Dilma vai mandar em Lula?
Dilma Rousseff pretende se descolar de Luiz Inácio Lula da Silva? Pelo menos esta era a informação que circulava ontem nos bastidores da campanha petista. Será verdade? Ou uma mera tática ilusória de campanha. E se for realmente verdade? A criatura tem condições de se desplugar do criador?
Claro que tem. No Brasil, não manda apenas quem pode. Mas quem tem a imperial caneta presidencial. Se Dilma tiver mesmo a dela, como tem chance, Lula e quem estiver abaixo dela que se cuide. A regra é clara. Manda quem pode. Lula vai obedecer se tiver juízo. Quando perder o poder, estará perdido. E PT saudações.
Tem gente, no entanto, que pensa o contrário. Lula teria escolhido a Dilma para permanecer no poder. O mais recente defensor dessa tese questionável é o jurista Hélio Bicudo, de 88 anos, um dos fundadores do PT, mas que pediu desfiliação ao partido em 2005, por ter se sentido enojado com o esquema do mensalão. Prometendo votar na Marina Silva, Hélio Bicudo detona: "Lula quer Dilma Rousseff no poder para continuar mandando no País". O ex-petista não perdoa o chefão $talinácio: “É autoritário. Mira mais o poder pessoal do que os objetivos do PT. Me afastei dele. O eixo desse afastamento foi a sindicância interna feita por mim no PT, que enquadrava Roberto Teixeira, compadre de Lula e ele não perdoa ninguém".
Bicudo também não perdoa o Partido dos Trabalhadores. "Não estou no PT desde 2005. Retirei a filiação porque entendi que o PT não cumpria mais o seu ideário. O que primeiro me advertiu sobre a mudança do partido foi a carta aos brasileiros (documento assinado durante a campanha presidencial de 2002) em que o Lula entregava-se ao neoliberalismo. Veio o mensalão, amoral e antiético. É um equívoco achar que não se pode governar com a minoria, porque Lula podia pressionar o Congresso com o povo. Como diz que não sabia? Lula manda no PT. Esse é um problema. Numa democracia, ninguém pode mandar num partido, se não a sua base. Mas, no Brasil, os partidos têm direção e não base".
Se Dilma for eleita presidenta do Brasil, Lula que se cuide. Além de Dilma, duas figuras tendem a abocanhar as maiores fatias do poder: José Dirceu de Oliveira e Silva e Antônio Palocci Filho. Dilma vai mandar. Os outros dois vão demandar e manobrar. Lula tem tudo para se tornar um mero ex-chefão. Tende a ser periférico no novo esquema de poder a ser implantado. Será que ele vai aguentar tal situação? Se for conveniente aos seus pragmáticos interesses, ele suportará a tudo como um bom sindicalista de resultados que sempre foi. Mas resolver brigar com a nova ordem Dilmo-dirceu-palocciana pode se estrepar.
Deus queira que não o transformem em um Celso Daniel. Aliás, o cadáver politicamente insepulto volta a assombrar a petralhada, oito anos depois de seu bárbaro assassinato. Novidade ruim para eles foi que o rumoroso caso, que nunca chega a uma conclusão, será agora assumido pelo promotor Francisco Cembranelli – o mesmo que atuou no caso Isabella Nardoni. O promotor Cembranelli teria carta branca para dar um rumo verdadeiro às investigações.
Celso Daniel foi sequestrado em 18 de janeiro de 2002. Seu corpo foi encontrado no dia 20 de janeiro de 2002, com onze perfurações de bala. Também foi violentamente espancado e seviciado. Parecia crime cometido por alguma organização mafiosa. Ou para acerto de contas. Ou para queima de arquivo. Ou para ambos os propósitos.
No entanto, o inquérito concluído em 1º de abril de 2003 pelo DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), considerou a morte dele “crime comum, cometido por seis pessoas de uma quadrilha da favela Pantanal, da Zona Sul da capital paulista.” A família de Celso Daniel não ficou satisfeita com o resultado do inquérito policial. Os irmãos dele acreditam na possibilidade de crime político.
A petralhada se apavora com o caso que volta à tona em mais uma campanha eleitoral. O amanhã é preocupante para eles. O assunto é tão explosivo quanto risco de bomba em aviões da Air France que partem do Brasil para a França. O que vai acontecer? É esperar para ver...
Por: Jorge Serrão - Jornalista

0 comentários:
Postar um comentário