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quarta-feira, 24 de março de 2010

Traficante Roupinol - morto hoje - usava os serviços de mais de 200 moradores da Rocinha

Tráfico de drogas

Quadrilha de Roupinol usava mais de 200 moradores da Rocinha e do Morro de São Carlos para comprar insumos para mistura de cocaína

A quadrilha do traficante Rogério Rios Mosqueira, o Roupinol, morto nesta quarta-feira em uma operação da Polícia Civil no Morro de São Carlos, utilizava moradores das favelas da Rocinha e do São Carlos para comprar insumos como éter, ácido clorídrico e sulfúrico para serem misturados na pasta base da cocaína. Cada morador ganhava R$ 40 para comprar tais insumos uma vez por mês na empresa B.Herzog, no Centro do Rio.

De acordo com o chefe de polícia, Allan Turnowski, a operação que culminou com a morte do distribuidor de droga faz parte de uma investigação que durou mais de dois anos e começou em 2007 com a apreensão de uma refinaria de cocaína na Rocinha. Mais de 200 pessoas foram indiciadas nesse esquema e por isso foi batizada de Operação 200.

Turnowski explicou ainda que o lucro do traficante com a venda da cocaína depois de misturada à pasta base chegou a R$ 96 milhões nos dois últimos anos. Somente no mês de janeiro deste ano, o tráfico no Morro da Mineira lucrou mais de R$ 3 milhões com a venda da droga. Essa quadrilha, ainda de acordo com a investigação, tem cerca de 120 homens e possui 71 armas entre fuzis, pistolas, escopetas, metralhadoras, submetralhadoras e metralhadoras .30.

Operação no São Carlos e na Mineira

Cerca de 70 policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) fizeram, pela manhã, uma operação nos morros São Carlos e Mineira. Segundo o comandante do batalhão, coronel Paulo Henrique de Moraes, as equipes checaram informações que já possuíam sobre traficantes e esconderijos de drogas. Durante a ação, um tenente do Bope foi ferido na perna, sem gravidade, por estilhaços de bala. Uma pistola e papelotes de cocaína foram aprendidos. Um criminoso teria sido ferido.

O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, já havia informado que o São Carlos receberá uma das nove unidades de polícia pacificadora (UPPs) a serem inauguradas em 2010.

Ainda não se sabe, no entanto, se a operação do Bope é um passo em direção à implantação da UPP na favela. Encravado no Estácio, o Complexo do São Carlos tem cinco comunidades e fica próximo ao Complexo da Providência, na Zona Portuária, já ocupado pela Polícia Militar para a chegada também de uma UPP.

Ana Claudia Costa

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