O presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad tentou dissuadir neste domingo os países da UE (União Europeia) de adotar novas sanções contra seu país, como pretendem fazer na segunda-feira, e afirmou que Teerã reagirá "com firmeza" a qualquer ato hostil.
"Os europeus querem impor novas sanções além das adotadas pelas Nações Unidas [no dia 9 de junho]. Queria dizer que não recebemos favoravelmente uma tensão ou nova resolução, queremos relações lógicas e amistosas", declarou Ahmadinejad, de acordo com a televisão iraniana em inglês Press-TV. "Devo dizer que qualquer um que adotar medidas contra a nação iraniana, como a inspeção de navios iranianos [em alto-mar] tem que saber que o Irã reagirá com firmeza a tais atos", acrescentou.
Mahmud Ahmadinejad também denunciou a "guerra psicológica" contra o Irã travada pelos Estados Unidos e por seus aliados, e afirmou que a República Islâmica "cortará a mão dos inimigos". "Todo aquele que participar do roteiro dos Estados Unidos (contra o Irã) será considerado um país hostil (...). O Irã dará uma resposta firme a qualquer ameaça", insistiu.
Os países da UE decidiram na quinta-feira reforçar as sanções contra o Irã, suspeito de querer produzir uma arma atômica com seu programa nuclear. As novas sanções, que serão adotadas na segunda-feira em Bruxelas, reforçam as votadas em 9 de junho no Conselho de Segurança da ONU e afetam principalmente o setor energético iraniano.
CONVERSA
Mais cedo, o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu, afirmou que o Irã estaria disposto a conversar com a União Europeia sobre o seu programa nuclear depois do fim do mês sagrado muçulmano do Ramadã, em setembro. Davutoglu, que conversou com a imprensa antes de um encontro hoje com os ministro das Relações Exteriores do Irã e do Brasil, afirmou que a Turquia pretende retomar as negociações internacionais o mais rápido possível.
HISTÓRICO
A conversa ocorre no momento em que o Irã é alvo de uma série de medidas restritivas impostas não só pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, como também pelos Estados Unidos, pelo Canadá e também pela União Europeia. As restrições atingem diretamente as áreas comercial e militar do Irã. A iniciativa é uma punição ao governo iraniano por suspeitar que há produção de armas atômicas.
Em 17 de maio, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e o iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, além do primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, fecharam um acordo para tentar encerrar o impasse em torno do programa nuclear. Pelo acordo, o Irã envia 1,2 tonelada de urânio enriquecido a 3,5% para a Turquia. Em troca, no prazo de até um ano, receberá 120 quilos do produto enriquecido a 20%.
Porém, a maior parte da comunidade internacional rejeitou o acordo optando pela adoção de sanções ao Irã. Uma das justificativas é que no mesmo momento em que se negociava o acordo o Irã avisou que enriqueceria o urânio a 90%, o que teoricamente poderia ser aplicado na fabricação de armamentos. No entanto, o governo Ahmadinejad nega todas as suspeitas. O presidente e assessores informam que o programa nuclear iraniano tem fins pacíficos. Há planos para a utilização de fabricação de medicamentos e geração de energia. Mas os Estados Unidos e parte da comunidade internacional não confiam nestas informações.
Com isso, em 9 de junho, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas com o apoio da maioria dos integrantes aprovou as sanções ao Irã. Apenas o Brasil e a Turquia votaram contrariamente às medidas. O Líbano se absteve. O governo brasileiro lamentou a decisão informando que as restrições não colaboram para a construção do diálogo e só incentivam a tensão no cenário internacional.
Fonte: Folha de São Paulo

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