros. O promotor quis saber também porque ele havia deixado de pagar o convênio médico da menina.
Alexandre admitiu que tanto sua família com Anna Carolina Jatobá quanto Isabella eram sustentadas pelo pai dele e afirmou que o valor da pensão paga à filha foi reduzido por conta de um acordo entre as partes. Lembrou ainda que o valor, pelo acordo, passaria a ser ainda mais baixo, de R$ 250. Quanto ao convênio, ele disse que deixou de pagar porque a mãe de Isabella mudou de emprego e passou a ter assistência médica.
Alexandre disse ainda que, quando se mudou para o edificio London e começou a montar o quarto de Isabella, passou a deixar os presentes que dava à menina na casa dele.

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