Lula não fala em Dilma, mas passa microfone para repentista elogiar petista em favela
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que já foi multado diversas vezes pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) por mencionar em eventos oficiais o nome da candidata petista à sucessão, Dilma Rousseff, ganhou uma mãozinha do repentista João Bernardo durante a entrega de 240 moradias na favela de Paraisópolis, zona sul de São Paulo, na tarde desta terça-feira. Ao inaugurar a obra, ao lado do governador tucano Alberto Goldman e do prefeito Gilberto Kassab (DEM), Lula cedeu o microfone para duas pessoas que queriam recitar uma poesia e cantar um repente, no meio do público.O repentista João Bernardo começou elogiando Lula, mas encerrou sua música dizendo:
- Dilma vai à frente e você (Lula) vem novamente - cantou o repentista, referindo-se às eleições de outubro.
O presidente riu, mas despediu-se rapidamente do público e deixou o local. João Bernardo afirmou à imprensa que não havia combinado com nenhum organizador do evento sua participação.
- Eu vim fazer uma cortesia. Foi a primeira vez que vi ele (Lula) - disse ele, que vive em São Paulo desde 1969, mas não conseguiu uma casa própria na cidade: Sou mais visitante aqui. Tenho casa no Nordeste. Não tenho a Bolsa Família. Mas eu gosto dele só por uma coisa: ele é humilde e gosta dos humildes.
Perguntado se achava que tinha "resolvido o problema" de Lula, que está impossibilitado de fazer a campanha, o músico respondeu:
- Eu resolvi! Falei um pouquinho nela e acho que esses versos vão sair (na imprensa) por causa disso. E ele gostou, porque sentiu na alma- disse ele, que completou:- Mas não tinha nada combinado antes. Eu não estou ganhando nada.
Mais cedo, o músico Carlos Marona, que animava o público enquanto o presidente não chegava, afirmou à plateia, formada por moradores da favela que seguravam cartazes elogiosos ao presidente:
- Não precisa nem dizer em quem vocês vão votar.
Faixas de boas-vindas a Lula foram colocadas em grades ao redor do pátio do evento. Além do nome do presidente, uma imensa bandeira do Corinthians ocupava um paredão de um dos edifícios vizinhos à obra inaugurada. O presidente, no entanto, notou outros cartazes: os de moradores que reivindicavam mais postos de saúde e creches.
- A gente não pode achar ruim. Cada vez que a gente vê uma placa dessas, vai dormir pensando que tem de fazer mais.

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