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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Ainda sobre o caso Battisti

Caso Battisti. Não conseguimos fazer Lula entender que o terror dos Battisti era contra a República italiana, afirma o presidente Napolitano

[há grandes possibilidades de que o STF se curve a vontade do ex-presidente Lula e decida por cinco votos a quatro pela não extradição do terrorista italiano; o ministro Toffoli por ter atuado no caso quando era advogado geral da União deve se declarar impedido e se a Dilma indicar o Adams, atual advogado geral da União para a vaga do Eros Graus, ele tem o dever moral de se abster por ser da sua lavra o parecer que cassou a decisão do STF e permitiu ao ‘molusco’ não extraditar o terrorista.]

-1. O presidente Giorgio Napolitano é, pela sua história, o chefe de Estado que goza de maior prestígio na Europa. Na Itália e toda a Europa, o respeitado Giorgio Napolitano é considerado o chefe de Estado que consegue, --com acionamento da Corte Constitucional -, barrar todas as tentativas de Silvio Berlusconi ( primeiro ministro) de criar escudos legais para interromper andamentos de processos criminais em que figura como réu.

Berlusconi considera-se vítima de Napolitano e de toda a Magistratura italiana. Uma Magistratura composta de juízes que o perseguem e que chama, a exemplo de Giancarlo Caselli, como portadores de “toghe-rosse” (togas vermelhas, ideológicas).

Além de comunista histórico, - resistente à época da luta contra o nazifascismo, Napolitano foi um dos responsáveis pelo “compromisso histórico”. Ou seja, a defesa da Itália democrática contra articulações, comandada pela agência de espionagem norte-americana (CIA), imediatamente depois do golpe de Augusto Pinochet no Chile.

Na Itália, a CIA, -- que preparou e apoiou o golpe contra o governo do então presidente Salvador Allende, queria (1) impedir que o PCI chegasse ao poder (era o segundo maior, estava em ascensão e no Parlamento funcionava como fiel da balança por aglutinar as forças progressistas) e, também, (2) derrubar o presidente italiano Sandro Pertini, do partido socialista e que fora preso ao tempo de Mussolini. Ao lado de Enrico Berlinguer, o atual presidente Giorgio Napolitano era, quando do terrorismo na Itália (anos 70 e início dos 80), um dos líderes do Partido Comunista Italiano (PCI), de linha (eurocomunismo) independente da proveniente de Moscou.

À época, organizações subversivas radicais, de direita e de esquerda, promoveram ações terroristas para, pelas armas e não pelo voto, destruir a República italiana e aniquilar com o estado democrático de Direito. Ontem, o presidente Giorgio Napolitano, em Ravena e durante a cerimônia de comemoração dos 150 anos da Unificação da Itália, recordou a história italiana, em especial as lutas contra o fascismo e o terrorismo.

Napolitano destacou que o terrorismo (anos 70 e início e início dos anos 80) objetivava liquidar com a República. Num pronunciamento tocante, o chefe do Estado italiano frisou e referindo-se ao caso Battisti: - “ Não conseguimos fazer compreender, e vale a países vizinhos e distantes, o significado do terrorismo na Itália” ("Non siamo riusciti a far comprendere anche a paesi amici vicini e lontani cosa hanno significato" gli anni di piombo in Itália). Napolitano ressaltou a sua preocupação quanto à perda da memória histórica.

Ou melhor, o esquecimento dos “riscos corridos pela Itália nos anos de luta a respeito do neofascismo e sobre os ataques dos terroristas contra a República italiana”.

-2. PANO RÁPIDO. Para a campanha de desinformação promovida no Brasil pelos chamados “amigos de Battisti”, - o ladrão que no cárcere aderiu ao grupo Proletários Armados para o Comunismo (PAC) e, ao fora da prisão -, assassinou (duas co-autorias e duas participações) um carcereiro, um açougueiro, um motorista policial e um joalheiro -, interessa o falso rótulo de herói nacional perseguido pelos fascistas. Em entrevista, Battisti avisou os brasileiros que a Itália era fascista e a Máfia controlava o poder. Só não disse que, até agora, foi o único que renegou ter, durante a luta armada, cometido violências e homicídios. Por isso, Battisti é detestado na França pela comunidade de foragidos, que não renegam os seus atos. Por outro lado, para a “gauche caviar” francesa, aquela de intelectuais grudados e a cortejar o poder e Carla Bruni, a luta armada na Itália era apropriada para a derrubada de uma República que oprimia.

Isso sustenta a “gauche caviar”, àquela que adora as festas oficiais e aparecer em retratos da revista Caras de lá. O socialista francês, François Mitterand, --que recebeu medalha de mérito dos nazistas ao tempo de Vichy--, foi pressionado, quando presidente, pela “gauche-caviar”. Sem ter peito para escrever, Mitterand desenvolveu a chamada “doutrina Mitterand”. Por ela, os participantes da luta armada na Itália poderiam permanecer em território francês desde que declarassem, verbalmente, que tinham deposto as armas.

A doutrina Mitterand, - por não ter sido escrita e não contar com o valor jurídico de uma ordem -, foi abandonada e Battisti (outros também), por decisão da Justiça e do Estado,
teve a extradição deferida.

Daí, Battisti fugiu para o Brasil.
Lógico, antes da fuga Battisti perguntou aos amigos qual seria o melhor lugar para garantir a impunidade. Foi morar em Copacabana. Arrumou uma namorada e chegou até a receber uns trocados do Gabeira, que o visitava a pedido dos dirigentes do partido Verde da França.
[vale ressaltar que o Brasil é um dos poucos países em que assassinos, seqüestradores, terroristas gozam de total impunidade sendo que alguns são nomeados e/ou eleitos para cargos públicos; tudo amparado por uma Lei da Anistia que na ótica distorcida daqueles terroristas e assassinos só deve se aplicar a eles e não aos que defendendo vidas inocentes e a SOBERANIA do Brasil os combateram.]

Por:
Wálter Fanganiello Maierovitch - IBGF

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