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segunda-feira, 15 de março de 2010

Vagner Love considera coisas menores a lei e a ordem

'O mau exemplo de Vágner Love'

No exato instante em que o aparelho policial do estado do Rio de Janeiro vem enfrentando, corajosamente e com tamanha obstinação jamais vista nos últimos tempos, o poder paralelo, concomitantemente com a ocupação, com as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), de localidades até então dominadas pelo terror do tráfico, o Brasil, através das câmeras de televisão, viu o que talvez não imaginava ver em termos de mau comportamento de um atleta profissional fora dos gramados.

A matéria apresentada no programa "Fantástico", da TV Globo, deste domingo 14/03/10, onde o jornalista Eduardo Chao mostra o atleta de futebol do Clube de Regatas do Flamengo Vágner Love participando de uma festividade na Favela da Rocinha, no Rio, no sábado 27/02/10, certamente deixou perplexa boa parte dos telespectadores. Confesso que custei a acreditar no que vi e ouvi. Fui tomado de um sentimento real de estupefação.

Um atleta profissional, uma pessoa pública, que deveria dar o exemplo aos mais jovens, inclusive crianças que o têm como ídolo, aparece rodeado de traficantes de drogas que portavam, acintosa e descaradamente, armas de alta letalidade, armamento próprio de guerras convencionais, de uso de forças legais. Entre elas, em destaque uma arma anticarro, uma bazuca AT4, de fabricação sueca, usada pelo Exército Americano nas guerras do Iraque e do Afeganistão, conforme explicação de um policial entrevistado na matéria.

Ou seja, uma arma capaz, em razão de seu alto poder de destruição, de penetrar em carcaças de motores de veículos, inclusive os chamados "caveirões" usados pela polícia do Rio. Imaginem a potência do projetil ao penetrar no sensível corpo humano, destruindo rapidamente ossos e tecidos, dilacerando tudo?

Mas a perplexidade maior com o conteúdo da impressionante matéria televisiva foi a insensibilidade e desrespeito à lei e à ordem demonstrados pelo citado atleta ao afirmar, ao ser entrevistado, que sendo oriundo de comunidade pobre "estava acostumado a frequentar, por gosto pessoal, tais festividades, até porque desenvolve trabalhos sociais em alguns desses lugares". Ou seja, considera absolutamente normal - disse que "não via nenhuma problema" - o convívio com perigosos marginais da lei em tais locais.

Será, nessa altura do campeonato, que o referido atleta ainda desconhece a lei penal e a lei anti-drogas em vigor no páis? Será que não tem ciência que traficantes são responsáveis pelo maior parte dos homicídos que ocorrem no Rio, onde matam friamente, sem dó e piedade, policiais e cidadãos ordeiros a todo momento?

O mais interessante é que justamente naquela favela da Zona do Sul do Rio, na semana passada, sete traficantes, em confronto com policiais civis que ali incursionaram para dar cumprimento a mandados de prisão, ao resistirem agressivamente à ordem legal, acabaram mortos. Todos eram do bando do chefe do tráfico local, que conseguiu escapar ao cerco policial. Alguns dos mortos são os que aparecem nas imagens do "Fantástico" próximos ao jogador Vágner Love. E se no momento da incursão policial ali estivesse presente o citado atleta? Será que o atleta não imagina o seu próprio risco de vida ao assumir tal comportamento? Que tipo de relacionamento tem Vágner Love com os referidos narcoterroristas? Não resta dúvida que tal relação é no mínimo perigosa.

Estamos sim diante de um péssimo exemplo dado por um famoso e destacado jogador de futebol, que já envergou inclusive a sagrada camisa da seleção brasileira. Esqueceu-se de que, como pessoa pública, um atleta por excelência, tem obrigação de zelar, mesmo fora dos campos, pelo comportamento social reto. Ou se está a favor da lei ou à margem dela. Os dois posicionamentos causam no mínimo estranheza.

Por ser Vágner Love - ou seja lá quem for -, ele não tem o direito de desprezar a lei e as normas da boa conduta social. Trabalho social não pode jamais ser efetuado com a "permissão" do tráfico. A lei penal, muito embora traficantes e seus "amigos" insistam em desconhecer, tanto vale para o asfalto quanto para a favela. O ordenamento jurídico no país é um só.

Com a palavra os dirigentes da nação rubro-negra e quem sabe o Ministério Publico, face a manifestação, agora tornada pública pelas câmeras de TV, de insensibilidade à lei e à ordem.

Por: Milton Corrêa da Costa

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