Após assaltos, shopping adota equipamento antiterror israelense
Pelo menos 30 centros comerciais iniciaram negociações com empresas de tecnologia e de capacitação israelenses para aprimorar seus sistemas de segurança. De acordo com reportagem da Folha, a adoção do aparelho antiterror israelense é uma tentativa de conter uma onda de assaltos a shopping centers. Os equipamentos de reconhecimento facial são originalmente usados em Israel contra terroristas e serão adaptados no Brasil.
Shopping adota equipamento antiterror
Equipamentos de reconhecimento facial usados em Israel contra terroristas estão sendo adquiridos e adaptados no Brasil para conter uma onda de assaltos a shopping centers. Ao menos 30 centros comerciais iniciaram negociações com empresas de tecnologia e de capacitação israelenses para aprimorar seus sistemas de segurança.
Os valores desses projetos e os nomes dos clientes são mantidos em sigilo. A Folha apurou que dois shoppings localizados em regiões nobres da capital paulista já negociam o equipamento. O reconhecimento facial que Israel utiliza em suas fronteiras para identificar possíveis homens-bomba foi alterado para que shoppings montem bancos de dados de possíveis suspeitos.
Um dos programas à venda usa câmeras de alta resolução para fazer reconhecimento biométrico dos frequentadores dos shoppings. Esse software capta a imagem da pessoa e, baseado na massa craniana dela, cria um número. Se, dias depois, a mesma pessoa aparecer no shopping com barba e o cabelo pintado de outra cor, o sistema o reconhecerá imediatamente. Assim, atitudes suspeitas poderão ser identificadas com maior facilidade.
Numa tentativa frustrada de imitar Bonnie e Clyde, casal de criminosos dos Estados Unidos nos anos 30, um estoquista e uma feirante roubaram ontem a loja de artigos de luxo Montblanc do Morumbi Shopping, na zona sul de São Paulo. Traída pelo sapato de salto alto usado para compor o estilo executiva e tentar enganar a segurança do shopping, a Bonnie do roubo à Montblanc, a feirante Gisele Chaves Lopes Pereira, 22, acabou presa ao lado de seu Clyde, o estoquista Luiz Fernando Andrade Garcia, 27. Armados com um revólver calibre 38, Gisele e Garcia invadiram a loja, no andar inferior do shopping, às 13h, sem se importar com a câmera de segurança na porta. "Era um casal super bem vestido, quebrando aquele paradigma de perfil de pessoas suspeitas", disse o capitão da PM Wantuil Andrade.
Em poucos minutos, apesar de nervoso, o casal roubou algumas dezenas de cargas de canetas de luxo e abotoadeiras e deixou a loja. Pela câmera, seguranças viram o roubo e avisaram a Polícia Militar, que fez um cerco ao shopping. Na corrida entre a loja e a saída do shopping escolhida para estacionar o carro da fuga, onde estava um terceiro ladrão, Gisele parou para arrancar os sapatos de salto e ganhar mais velocidade.
Nesse momento, ela e Garcia foram surpreendidos e presos pela PM. Ao perceber o que acontecia, o criminoso que os esperava fugiu. As abotoadeiras e as cargas de caneta foram recuperadas e, segundo a Montblanc, o valor dos objetos não será revelado. Em 2009, Gisele ficou presa nove meses acusada de tentar furtar um laptop; Garcia, também segundo a polícia, já cumpriu pena de um ano e nove meses por roubo e saiu da prisão em 2006. A reportagem não teve acesso aos dois presos e também não conseguiu localizar seus advogados de defesa
REFORÇO NA SEGURANÇA
Esse foi o 16º caso contra joalherias ou lojas de artigos de luxo neste ano em São Paulo. Desses, 12 ataques foram em shoppings e quatro, em joalherias convencionais. As polícias Civil e Militar têm adotado medidas de ações preventivas, incluindo rondas especiais em dias mais movimentados e que todos os roubos contra shoppings ou joalherias sejam investigados pelo Deic (Departamento de Investigações Sobre o Crime Organizado)

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