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quarta-feira, 7 de julho de 2010

Um dossiê a procura da Dilmona

Um dossiê à procura de Dilma

Apesar de estar extremamente desgastado por criminosos usos políticos, o termo dossiê ainda é o mais adequado para representar um conjunto de documentos destinado a comprovar práticas lesivas ao interesse público.

Ninguém pode ousar negar que três fatos reforçam de maneira definitiva a credibilidade de um dossiê: 1 - a disposição de seu autor discutir abertamente o seu conteúdo; 2 - a omissão dos envolvidos, recusando-se a contestar as acusações nele contidas; 3 - a conivência de setores da sociedade organizada, mantendo-se calados para evitar questionamentos a seus aliados políticos.

Indiscutivelmente, devido à ocorrência dos três fatos acima citados, o caso do dossiê que está à procura de Dilma Rousseff merece credibilidade total. E, justamente por merecer credibilidade total, grande é o empenho de alguns “poderosos” no sentido de obstruírem a apuração das comprovadas acusações nele contidas.

Na condição de autor do “Dossiê Gemini”, eu cheguei até mesmo a pedir para ser processado judicialmente. Correr o risco de ser penalizado por difamação me proporcionaria a oportunidade de comprovar nos tribunais os graves crimes cometidos contra o interesse nacional ao se constituir a Gemini – sociedade da Petrobras com um grupo privado norte-americano para produzir e comercializar gás natural liquefeito (GNL). Sintomaticamente, meu pedido não foi atendido.

Para que dúvidas não pairem sobre minha disposição de provar nos tribunais o abominável crime cometido contra o setor “petróleo e gás”, transcrevo a seguinte afirmativa por mim feita no artigo “Dilma, ó Dilma, onde estás que não respondes?” (endereço eletrônico ao final):Há muito eu venho acusando a ministra Dilma de omissão com o objetivo de forçá-la a tomar uma das duas únicas atitudes dignas do alto cargo que ocupa: esclarecer os pontos por mim questionados ou processar-me judicialmente, o que me dará a oportunidade de comprovar perante a Justiça o prejuízo causado ao nosso país por referida sociedade”.

Com o objetivo de comprovar minha intenção de debater a questão com a maior transparência possível, cópia deste artigo será formalmente encaminhada à Associação de Engenheiros da Petrobras (AEPET) e ao Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Petróleo (Sindipetro-RJ), entidades que estão promovendo a campanha “O petróleo tem que ser nosso”. Coloco-me à disposição para comparecer a um debate sobre o assunto, e sugiro que para ele deva ser convidado não só representantes da Gemini como também o eminente professor Ildo Sauer – notório conhecedor do assunto e diretor de Gás e Energia da Petrobras à época das negociações para a constituição da sociedade em questão,

A AEPET e o Sindipetro, para serem minimamente coerentes, não podem agir como se a entrega do cartório de gás natural liquefeito a um grupo norte-americano não chocasse frontalmente com suas pregações. Ninguém mais indicado que referidas instituições para desvendar o grande mistério: quem está impedindo a apuração deste que é um dos maiores crimes cometido contra o setor “petróleo e gás”?

Sou obrigado a dirigir-me formalmente aos senhores Fernando Siqueira e Emanuel Cancella (as duas mais representativas lideranças de referidas entidades), já que Dilma Rousseff – a principal avalista da constituição da empresa Gemini – não se dignou a contestar as acusações relativas ao impressionante crime de lesa-pátria cometido na área que estava sob seu comando. Como se sabe, toda a negociação para a constituição de tal espúria sociedade se deu durante o período em que Dilma comandou a área energética do país, acumulando as funções de Ministro de Minas e Energia e Presidente do Conselho de Administração da Petrobras (função que ocupou até fevereiro de 2010).

Desde o início de 2004, época em que começaram a surgir notícias sobre a constituição da Gemini, inúmeras denúncias sobre a sociedade foram publicadas na mídia impressa; diversos artigos foram divulgados pela internet (em blogs, colunas e jornais on-line); várias denúncias foram encaminhadas a autoridades e órgãos públicos; cartas denunciando porque a sociedade era altamente lesiva aos cofres públicos foram dirigidas à então presidente do Conselho de Administração da Petrobras Dilma Rousseff, e devidamente protocoladas, tanto na Petrobras como na Presidência da República, seus dois locais de trabalho.

