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quinta-feira, 4 de março de 2010

Apenas a presença da polícia não basta. Tem que haver presença e atuação

UPP faz água onde bandidos botam fogo

Mais um ataque brutal de bandidos a ônibus com passageiros, no Rio. Uma grávida fez sinal para um micro-ônibus, que parou, no final da noite de ontem. Quatro bandidos jogaram coquetel molotov dentro do coletivo, sem esperar que os passageiros deixassem o veículo. Doze foram atingidos, cinco em estado grave. Dessa vez o caso ocorreu na Cidade de Deus, uma das favelas beneficiadas pela Unidade de Polícia Pacificadora. Apesar de todos os avanços da política de pacificação na região da Cidade de Deus - onde houve drástica redução de homicídios - a UPP dá sinais de que faz água naquela favela. E antes de retomar o projeto em outras comunidades pobres, a Secretaria de Segurança deveria fazer um breve diagnóstico da situação e fazer todos os ajustes necessários para que o programa realmente tenha êxito e não vire apenas um projeto de fachada ou de cunho eleitoral.

Embora a ocupação policial na Cidade de Deus tenha sido uma das primeiras da política de pacificação, ela nasceu da iniciativa de um ex-comandante do 18o BPM, tenente-coronel Luigi Gato, e não da cúpula da Secretaria de Segurança, que demorou um pouco a apostar nessa UPP.

Soube com fontes da área de inteligência que há 0,1% de chances de a ação ter sido feita por pessoas ligadas à milícia, com o objetivo de jogar a culpa no tráfico da Cidade de Deus. A polícia está empenhada na investigação dos responsáveis e alega que os principais suspeitos seriam ligados ao traficante Leonardo de Oliveirra da Silva, de 19 anos, preso por policiais da UPP com 75 papelotes de cocaína. O bandido estava desarmado, o que é um bom indício de êxito da UPP no controle do território, pela polícia.

O que a PM ainda não conseguiu na Cidade de Deus foi desmobilizar o foco de resistência à ocupação policial, patrocinado também por setores da comunidade, com laços de parentesco com os traficantes presos. A área conhecida como Caratê é justamente onde o tráfico mais resiste à intervenção da PM, contando com apoio de moradores que são simpatizantes do crime também em função de sua dependência econômica. A ocupação da Cidade de Deus é uma das que não teve qualquer avanço na oferta de ações sociais do poder público, por exemplo. A economia local ainda é bastante dependente do tráfico. Um aspecto que põe em xeque a pacificação da Cidade de Deus é a extensa área da favela e um histórico de cumplicidade entre moradores e criminosos.

Outra mostra da reação de moradores da Cidade de Deus à UPP foi o assassinato de um adolescente, a pauladas, semana passada. Os moradores trataram de responsabilizar os policiais da UPP. Até agora a investigação desse crime não deu em nada.

O governador Sérgio Cabral disse que o ataque foi uma represália à ação da UPP. Até aí morreu o Neves. Ele aproveitou a oportunidade para voltar a anunciar que haverá nova ocupação da polícia nos próximos dias. Fez bem em não dizer o local. Nem que eu soubesse qual a próxima operação da UPP publicaria neste blog porque acredito que o efeito surpresa ainda é uma arma importante para a polícia no combate ao crime.

Fonte: Blog Repórter do crime

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