Revelação de novos planos de construção em Jerusalém durante encontro de Netanyahu com Obama abre crise em Israel
- O porta-voz do premier israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que a reunião dele com o presidente americano, Barack Obama, na terça-feira, em Washington, ocorreu em uma "boa atmosfera", mas a revelação, no momento do encontro, de novos planos de Israel para construir ao menos mais 20 casas em Jerusalém detonou uma crise interna no país. O governo dos Estados Unidos, que havia reagido duramente contra um projeto de Israel anunciado anteriormente, ainda não se pronunciou publicamente sobre as novas informações. Mas, em Israel, fontes do Likud, partido de Netanyahu, acusam o centrista Kadima, da oposição, de ter vazado a notícia para prejudicar o encontro do premier com Obama.Jornais israelenses afirmam que Netanyahu foi novamente surpreendido pela revelação do plano de construir casas em Jerusalém. Desta vez, o local das construções é o distrito de Sheikh Jarrah. Segundo autoridades da cidade, desde que a construção de 1.600 casas no bairro de Ramat Shlomo foi anunciada durante a visita do vice-presidente americano, Joe Biden, a Israel, as discussões sobre novos projetos foram paralisadas. Sendo assim, o plano divulgado na noite de terça-feira não seria novo.
A prefeitura de Jerusalém afirmou em comunicado que "o plano já estava aprovado em julho do ano passado". O conselheiro da cidade, Elisha Peleg, chegou a sugerir que o Shin Bet, a agência de segurança de Israel, poderá lançar uma investigação para descobrir os responsáveis pela revelação das construções.
- Eu vou pedir ao Shin Bet que descubra quem são esses que acreditam que os interesses palestinos são mais importantes que os interesses israelenses - disse Peleg à Rádio do Exército, acusando os envolvidos de "traição". - Nós vamos continuar construindo em Jerusalém.O negociador palestino, Saeb Erekat, disse que o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, vai continuar exigindo que Israel desista das construções antes que as negociações de paz sejam retomadas. O ministro da ANP para Assuntos de Jerusalém, Hatem Abed el-Qadem, afirmou na terça-feira que, ao permitir o anúncio de novas construções em meio à visita a Washington, Netanyahu "deu um estalado tapa na cara do presidente americano".
- Quando nós dizemos paz ou assentamentos, parece que ele (Netanyahu) fica com os assentamentos - disse Erekat.
Obama e Hillary tentariam testar intenções de NetanyahuEm Washington, a conversa reservada de 90 minutos entre Obama e Netanyahu não parece ter aberto caminho para a retomada das negociações, paradas há 15 meses. Segundo relatos, Netanyahu chegou a pedir um novo encontro com Obama depois que ele havia se retirado para a ala residencial da Casa Branca, o qual durou cerca de 30 minutos. Assessores dos dois líderes manterão as discussões durante esta quarta-feira, segundo o governo israelense.
Fontes dos EUA dizem que Obama e a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, decidiram testar Netanyahu para avaliar se ele vai levar adiante sua promessa de mostrar boa vontade com os palestinos. Hillary e o presidente estariam insatisfeitos com uma carta entregue pelo premier israelense na qual ele detalhe os passos que dará para reconquistar a confiança dos EUA após a crise que levou ao cancelamento da retomada das negociações de paz. À presidente da Câmara, Nancy Pelosi, Netanyahu advertiu na terça-feira que as negociações de paz podem ser adiadas por um ano se os palestinos não desistirem de sua mais básica exigência: o fim da colonização em Jerusalém.
- Há 42 anos construímos e ninguém brigou por isso. Agora os palestinos fazem essa exigência nova e podemos perder mais um ano nas negociações - afirmou o premier.
[dois pontos devem ser observados:- não merece credibilidade um país que diz querer a paz e ao tempo que 'negocia' a paz, procura consolidar a ocupação que mantém no território que ocupou em uma guerra e cujos resultados estão em negociação;
- a pressão norte-americana sobre Israel representa um passo importante no convencimento do estado hebreu que o mundo mudou e os palestinos merecem uma Pátria;
- talvez seja conveniente o senhor Netanyahu 'conversar' com os radicais israelenses para que estes lembrem que Israel tem um primeiro-ministro que não pode ser ignorado em qualquer ato que reflita na política externa do estado de Israel. Da forma que as coisas estão sendo feitas, o senhor Netanyahu parece Lula: nunca sabe de nada.]

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