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quinta-feira, 18 de março de 2010

É Dilmona; tem muita sujeira para você e o teu 'criador' esconderem

Os esqueletos do PT

A bancarrota de cooperativa habitacional tira o tesoureiro do partido da campanha de Dilma Rousseff

Dilma Rousseff assumiu a candidatura do PT ao Palácio do Planalto há duas semanas. Mesmo nesse curto período, ela e o partido foram obrigados a defender José Dirceu, seu antecessor na Casa Civil, Fernando Pimentel, ex-prefeito de Belo Horizonte, e o sindicalista João Vaccari Neto das acusações de tráfico de influência, desvio irregular de recursos e gestão fraudulenta, respectivamente. Os três integram a cúpula do partido ou o comando da campanha de Dilma.


O caso mais recente é o de Vaccari, escolhido tesoureiro do PT com a bênção de Lula. Até o começo da semana passada, ele era cotado para comandar também as finanças da campanha de Dilma. Hoje, está fora dos planos para a arrecadação de recursos.

Tudo por conta da Bancoop, a Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo, que Vaccari comandou e deu calote em 3 mil associados que entraram na cooperativa na expectativa de adquirir imóveis. Entre eles, está o presidente Lula, que aguarda a conclusão de um apartamento no Guarujá, no litoral paulista, obra assumida pela empreiteira OAS.

Na terça-feira passada, a Assembleia Legislativa de São Paulo abriu uma CPI para investigar a bancarrota da Bancoop, que lançou 53 empreendimentos. Dezenove não saíram do papel e dez estão apenas com os esqueletos dos edifícios em pé. O promotor José Carlos Blat, do Ministério Público de São Paulo, aponta como causa dos calotes um desvio de R$ 100 milhões. Os recursos teriam ido para o PT e seus dirigentes. Vaccari nega e alega problemas de gestão.

Dilma e o PT saíram em defesa de Vaccari e acusaram o Ministério Público e o PSDB paulista, responsável pela CPI, de “requentarem” com objetivos eleitorais uma denúncia velha e sem provas – a investigação do caso começou em 2007. A Justiça de São Paulo, de fato, negou o pedido de bloqueio de bens da Bancoop e determinou que Blat demonstre a necessidade de quebrar os sigilos bancário e fiscal de Vaccari.

O estrago político, no entanto, já está consumado. O bombardeio recente, com base em suspeitas que datam do período anterior à indicação de Dilma ao posto de pré-candidata, suscitou no núcleo mais próximo da chefe da Casa Civil dúvidas e temores: quantos esqueletos do PT podem ser retirados do armário para assustar o eleitor até o final da campanha? A julgar pela vida pregressa do PT e pelos problemas da oposição, que acompanha a alta de Dilma nas pesquisas, as projeções são sombrias para ela.

Um potencial problema da candidata é o caso do mensalão (transferência de recursos a parlamentares em 2005), que está no Supremo Tribunal Federal. Desde novembro, repousa na mesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva um questionário da Procuradoria-Geral da República sobre o escândalo. A abrangência do caso é tamanha que o nome de Pimentel, ileso em 2005, foi parar no processo sob suspeita de caixa dois, acusação que ele nega. Dirceu, réu no processo, foi envolvido na denúncia de ter recebido, a título de “consultoria”, R$ 620 mil, entre 2007 e 2009, do empresário Nelson dos Santos, que tinha interesse em negócios com o governo.

Com tantas suspeitas, surgiu entre os petistas a ideia de buscar alguém fora do partido para comandar a arrecadação da campanha. Diante do bom relacionamento desenvolvido pelo governo Lula com as grandes empresas nacionais, a maior credencial do escolhido para a missão será a capacidade de manter distância dos escândalos insepultos do PT.

Por: Alberto Bombig - Revista Época

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