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sexta-feira, 5 de março de 2010

A verdade sobre as mentiras do Lula e da Dilma

Definida pelo lulismo a estratégia de dar às eleições deste ano um caráter plebiscitário, ganha ainda mais importância a qualidade das estatísticas usadas no embate político. E não apenas isto, mas também o tipo de análise feita a partir delas, diante do sempre presente risco de manipulações, para um lado ou outro.

Costuma-se dizer, com sarcasmo, que estatística é igual a biquíni: mostra muito, mas esconde o essencial. É o que já se observa no tiroteio de números travado entre petistas e tucanos — estes também já flagrados em maquiagem de dados.

No caso do governo Lula, a fuzilaria de estatísticas tem desfechado vigorosas marteladas sobre dados do PACo, comissão de frente da campanha de Dilma Rousseff, entronizada pelo próprio Lula “mãe” do programa de investimentos. Na terça-feira, a “Folha de S.Paulo” noticiou a camuflagem de atrasos no cronograma de obras do programa, divulgado de tempos em tempos. A reportagem foi rechaçada em Brasília.

Ontem, foi a vez do GLOBO tratar da questão da confiabilidade dos dados do PACo. Desta vez, abordou a “engorda” do volume de investimentos com a inclusão nas estatísticas do valor dos contratos de financiamentos de imóveis novos e, o que é mais grave, usados. Dos R$ 256,9 bilhões aplicados em projetos do PACo, segundo informações oficiais de fevereiro, e considerados empreendimentos concluídos, R$ 137,5 bilhões foram de financiamentos imobiliários, da Caixa Econômica e bancos privados.

Ou seja, pouco mais da metade dos “investimentos” não deveria ser considerada como tal, a partir do entendimento de que o importante para o país é a recuperação e a ampliação da infraestrutura de transporte, energia e projetos de saneamento básico, principalmente. Mesmo que construção civil faça parte da “formação de capital” é forçar a mão inflar, ainda mais nesta proporção, os investimentos do PAC por meio de empreendimentos imobiliários.

Por sua vez, a inclusão, como investimentos, de créditos para a compra de imóveis usados não tem atenuante, é mesmo prova irrefutável de má-fé. Afinal, o dinheiro envolvido nesses financiamentos pode ir para o consumo.

Para 2010, caberia um pacto entre situação e oposição em prol da seriedade no manejo dos números. Como é ingênuo esperar qualquer gesto nesta direção, que a primeira reação do eleitor seja desconfiar dos índices usados por candidatos.

Sejam eles quais forem.

Fonte: Editorial de O Globo

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