Apesar de manifestantes contra e a favor do governador afastado José Roberto Arruda (sem partido) terem dividido o mesmo ambiente, domingo foi mais um dia calmo diante da Superintendência da Polícia Federal, no Setor Policial Sul, onde Arruda está preso desde 11 de fevereiro. Não houve conflito entre os integrantes do Movimento Fora Arruda, em sua maioria estudantes, que fizeram um breve protesto, e dois simpatizantes do governador que marcam presença habitualmente na porta da superintendência. Um deles, o aposentado José Lopes, 71 anos, acampa no gramado em frente ao complexo da PF há vários dias.
Além dos manifestantes, estiveram na PF apenas a primeira-dama Flávia Arruda, que, como de costume, levou almoço para o marido pouco depois das 12h40, e o advogado assistente da defesa Thiago Bouza, que chegou às 17h18 e passou cerca de 40 minutos com o governador afastado.
Thiago Bouza, por sua vez, preferiu não comentar o pedido de relaxamento de prisão para José Roberto Arruda que a defesa pretende apresentar no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ele disse que apenas o advogado Nélio Machado, que chefia a equipe de defesa do governador afastado, poderia tratar do assunto. A reportagem tentou falar com Machado pelo celular ao longo de todo o dia, sem sucesso. De acordo com Bouza, o advogado está no Rio de Janeiro.
Gritos de guerra
Os estudantes do movimento Fora Arruda tomaram a entrada da PF por volta das 16h, usando apitos e bradando os gritos de guerra “Tá passando mal, vai para a fila do hospital” e “Arruda, quer remédio? Na Papuda tem serviço médico”.
O estudante de letras da Universidade de Brasília (UnB) Diogo Ramalho, 26 anos, afirmou que a ação é um protesto contra o argumento do estado de saúde precário do governador e a soltura de Arruda. “Ele tem que permanecer preso para que todos fiquem mais seguros. Desde que está na prisão, mais testemunhas têm falado e nós podemos protestar sem repressão”, afirmou o jovem.
O grupo, formado por 15 pessoas, protestou por cerca de meia hora e foi embora. Eles não se aproximaram de dois simpatizantes do governador afastado e preso, que, a alguns metros de onde os estudantes estavam, ficaram sentados em silêncio perto de faixas e cartazes. Ao lado do aposentado José Lopes, que disse estar dormindo diante da PF há duas semanas, o motorista Geraldo Arão Silva, 51 anos, dizia também apoiar Arruda. Ele elogiou a administração do governador afastado e fez questão de ressaltar que não é funcionário do governo local. “Sou motorista particular”, disse.
No sábado, Arruda passou quase três horas com o advogado Nélio Machado e com três assistentes da defesa. Machado disse que o julgamento do governador afastado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) por infidelidade partidária, previsto para acontecer amanhã, não é uma preocupação.
E reforçou que Arruda não pretende renunciar.

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