Arruda não deve ir para a Papuda
Mesmo com a perda do foro privilegiado, o ex-governador José Roberto Arruda dificilmente deverá ir para a ala da Polícia Federal na Papuda, onde estão Weligton Moraes, Rodrigo Arantes, Haroaldo Brasil, Antônio Bento e Geraldo Naves, outros cinco suspeitos de atrapalhar as investigações da Operação Caixa de Pandora. Autoridades do governo federal avaliam que uma transferência poderia causar problemas, inclusive a possibilidade de haver rebeliões em outras alas.
Segundo avaliação da área de inteligência federal, por ter sido governador, a remoção de Arruda para a Papuda poderia tornar a situação interna tensa. “O local onde ficam os presos federais é separado dos demais, mas fica dentro do sistema. Isso pode se tornar perigoso”, afirma uma fonte do Ministério da Justiça. “Mas tudo depende da decisão das autoridades do Judiciário”, acrescenta. Com isso, o ex-governador seria transferido da sala do Comando de Operações Táticas (COT), na Superintendência da PF, para um setor onde ficam os detentos provisórios. Isso seria um problema para a PF, já que não há fornecimento de alimentação, o que teria que continuar sendo feito por seus familiares. [ o Arruda não tem mais nenhuma prerrogativa inerente ao cargo que exercia; se razões de segurança desaconselham sua transferência para a ala federal da Papuda, que seja transferido para a carceragem da polícia federal na Superintendência Regional da PF, onde ficam os presos provisórios.
Vale ressaltar que deve ser bem analisada a argumentação de que a presença do Arruda na Ala Federal da Papuda pode causar uma rebelião; isso parece mais argumento de pessoas que acham que bandido que foi ex-autoridade deve ter mordomia na cadeia. Sugiro também que o tratamento do Arruda seja efetuada na rede pública de saúde do DF - que ele e o Augusto Carvalho conseguiram tornar pior do que nos tempos do Roriz.]
Quadro clínico
O quadro depressivo apresentado por Arruda sofreu poucas alterações no último mês. Foi o que mostrou a avaliação psicológica feita por uma médica psiquiatra da Polícia Federal. A mesma especialista já havia avaliado o ex-governador no último dia 1º. O laudo da nova análise, feita na última segunda-feira, foi entregue pela PF ao médico pessoal de Arruda, o cardiologista Brasil Caiado. A psiquiatra manteve a mesma dosagem e medicação para controlar o quadro de depressão do ex-governador.
Segundo Caiado, Arruda estaria mais apático, quieto e desinteressado. “A única alteração mais significativa, com relação à primeira avaliação, são as grandes oscilações de humor apresentadas”, destacou. De acordo com o médico, o acompanhamento de Arruda, a partir de agora, será apenas para avaliar os efeitos das medicações. “Seguimos o tratamento clínico com a supervisão cardiológica e psiquiátrica”, disse Caiado. O resultado da avaliação médica do governador cassado, feita por dois profissionais do STJ na última terça-feira, ainda não foi divulgado.

0 comentários:
Postar um comentário