Três dias depois da inoportuna aprovação do plano israelense de construir 1.600 casas em Jerusalém Oriental, a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, telefonou, nesta sexta-feira, para o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, expressando sua insatisfação com o projeto, que fez fracassar a retomada da negociação com palestinos. Durante a conversa, que teria durado mais de 40 minutos, Hillary afirmou que o anúncio das construções foi um "sinal profundamente negativo sobre a abordagem de Israel às relações bilaterais" e "abalou a confiança no processo de paz", aumentando a tensão na região.
- A secretária de Estado disse que não conseguiu entender como isso aconteceu, particularmente à luz do forte compromisso dos Estados Unidos com a segurança de Israel - disse P.J. Crowley, porta-voz do Departamento de Estado. - Ela deixou claro que o governo de Israel precisa demonstrar não apenas por palavras, mas também por ações específicas, que eles estão comprometidos com essa relação e com o processo de paz.
Perguntado se o tom da ligação foi de raiva, o porta-voz disse que "frustração seria melhor". A aprovação do plano israelense levou os palestinos a desistirem de retomar as negociações de paz em meio à viagem do vice-presidente americano, Joe Biden, a Israel. A decisão, que já havia sido alvo de críticas do chanceler brasileiro, Celso Amorim, na quarta-feira, levou o Itamaraty a divulgar nota nesta sexta. O texto afirma que o "Governo brasileiro recebeu com profunda preocupação o anúncio israelense de construção de 1.600 novas unidades habitacionais em Jerusalém Oriental e 112 moradias em assentamento na Cisjordânia". 
Equilibrio de forças: no mínimo dez policiais hebreus, armados, contra um manifestante ARMADO com duas pedras
Após repetidos confrontos diante de impasses sobre as negociações de paz, Israel bloqueou os acessos à Cisjordânia por 48 horas para evitar que palestinos entrem em Israel. Nas últimas semanas, as orações de sexta-feira em mesquitas de Jerusalém e em outros lugares vem sendo seguidas por confrontos, motivados pela inclusão por parte de Israel de dois santuários na Cisjordânia em sua lista de locais de seu patrimônio nacional.
Vários palestinos ficaram gravemente feridos e dezenas de manifestantes e policiais israelenses sofreram ferimentos leves. A polícia destacou que somente homens de mais de 50 anos terão permissão para orar nesta sexta-feira no santuário no centro dos distúrbios: o complexo em Jerusalém que os judeus chamam de Monte do Templo e os muçulmanos chamam de Nobre Santuário. Não há restrições para mulheres.
O bloqueio começou à meia-noite de quinta-feira e terminará à meia-noite de sábado. Segundo o governo israelense, médicos, doentes, professores, equipes de ajuda humanitária e jornalistas continuarão aptos a entrar e sair da Cisjordânia neste período.
A medida foi tomada na mesma semana em que o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, condenou Israel durante uma visita à região por anunciar a construção de 1.600 casas em Jerusalém Oriental , enquanto o Washington pressiona seu aliado chave no Oriente Médio para retomar as negociações de paz com os palestinos.
Muçulmanos na Faixa de Gaza protestaram contra as políticas de Israel em Jersualém. "Resgataremos a mesquita de al-Aqsa com nossas almas e nosso sangue", cantava uma multidão, impedida de passar.
Clique aqui, para ver imagens dos protestos dos palestinos contra expansão de assentamentos judeus em território palestino.
Fonte: Reuters

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