O presidente do Chile, Sebastián Piñera, recebeu nesta quarta-feira do arcebispo de Santiago, Francisco Javier Errazuriz, e do presidente da Conferência Episcopal do Chile, monsenhor Alejandro Goic, a proposta de libertar os militares condenados por crimes de violação de direitos humanos cometidos durante a ditadura de Augusto Pinochet (entre 1973 a 1990). Durante o encontro do presidente com as autoridades da Igreja Católica, parentes de vítimas da repressão no regime militar protestaram em frente ao Palácio de La Moneda.
A proposta - que foi apresentada como parte das ações para marcar os 200 anos de independência do Chile, que serão celebrados no dia 18 de setembro - seria aplicada a presos que estejam doentes, tenham mais de 70 anos ou tenham cumprido metade de sua sentença.
" Nossa proposta não tem como objetivo abrir as feridas do passado "
- Nossa proposta não tem como objetivo abrir as feridas do passado, nem fazê-las cicatrizar por decreto - disse o presidente da Conferência do Chile ao comentar o plano, chamado de chamada "Chile, uma mesa para todos no Bicentenário".
O documento destaca que "nem todos tinham a mesma responsabilidade nos crimes cometidos". A proposta deve ser discutida por vários setores do Executivo e Legislativo. A vice-presidente do Grupo de Parentes de Presos e Desaparecidos, Mireya Garcia, reagiu ao plano, afirmando que os condenados pelos crimes da ditadura devem cumprir suas sentenças. Segundo ela, cerca de 35 militares presos seriam beneficiados.
Justiça não tem nada a ver com clemência e sim com o que é justo - disse ela.
Pelos dados oficiais, 28 mil pessoas foram torturadas e outras 2.279 desapareceram ou foram mortas. As chamadas Comissões de Verdade identificaram 180 crianças e adolescentes assassinados, além de 1.283 presos e torturados. A ex-presidente do Chile Michelle Bachelet, no final de seu governo, prestou uma homenagem às vítimas da ditadura e a suas famílias. Ela inaugurou o Museu da Memória e dos Direitos Humanos em Santiago.
[sempre lembram o que foi feito pelas forças do Governo contra terroristas e guerrilheiros; nunca mencionam os crimes que estes cometeram.]

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