Governo afasta Tuma Jr. da Secretaria Nacional de Justiça
Após denúncias de envolvimento com a mafia chinesa, o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, anunciou ontem o afastamento do secretário nacional de Justiça Tuma Jr. do cargo por 30 dias.
Ao saber do afastamento, Tuma Jr. teria dito estar “babando” de vontade de depor ao Comissão de Ética Pública, mas ainda não marcou a data.
De acordo com reportagem do Estadão, a Policia Federal tem indícios que tornam Tuma Jr. suspeito de “tráfico de influência” e de “crimes contra administração pública”.
Tuma Júnior é afastado por 30 dias
O ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, decidiu na madrugada de ontem afastar por 30 dias o delegado Romeu Tuma Júnior do comando da Secretaria Nacional de Justiça. Informalmente, em conversas mantidas na tarde de ontem, o secretário disse que decidiu só "tirar férias" para se defender.
O secretário deixa o cargo uma semana após o Estado revelar suas ligações com Li Kwok Kwen, o Paulo Li, um dos líderes da máfia chinesa que está preso. A PF tem indícios que tornam Tuma Jr. suspeito de "tráfico de influência" e de "crimes contra administração pública". Tuma Jr. disse ontem que está "babando" de vontade de depor ao Comissão de Ética Pública, mas ainda não marcou a data. Ele poderia fazer a defesa por escrito, mas adiantou que pretende conversar com o colegiado pessoalmente para, segundo ele, esclarecer todas as dúvidas.
Depois de relato minucioso da PF sobre os indícios acumulados contra Tuma Jr. e os assessores Paulo Mello e Luciano Barbosa, coletados ao longo de quatro operações ? Persona (2007), Trovão (2008), Wei Jin (2009) e Linha Cruzada (2009) ?, o Planalto abandonou politicamente o delegado.
Mais dois.
Braço-direito do secretario, Mello foi exonerado do cargo de assessor especial e devolvido à PF. Chefe do Departamento de Estrangeiros, Luciano Pestana Barbosa também foi afastado por 30 dias. Em uma série de reuniões na noite de segunda e madrugada de terça-feira, véspera do anúncio do seu afastamento, o governo combinou o script das "férias" com Tuma Jr. Apesar do discurso de que não pode condenar ninguém a priori, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esperava que Tuma Jr. tomasse a iniciativa de deixar o cargo, o que não ocorreu. Pior: o secretário resistiu a sair, sob alegação de que não cometeu nenhum crime.
A solução encontrada pelo Palácio do Planalto foi a da licença. O ministro Barreto convenceu Tuma Jr. de que, se nada ficar provado no inquérito da PF, a retomada de suas funções está assegurada. Na prática, a expectativa do governo é que ele não volte ao cargo. No diagnóstico do Planalto, a manutenção de Tuma Jr. ? depois que a PF admitiu em nota "diversos indícios" sobre o envolvimento do secretário com a máfia chinesa e até a tentativa de relaxar a apreensão de US$ 160 mil, no aeroporto de Cumbica ?, poderia não apenas atingir o governo como respingar na campanha da presidenciável Dilma Rousseff. (PT).
O cuidado para negociar a saída foi político. Motivo: Tuma Jr. é filho de Romeu Tuma (SP), ex-diretor-geral da PF e senador do PTB, partido dividido no apoio a Dilma e ao candidato do PSDB, José Serra. O governo fez de tudo para não melindrar o aliado. Na TV. Até a entrevista de Tuma Jr. ao programa Brasil Urgente, de José Luiz Datena, ontem à tarde, foi combinada com auxiliares de Lula. O chefe de gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, passou o dia de ontem e a segunda-feira em reuniões. O ex-ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, foi consultado. A entrevista a Datena foi acertada previamente porque Tuma Jr. pediu ao governo um espaço para se defender. E achou que isso só seria possível num programa popular, sem questionamentos.
Para evitar a crise, Barreto tentou que a PF atestasse a inocência de Tuma Jr., sem conseguir. A PF divulgou nota afirmando que só depende de autorização judicial para apurar a prática, "em tese, de crime contra a administração pública". O teor da nota foi discutido desde a semana passada com Barreto, em reuniões tensas.
A saída de Tuma Jr. começou a ser negociada anteontem, num encontro que durou três horas, das 20h50 às 23h50, com Barreto. Depois, das 23h50 à 1h45, na madrugada de terça, Tuma Jr. reuniu-se com assessores. Ao sair, perto das 2 horas, o secretário já não garantiu que continuaria no cargo. "Vamos trabalhar, tem muito ladrão para a gente prender", disse, caminhando pelos corredores do ministério. "Estou trabalhando, crime organizado não tem hora. Eles não descansam, a gente também não pode descansar. Estamos trabalhando."
[há alguma malandragem no afastamento do Tuma Jr ter sido ‘camuflado’ como férias. Com isso, ele fez jus ao adicional de 30% do salário, enquanto um afastamento classificado como tal geraria, caso ele seja inocente, apenas o pagamento do salário.
Desse jeito Tuma Jr., filho do senador Romeu Tuma – amigão do ‘BOI’ levou vantagem.]

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