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segunda-feira, 15 de março de 2010

Roriz está voltando

Quem ameaça voltar
Que partidos! Que eleitores!

De fato, depende de decisões da Justiça o futuro da sucessão do governador José Roberto Arruda, do Distrito Federal, preso há pouco mais de 30 dias em uma cela da Polícia Federal sob a acusação de chefiar “a sofisticada organização criminosa” responsável pelo desvio de dinheiro público e suborno de deputados.

Nove em 10 políticos do Distrito Federal apostam que Arruda será cassado se não renunciar antes ao mandato. Divergem quanto à identidade do seu algoz a Justiça ou a Câmara Legislativa.

Amanhã, o Tribunal de Justiça julgará ação impetrada pelo Ministério Público que pede a cassação do mandato de Arruda por infidelidade partidária. Para não ser expulso, Arruda desligou-se do DEM alegando “motivos pessoais”. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu que o mandato pertence ao partido e não a quem o exerce.

Se quiser abandonar o partido pelo qual foi eleito e mesmo assim preservar o mandato, cabe ao político provar que o partido mudou de rumo. Ou que ele foi vítima de perseguição. O DEM esqueceu de pedir de volta o mandato de Arruda, dono de segredos capazes de embaraçar muita gente. No caso, a lei confere poder ao Ministério Público para cobrar o mandato do infiel. Assim foi feito.

A defesa de Arruda tentará convencer os juízes que seu cliente foi perseguido pelo DEM. Arruda aposta na isenção de alguns juízes que lhe devem favores. Se a defesa vencer, dificilmente Arruda sobreviverá ao processo de impeachment a que responde na Câmara Legislativa.

A maioria dos 24 deputados chegou a um consenso: ou cassa o mandato de Arruda ou o governo decreta intervenção federal em Brasília. Quem disse que a intervenção interessa aos deputados? Ou a empresários que financiaram o mensalão do DEM?

O ex-governador Joaquim Roriz desfila feliz pela cidade e protagoniza comerciais do seu partido, o PSC, se declarando chocado com a roubalheira promovida por Arruda, seu ex-pupilo. É candidato a governar o Distrito Federal pela quinta vez. Na última sexta-feira, convidou o deputado federal Jofran Frejat (PR) para ser seu vice. Mas o destino de Roriz a Durval Barbosa pertence.

Durval foi o autor dos vídeos responsáveis pela hecatombe política que arrasou Brasília. Ajudou Arruda a montar seu Caixa 2 de campanha a partir da empresa estatal que ele, Durval, dirigiu no último governo Roriz. O Ministério Público pressiona Durval para que conte tudo o que sabe sobre seu ex-chefe. Durval sabe muito. Se não contar, adeus à delação premiada. Se contar, tchau e benção, Roriz.

[uma dúvida: houve um acordo de delação premiada entre Durval e o MP e ao que consta Durval cumpriu rigorosamente a sua parte; agora cabe ao MP cumprir a sua.

O instituto da 'delação premiada' já é algo nojento pois sempre vai permitir que um bandido escape ao entregar outros - vale aí a famosa relação custo x benefício.

Mas, existe e é um acordo entre o Poder Público e um bandido e deve ser honrado.

Se o Durval já entregou tudo que sabia não tem sentido que agora o MP - a exemplo dos chantagistas - passe a exigir mais dele, Durval, ameaçando não conceder a delação premiada - melhor dizendo, honrar o acordo firmado com Durval.

Assim procedendo o MP estará igual ao sequestrador que após receber o resgate, resolve apresentar novas exigências.

A 'delação premiada' mesmo sendo nojenta é para ser cumprida pelas duas partes e Durval já cumpriu, com sobras, a dele.]

Em breve, o TSE decidirá se Roriz beneficiou-se da Companhia de Água de Brasília para se eleger senador em 2006. Se decidir que sim, o dano a Roriz será de natureza apenas moral, mas relevante. Roriz renunciou há dois anos ao mandato de Senador para não ser cassado. Metera a mão em dinheiro do Banco Regional de Brasília. Substituiu-o Gim Argelo (PTB).

Esse, sim, é quem acabaria cassado. O mandato iria para o segundo candidato ao Senado mais votado em 2006 – Agnelo Queiroz, ex-ministro dos Esportes de Lula.

Agnelo disputa com o deputado Geraldo Magela a indicação do PT à vaga de Arruda. Lula prefere Agnelo. Ocorre que no meio do caminho de Agnelo tem um vídeo. E a suspeita de enriquecimento ilícito.

A convite de Durval, no ano passado, Agnelo assistiu a exibição dos vídeos que depois se tornariam públicos. Calou-se. Durval filmou Agnelo durante a sessão. E embora somente ele e Agnelo saibam sobre o que conversaram, não há, no momento, no Distrito Federal, vídeo desconhecido mais discutido do que esse. Agnelo suplica por sua divulgação para provar que é inocente.

Magela vai para cima dele e diz que o PT não pode correr o risco de escolher um candidato passível de ser detonado por um vídeo ou pelo Ministério Público durante a campanha.

Só falta a assepsia política de Brasília culminar com a volta de Roriz.

Fonte: Blog do Noblat

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