A investigação aberta para apurar o desaparecimento e suposto assassinato da modelo Eliza Samudio, de 25 anos, completa um mês na segunda-feira, com muito mais perguntas do que gostariam os mineiros. A apuração do caso que ganhou repercussão internacional, tendo como personagem central o goleiro e ídolo do Flamengo Bruno Fernandes de Souza, também de 25, suspeito de envolvimento no crime, transformou-se em desafio para as forças de segurança de Minas. Em 30 dias, o inquérito que coloca sob pressão a cúpula da Polícia Civil no estado já acumula pilhas de papéis, quase 8 mil quilômetros percorridos por viaturas apenas para o transporte de presos, consumo de quase R$ 30 mil entre combustível e hospedagens de agentes, sem contar incontáveis diligências e perícias. Mas, se uma ponta do custo da “Operação Bruno” começa a aparecer para o contribuinte, o mesmo não se pode dizer das provas mais concretas de um mistério cujo esclarecimento é cobrado até no Palácio Tiradentes, onde o governador Antonio Anastasia admite que só se dará por satisfeito quando o inquérito “estiver pronto e bem feito”.
Na ânsia de encontrar pistas para desvendar o desaparecimento da ex-namorada do jogador, policiais civis, militares e bombeiros se uniram em mutirões que vasculharam imóveis, matas e até uma lagoa em cinco municípios da Grande Belo Horizonte: Esmeraldas, Ribeirão das Neves, Vespasiano, Contagem e Betim. A polícia garante que o atleta será indiciado como mandante de um homicídio que os investigadores dão como certo, mas cuja prova mais importante ainda não apareceu: o corpo.
Bruno e Bola chegam de mais uma das incontáveis viagens com partida da Penitenciária Nelson Hungria: comboio e escolta com armamento pesadoA conta é simples: duas viaturas da Polícia Civil mineira foram para o Rio em 6 de julho, quando o menor J. foi apreendido na casa de Bruno, no Recreio do Bandeirantes, e retornaram para Belo Horizonte dois dias depois. Somado, o deslocamento duplo totaliza 1,7 mil quilômetros. De 8 a 22 de julho, o vai e vem de camburões carregando os presos, sendo o trecho mais longo entre a Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, e o Departamento de Investigações de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP), no Bairro Lagoinha, Região Noroeste de BH – de 37 quilômetros –, resultou em 1.224 quilômetros percorridos pelos comboios.
Segundo uma fonte do Comando de Operações Especiais (Cope), braço da Subsecretaria de Estado de Administração Penitenciária responsável pelo transporte e escolta de presos em operações de alta complexidade, os comboios são formados por no mínimo cinco viaturas. Portanto, chega-se à marca de 6,1 mil quilômetros rodados apenas na região metropolitana apenas com os presos, sem contar os deslocamentos para um sem-número de diligências.
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Cada Blazer usada no transporte dos detentos consome em média um litro de gasolina a cada cinco quilômetros, o que totaliza 1.560 litros do combustível, a um custo estimado de R$ 3.744 (R$ 2,40 o litro). E, por falar em gastos, a despesa operacional com o avião Bandeirante da Polícia Civil, que foi ao Rio buscar Bruno e Macarrão, gira em torno de R$ 17.500, segundo uma empresa de táxi aéreo. Pelo menos mais R$ 6.900 foram usados para pagar duas diárias para cada um dos 15 servidores públicos – delegadas, agentes, assessora, piloto e copiloto – que viajaram para a capital fluminense. O valor médio da diária em um hotel três estrelas na Barra da Tijuca é R$ 230.
Insatisfação
Apesar de toda a movimentação das forças policiais, os restos mortais de Eliza, principal prova para a tese de homicídio sustentada pelo chefe do DIHPP, delegado Edson Moreira, ainda não foram encontrados. Mesmo assim, o delegado afirmou na sexta-feira que já tem elementos suficientes para indiciar Bruno, os demais envolvidos e a namorada do goleiro, Fernanda Gomes de Castro, de 32, pelo assassinato da modelo. Questionado se está satisfeito com o balanço do primeiro mês do inquérito, o governador Antonio Augusto Anastasia (PSDB) foi enfático: “Ainda não. Nós queremos que o trabalho acabe e só vou ficar satisfeito no momento em que o inquérito for concluído. Acho que toda a sociedade mineira e brasileira só vai se sentir satisfeita quando o inquérito estiver pronto e bem feito”, afirmou.
Apesar da cobrança, o governador elogia a Polícia Civil, que chama de “exemplar”, e ressalta que a investigação não pode ser finalizada de forma precipitada. “Já vi muitos casos em que há uma pressão para concluir o inquérito e, lá adiante, quando a matéria vai ao Tribunal do Júri, a apuração é anulada por alguma falha. É bom fazer o inquérito bem feito, com todas as provas, periciais e testemunhais, e a autoridade policial é que tem conhecimento para isso”, disse. Edson Moreira afirmou que aguarda apenas os resultados de laudos periciais para concluir o inquérito, mas não revelou de quais exames. “Ainda não há previsão para isso, mas tudo caminha para o fim do caso”, assegurou.
Fonte: UAI-MINAS

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