Brasil diminui participação no PIB Global
Apesar do crescimento mais forte da economia brasileira registrado nos últimos anos, o Brasil perdeu participação no Produto Interno Bruto (PIB) mundial. De acordo com reportagem do Estadão, em 2002 a fatia era de 2,92%. Segundo projeção do Fundo Monetário Internacional (FMI), ao final desse ano a participação deve cair para 2,90%.
Segundo analistas, embora mínima, a diferença não é desprezível já que o Brasil ainda é considerado uma nação emergente, como a China – que tinha 7% do PIB global em 2002 – e a Índia – com 4%. Segundo o FMI os chineses devem encerrar 2010 com 13% e os indianos, com 5%.
O BC divulga todo mês os dados das contas externas. Em junho, o déficit em transações correntes foi de US$ 5,2 bilhões. Além do comércio, entram turismo, remessas das multinacionais, pagamento de juros da dívida, entrada e saída de capital de investimento, serviços. O déficit acumulado no ano é de US$ 40,9 bilhões, 2,1% do PIB. Isso é assustador?
Brasil perde participação no PIB global
A despeito do crescimento mais forte da economia brasileira nos anos recentes, o País perdeu participação no Produto Interno Bruto (PIB) mundial. Em 2002, a fatia era de 2,92%. Ao final deste ano, segundo projeção do Fundo Monetário Internacional (FMI), deve ser de 2,90%. É uma diferença pequena, mas, segundo analistas, nada desprezível, levando-se em conta que o Brasil ainda é uma nação emergente. Se não precisa - e não consegue - crescer como China e Índia, tampouco deveria "se contentar" com um ritmo de país desenvolvido.
Em 2000, a China tinha 7%, a Índia, 4%, e o Brasil, 2,95% do PIB global. Os chineses devem encerrar 2010, segundo o FMI, com 13% e os indianos, com 5%. "O Brasil não é um país pobre, mas um país de pobres", define o economista Simão Davi Silber, professor da Faculdade de Economia e Administração (FEA) da Universidade de São Paulo (USP). "Um quarto da nossa população economicamente ativa ganha meio salário mínimo ou menos."
Silber estima que a expansão média anual deveria ser de 7% para o Brasil alcançar relativamente rápido uma nova condição de desenvolvimento. "Sete por cento de crescimento ao ano significa dobrar o PIB em uma década. Isso, mais um pesado investimento em educação, mudariam o País." O PIB nacional avançou, em média, 3,6% ao ano desde o início do governo do presidente Lula, em 2003. É mais do que a média das décadas de 80 (1,7%) e 90 (2,6%), mas menos do que o mundo, que se expandiu 3,7%, em média, entre 2003 e 2009. Para este ano, a expectativa do FMI é de que o Brasil cresça 7,1%, ante 4,6% do planeta.
Além dos números. O debate sobre a taxa de crescimento adequada para o País é mais do que mera questão numerológica. Como lembra Silber, no curto prazo, uma expansão de 5% ou 7% pode não fazer tanta diferença. Em prazo mais longo, porém, altera a história de uma nação. "Na década de 50, a renda per capita da Coreia do Sul equivalia a um terço da nossa. Hoje, é quatro vezes maior, porque eles cresceram consistentemente acima do Brasil", observa ele.
A discussão, portanto, desemboca na atual capacidade de expansão do País e no que deve ser feito para aumentá-la.
Analistas de mercado financeiro calculam que o chamado PIB potencial (que mede quanto um país pode se expandir sem provocar pressões inflacionárias) está hoje entre 4% e 5%. Para ir além, diz o professor de economia do Insper Daniel Motta, é preciso elevar a capacidade de produção do País. Para se fazer isso seria necessário diminuir a carga tributária, reduzir a burocracia, baixar a taxa de juros, incentivar o mercado de capitais para que pequenas e médias empresas tenham mais acesso a dinheiro, além de investir pesadamente em infraestrutura e em educação. "O Brasil só cresceu muito nos últimos anos porque acompanhou a onda mundial, que valorizou as commodities que nós exportamos", critica. Para ele, o País não teria alcançado ritmo semelhante pelas próprias pernas.
O economista Douglas Uemura, da LCA Consultores, discorda. Para ele, o quadro geral, nos últimos anos, "é positivo". "De 2000 para cá, temos apresentado uma expansão sustentada do PIB", comentou Uemura. Apesar disso, ele não nega que o Brasil precisa, por exemplo, melhorar sua produtividade, o que passa pela melhora da educação.
Longo prazo.
Para o economista Fábio Silveira, da RC Consultores, o Brasil só ampliará o potencial de crescimento se voltar a fazer "planejamento de longo prazo". "É a política que todos os países bem-sucedidos do mundo adotaram", afirmou.
Silveira defende que a indústria esteja no foco dessas ações. "Não há economia grande como a brasileira que comporte apenas os setores básicos e os serviços. A indústria precisa ter participação importante." A receita de Silveira é semelhante à de outros especialistas: redução da carga tributária e dos juros e melhora da infraestrutura.

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