Ao longo dos últimos 2 anos, encontrei Jérôme Valcke em diversos eventos. Mas nunca o vi tão irritado com o Brasil como hoje. Perguntei a ele se veríamos em 2014 estádios tão belos quanto o Soccer City de 2010. Foi o suficiente para o secretáro-geral da Fifa descascar a organização brasileira para a Copa do Mundo-2014. “O Brasil não é pontual. O Brasil não está no rumo certo”, disse o dirigente francês. Humilhação foi pouco.
Só faltou Jérôme Valcke dizer que o país está empurrando os prazos para contratar sem licitação, superfaturar, no desespero que é correr contra o tempo. Será que vamos repetir a vergonha do Pan-2007? Até quando isso perdurar?
Cada vez que Jérôme Valcke fala sobre as obras no Brasil, o tom sobe. É um misto de decepção e tensão. Ele é pago pela FIFA para gerir a entidade. Não pode dar prejuízo. O secretário-geral pode ser demitido pelo presidente. Ou até pelo Comitê Executivo.
Vou dizer o que penso a vocês: quando 12 de julho chegar, o tom vai subir ainda mais. A Fifa não vai ter com o Brasil a paciência que teve com a África do Sul. Organizar uma Copa na África era um sonho de Joseph Blatter. Um projeto pessoal que o fez passar por cima de relatórios negativos sobre transporte e hospedagem para 2010.
O Brasil não é um projeto pessoal de Blatter, que será reeleito para mais quatro anos de mandato, em maio de 2011, ao que tudo indica, sem oposição.
É bom o Brasil abrir o olho. Trocar uma sede de Copa do Mundo é algo raro, algo bem difícil. Aconteceu pela última vez com a Colômbia, que havia ganhado a de 1986. Mas aconteceu. Espero que não sejamos os próximos a passar por esse vexame. Porque, hoje, já me senti envergonhado aqui na África do Sul. É a primeira vez em 27 anos de profissão que passo por algo assim.
Fonte: Blog AFRICA 10

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