É de se ressaltar que, em março de 2004, o próprio Sindipetro-RJ encaminhou ao então presidente da Petrobras, o hoje presidente do PT José Eduardo Dutra, uma grave correspondência manifestando preocupação com tal associação.

A bem da verdade, deve ser destacado que denúncias explícitas de “corrupção mesmo” só foram divulgadas no jornal do Sindipetro. Apesar de terem sido divulgadas apenas no jornal do sindicato dos trabalhadores na indústria de petróleo, é preocupante o fato de a alta direção da Petrobras não ter se manifestado sobre tais denúncias – contundentes a ponto de merecerem a charge que caracteriza de maneira mais categórica a ocorrência de “corrupção mesmo”: uma pessoa com uma mala recheada de dinheiro na qual constava o nome da sócia da Petrobras na Gemini.

Será que precisava ser mais claro? Será que uma mala recheada de dinheiro com o nome do doador não é capaz de provocar, nem mesmo, um certo incômodo nos petrogangsters?
É impossível deixar de reconhecer que todos os esforços, formais e informais, foram feitos para compelir a então presidente do Conselho de Administração da Petrobras Dilma Rousseff a se manifestar sobre a Gemini.

Relativamente às tentativas formais de entregar-lhe oficialmente as provas contra a Gemini, devem ser destacados os diversos documentos a ela encaminhados e protocolados, tanto na Presidência da República como na sede da Petrobras. É difícil saber o que é mais grave: ou Dilma recebeu os documentos e se omitiu sobre eles; ou sua assessoria sumiu com os documentos cujas cópias protocoladas estão em meu poder. É vergonhoso o fato de ninguém procurar saber o que aconteceu, e é inegavelmente suspeito o fato de ninguém querer ver os documentos que afirmo estarem em meu poder. Quem tem medo de os fatos serem apurados?

Das tentativas informais, devem ser destacados inúmeros artigos que circularam amplamente na internet. Alguns desses artigos, juntamente com seus endereços eletrônicos, estão relacionados ao final deste com o objetivo de permitir a todos avaliar a gravidade da situação que não despertou o menor interesse da responsável pela área na qual foi cometido o crime de lesa-pátria. E nem despertou o menor interesse da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). E nem de qualquer outro órgão que tivesse o poder e o dever de apurar crimes de lesa-pátria.

A última tentativa que fiz no sentido de ser discutido o dossiê em questão foi por meio de carta dirigida em 26 de fevereiro de 2010, individualmente, aos seguintes conselheiros do Conselho de Administração da Petrobras: Dilma Rousseff, Guido Mantega, Silas Rondeau, Sérgio Gabrielli, Francisco Roberto de Albuquerque e Luciano Coutinho. Com o objetivo de tocar nos brios dos citados conselheiros e, dessa maneira trazer à discussão o assunto, que é do maior interesse nacional, transcrevi a íntegra de referida carta no artigo intitulado “Petrobras: Conselho de Administração sob suspeita” (endereço eletrônico ao final).

De nada tem adiantado minha insistência em discutir o caso Gemini. Todos se fingem de mortos. Por que será que todos temem discutir este assunto? Qual a alta figura que está sendo protegida?

Esperando que alguém, algum dia, tenha a dignidade de discutir o assunto em questão, finalizo apresentando a seguinte relação LINKs.:

(Petrobras: Conselho de Administração sob suspeita)

(Jornal do Sindipetro, 23/03/06)

(Jornal do Sindipetro, 03/08/07)

(Jornal do Sindipetro, 29/05/08)

(“Dilma, ó Dilma, onde estás que não respondes?”)

Por: João Vinhosa é ex-conselheiro do extinto Conselho Nacional do Petróleo.


joaovinhosa@hotmail.com


Fonte: Blog Alerta Total


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