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segunda-feira, 8 de março de 2010

Arruda é notificado da abertura de ação de impeachment .

Deputado diz temer pela vida de Arruda na prisão

O governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), foi notificado no final da tarde de hoje da abertura do processo de impeachment contra ele na Câmara Legislativa. Assim como na sexta-feira, Arruda se recusou a assinar o documento, mas o aviso foi oficializado pelo deputado Batista das Cooperativas (PRP) e mais duas testemunhas levadas por ele à Superintendência da Polícia Federal (PF), onde Arruda está preso desde o dia 11 de fevereiro.

Ao sair da sede da corporação, Batista das Cooperativas - primeiro-secretário da Câmara - contou que informou a Arruda do prazo de 20 dias para que ele se defenda do processo, aberto em cima das investigações do inquérito conduzido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre o esquema do "Mensalão do DEM" em Brasília. Depois deste prazo, um novo relatório com base na defesa de Arruda deve ser feito pela Comissão Especial que analisa o caso na Câmara.

Arruda tem até a segunda votação em plenário para renunciar ao mandato e preservar os seus direitos políticos em caso de aprovação do impeachment, decisão a que ele resiste até o momento.

O deputado distrital Batista das Cooperativas (PRP) disse hoje que "teme pela vida" do governador licenciado José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM). Segundo relato de Batista, aliado de Arruda, de quem chegou a ser líder de governo, o governador, preso há 23 dias pela Polícia Federal (PF), está com os pés inchados, com suspeita de trombose. Arruda sofre de diabetes, informou o deputado.

Primeiro-secretário da Câmara Legislativa, Batista notificou Arruda no final da tarde de hoje sobre o processo de impeachment contra ele. A intimação foi feita à revelia do governador afastado, que se recusou a assinar o documento. Os dois passaram pouco mais de uma hora reunidos na sala que Arruda ocupa na superintendência da PF, em Brasília.

Na manhã de hoje, pela primeira vez desde que foi preso por tentativa de suborno de uma testemunha do "mensalão do DEM", Arruda saiu do prédio da polícia para ir a um hospital, se queixando de dores no tornozelo direito, que operou em novembro após romper o ligamento.

Arruda seguiu para o hospital em carro descaracterizado e escoltado por policiais. Em nota, o Hospital JK, onde o governador foi atendido, confirmou apenas que Arruda passou por exames requisitados pelo médico assistente dele. "Embora se trate de uma pessoa pública, por questões éticas o Hospital tem a obrigação de resguardar as informações relativas ao paciente", afirma o texto, de apenas cinco linhas.

Batista das Cooperativas disse achar "um absurdo" que um governador de Estado precise ir ao hospital escoltado por "dezenas de policiais", como se fosse "um bandido de alta periculosidade". Segundo o parlamentar, o governador não tentaria fugir. "Na idade que tem o governador, se ele correr, um policial jovem é capaz de alcançá-lo", disse.

Clínica

Conforme o jornal O Estado de S. Paulo antecipou na semana passada, a defesa inclui entre as principais estratégias o pedido de transferência de Arruda para uma "prisão médica". Os advogados querem que um médico particular do governador licenciado emita um laudo comprovando que ele não tem condições de permanecer na PF. A saída seria transferi-lo para uma clínica em caráter de preso. No entanto, a polícia resiste em autorizar a entrada do médico dentro da cela.

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