Mãe de adolescente envolvido no caso Bruno conta que o filho era viciado em drogas e morava há dois meses na casa do goleiro
Em entrevista ao programa da TV Globo "Mais Você", a mãe do adolescente de 17 anos cujo depoimento deu uma reviravolta no caso Bruno contou que o filho morava há dois meses na casa do goleiro. Ela contou que o jovem é usuário de drogas e estava ameaçado de morte na área onde vivia com a família, em São Gonçalo. Esse seria o motivo de sua mudança para o Recreio dos Bandeirantes. Às 14h desta quinta-feira, a polícia deve retomar o depoimento do menor, no Centro de Internação Provisória (Ceip), em Belo Horizonte. Ele começou a depor nesta quarta, mas parou devido ao cansaço. O objetivo é obter mais informações que orientem as buscas por provas materiais diretas.
- Ele estava jurado de morte, e o Bruno ajudou. Eu falei tudo para o Bruno. Disse que, se ele não me ajudasse, meu filho ia morrer. Aí falou "pega um táxi e vem pra cá". Eu levei meu filho para lá - contou a mãe, para a apresentadora Ana Maria Braga.
O veterinário Fernando Pinheiro que auxilia nas investigações em Belo Horizonte também foi ao programa. Ele disse que qualquer cão come carne humana. Segundo o médico, o teste mais importante a ser feito nos cães do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, é com o uso de luminol. Outra possibilidade levantada é a análise de fezes secas dos cães, que poderiam ter pedaços de unha ou fios de cabelo. Os rottweilers foram levados para o Centro de Zoonoses de Belo Horizonte.
- A possibilidade de serem encontrados vestígios de sangue no pelo é grande porque, quando animal abocanha a carne, ele suja o focinho e o pelo de sangue. Por isso, o grande exame que pode ser feito agora é o luminol, que detecta vestígios de sangue em até dois anos. O delegado Edson Moreira aceitou esta sugestão, tanto que já usou luminol no sítio - explicou o veterinário, que é voluntário há 12 anos da polícia de Meio Ambiente e da Polícia Militar de Minas Gerais.
O tio do menor, que em entrevista à Rádio Tupi denunciou o envolvimento do menor no caso, foi criticado pela mãe do jovem. Citado como "parente distante da família", ele teria dito que o menino estava em cárcere privado. “Ele falou que meu filho estava mantido em cárcere privado, mas isso é um absurdo, uma mentira” - disse.
Esta não foi a primeira vez que o menino ficou na casa do jogador, segundo a mãe. Ela disse que até agora não acredita nas declarações do menor:
- A gente ficou preocupado, mas a princípio não acreditávamos nessa história. Achei um absurdo. Na verdade, até agora não acredito. Só vou aceitar quando provarem.
Ela também não acredita que o jovem, por ser menor, tenha feito declarações para livrar os responsáveis pelo crime, apesar de reconhecer que o menino possa ter mentido em sua declaração, já que ele tinha essa pratica, pois escondia da família sua condição de viciado em drogas.
- Eu não acredito que o Bruno fosse capaz de fazer isso com o meu filho, mas ele mente, já mentiu muitas vezes para mim. Quando começou a se drogar, ele mentiu várias vezes. Aí fica difícil eu acreditar. Só olhando para ele frente a frente para saber se está dizendo a verdade. Ele só me falou que estava ameaçado de morte no desespero - contou.
A mãe não vê o menino desde que ele foi apreendido. Ela chegou a ir para Belo Horizonte, tentar vê-lo, mas quando chegou à Delegacia de Homicídios, o jovem já tinha sido trazido de volta para o Rio de Janeiro. “É uma coisa muito absurda. Não tive acesso nenhum a ele. A gente também não sabe o que está acontecendo. Estou sabendo dos acontecimentos como todo mundo”, disse.
Ao final, ela deu uma declaração de apoio ao filho e falou que não aguenta mais essa situação:
- Espero que isso tudo acabe rápido. Queria falar para ele que, apesar de tudo, eu, o pai e os irmãos o amamos muito e vamos fazer de tudo para ajudá-lo. Ele está precisando de muita ajuda psicológica, porque ele estava em tratamento, é usuário.
Nesta quarta-feira, a Justiça determinou a quebra de sigilo telefônico de Bruno e outros envolvidos no desaparecimento de Eliza, entre eles o adolescente de 17 anos. Um dia antes, o Juizado da Infância e da Adolescência de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, aceitou denúncia contra o menor. Investigadores da polícia mineira aguardam resposta da Justiça para levá-lo até o sitio do Bruno. Ainda esta semana, eles também querem promover uma acareação entre o adolescente e Sérgio Rosa Sales, primo do goleiro que tem colaborado com a polícia. O menor já prestou ao menos quatro depoimentos no Rio de Janeiro e um em Minas Gerais.

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