Traficantes proíbem profissionais de escola da Rocinha de tirar materiais da unidade
Há duas semanas, nenhum professor dá aula na Escola Municipal Abelardo Chacrinha Barbosa, localizada no alto da Rocinha. Por estar em área considerada de alto risco de deslizamentos pela prefeitura após as chuvas do mês passado, a unidade passou a funcionar de forma improvisada num andar do prédio de outro colégio, no Jardim Botânico. No entanto, os profissionais estão impedidos de retirar qualquer material da antiga escola. A ordem teria partido do chefe do tráfico na região, Antônio Bonfim Lopes, o Nem: a polícia investiga se ele teria interesses imobiliários na região.A manutenção da escola no local de risco geológico seria fundamental para o chefe do tráfico para servir como uma espécie de escudo, impedindo que o poder público ocupe a região e faça demolições. Unidades da Polícia Civil investigam o envolvimento de Nem na invasão de áreas e construção de imóveis na localidade do Laboriaux, onde a unidade está localizada. O bandido estaria inclusive investindo na construção de uma casa de três pavimentos, no trecho próximo à mata. Informações sobre as pressões feitas pelo traficante para que o colégio não saia do local foram repassadas pelo Disque-Denúncia aos setores de inteligência das polícias Civil e Militar.
Construída em 1988, a Abelardo Chacrinha Barbosa abriga cerca de 300 alunos do 1 ao 5 ano do ensino fundamental. Projetada para ser um prédio provisório até a construção da escola em outro local da Rocinha, a unidade acabou permanecendo no local até os dias de hoje. O colégio é localizado numa região da Rocinha que, apesar de não ser uma das áreas de tráfico de drogas mais ostensivo, é tida como ponto estratégico para os bandidos. Pela proximidade com a mata, o local é a principal rota de fuga dos criminosos, além de ponto de contenção para evitar invasões de facções rivais.
Procurada pelo GLOBO, a direção da escola não quis comentar as informações de que o tráfico estaria fazendo pressão para manter a unidade no Laboriaux. Nenhum professor foi encontrado para comentar o caso. Uma comissão de moradores foi formada para lutar pela permanência do colégio. [naturalmente que os integrantes de tal comissão foram designados por Nem e cabe agora as autoridades policiais - secretário Beltrame, por enquanto seu trabalho só merece elogios - providenciar a remoção de todo o material e a implosão da escola; o processo das UPPs está indo bem, precisa de alguns retoques, mas qualquer concessão das autoridades e vai tudo por água abaixo.] Durante as últimas semanas, teriam acontecido diversas discussões internas, envolvendo lideranças comunitárias da Rocinha sobre a validade ou não do protesto, já que o prédio do Laboriaux está condenado pela Geo-Rio.

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