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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Compras coletivas

Usuário vai achar descontos no Google

Como a entrada de Google e Facebook pode mudar o mercado de compras coletivas, dominado pelo Groupon


A febre das compras coletivas começou nos Estados Unidos, quase como uma resposta à crise: consumidores com pouco dinheiro e lojas com poucos fregueses gostaram da ideia das promoções-relâmpago para grupos de clientes. O Groupon nasceu em Chicago, em novembro de 2008, criado por um músico de 29 anos chamado Andrew Mason. Tornou-se o negócio de crescimento mais rápido da história – ele entra em 2011 com mais de 30 milhões de usuários, faturamento anual próximo de US$ 500 milhões e valor de mercado ao redor de US$ 15 bilhões. Vendo um mercado lucrativo e promissor, Google e Facebook se mexem para lançar os próprios serviços. O Google Offers e o Buy with friends (“Compre com amigos”) certamente vão ameaçar a supremacia do Groupon, um líder isolado – por enquanto. “Diferente de redes sociais, os sites de compras coletivas geram receita muito rápido. Por isso as empresas de tecnologia estão tão interessadas”, afirma David Reck, sócio e fundador do agregador de ofertas Comune, lançado há pouco mais de uma semana.

O Google, reconhecido como uma empresa pioneira em serviços online, desta vez demorou para agir (pelos padrões da internet, ao menos). Só no final de 2010 o gigante de buscas tentou entrar nesse segmento. Fez uma oferta de US$ 6 bilhões para comprar o Groupon. Não deu certo, e a partir daí o Google começou a correr. Criou a própria ferramenta de compras coletivas, batizada de Offers. Há uma semana, o site de tecnologia Mashable informou que o serviço já estava sendo testado. Outros sites disseram que dava até para usar a ferramenta. Mas o programa que aparece com o nome de Offers no agregador de serviços iGoogle segue o modelo de desconto tradicional nos Estados Unidos. O internauta (em algumas cidades americanas) imprime os cupons que dão direito a um abatimento determinado no preço em um estabelecimento específico. Num site de compras coletivas, o desconto só é dado caso haja um número mínimo de compradores e o cliente paga pelo cupom antes de usá-lo, como se fosse um crédito.

Depois que a notícia vazou, o Google confirmou que está mesmo fazendo um “teste com vouchers/cupons de ofertas pré-pagos”, mas não deu detalhes. Por enquanto, os testes ocorrem em algumas poucas cidades americanas, como São Francisco e Los Angeles. De acordo com uma pesquisa no próprio buscador do Google, existem mais de 42 mil ofertas cadastradas.

O serviço do Facebook, chamado de “Compre com os amigos”, funciona de um jeito diferente. Também em fase de teste, a ferramenta dá descontos em produtos já comprados por amigos, depois que o primeiro comprador recomenda a oferta. O serviço já é usado dentro de jogos da rede. “Não faz parte da estratégia do Facebook negociar ofertas próprias. É mais provável que eles agreguem de outros sites”, afirma Reck.


Groupon, Google e Facebook têm trunfos diferentes. O primeiro conta com a vantagem de ter saído na frente e hoje colecionar mais de 30 milhões de clientes em 35 países, 7 milhões no Brasil. "Não somos uma empresa de programadores. Somos uma organização de vendas, e fazemos isso muito bem", diz Florian Otto, um dos sócios no Brasil. O Facebook tem a maior rede de usuários dos três, e pode usá-la para impulsionar as vendas. O Google, por sua vez, tem uma diversidade de serviços que podem ajudar o Offers, como o Google Maps (os usuários poderiam achar as ofertas mais próximas de onde estão) e os links patrocinados (as pequenas empresas que anunciam também poderiam oferecer pacotes de descontos). Esse pode ser o primeiro grande desafio de Larry Page, um dos fundadores do Google, em seu novo cargo de presidente-executivo da companhia.


Compras coletivas no Brasil

O primeiro site de compras coletivas a funcionar no Brasil nasceu aqui mesmo. O Peixe Urbano, lançado em março do ano passado, tem mais de 1 milhão de usuários e alcança pelo menos 25 cidades. Liderou o mercado até a chegada do Groupon, em junho. Quem trouxe o site americano para o país foram dois sócios alemães. Em poucos meses, a empresa chegou a 33 cidades e planeja expandir para mais 10 no começo deste ano. Eles começam a perceber como é o estilo brasileiro de usar as compras coletivas. As mulheres adotaram a novidade mais rapidamente do que no resto do mundo. Como no resto do mundo, elas são a maioria e também as que mais recomendam ofertas.

Enquanto os americanos gostam de cupons de valores em dinheiro, por aqui fazem mais sucesso as ofertas de produtos ou serviços específicos, como um “alisamento japonês” para cabelos ou “uma caipirinha mais um prato de feijoada”. Com mais de 500 opções de sites de compras, incluindo aqueles que só atendem a regiões ou nichos, o mercado deve crescer em velocidade estonteante em 2011. Por aqui, começam a ser explorados os serviços mais caros (como cruzeiros e viagens) e a oferta por local (dividindo São Paulo em regiões, por exemplo). Com a atuação concentrada no Sul e Sudeste, ainda há muito que expandir.


Os cuidados na hora de fazer uma compra coletiva

Comprar bem em lojas virtuais, incluindo sites de compras coletivas, exige mais atenção com segurança, prazos e regulamentos

A estudante carioca Solange Gonçalves, de 21 anos, tem uma conta de e-mail só para receber mensagens com promoções. Por esse e-mail ela viu duas ofertas que pareceram bons presentes de Natal: um tratamento estético para a irmã e um jantar para o namorado. Ela pagou pelos serviços em um site de compras coletivas. "Sai muito mais barato, e eu posso passar tudo no cartão de crédito. É bem mais fácil do que ir até a loja", afirma. Preço, variedade e comodidade atraem os consumidores para o mundo das lojas virtuais. As vendas pela internet devem crescer 40% em 2010, na estimativa da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (Câmara-e.net). Eis um roteiro de como aproveitar esse shopping center digital:

- Proteja seus dados. "Evite comprar em computadores de lan houses, cibercafés e em ambientes com Wi-Fi (rede local sem fio). É mais fácil roubarem seus dados nesses locais", afirma Valéria Cunha, do Procon-SP. Ao entrar num site de loja virtual, grande ou pequena, confira se ele exibe o desenho de um pequeno cadeado. Um duplo clique sobre o símbolo precisa mostrar um endereço igual ou similar ao da loja que está no navegador. O endereço da página em que o internauta informa dados pessoais precisa começar com o código https, com o "s" de seguro no fim. Se a compra for num site menos conhecido, é necessário também buscar opiniões de outros compradores (fóruns virtuais podem ajudar) e checar sua avaliação em sites de comparação de preços. Se o navegador oferecer a opção de aba "anônima", mais segura
, use-a para fazer a compra;

- A existência física da loja é uma garantia adicional, mas o cliente não pode simplesmente levar para a internet as regras que usa na rua. Deixar compras para a última hora pode até ajudar na busca de pechinchas em lojas físicas,
mas nas virtuais cria o risco de não recebimento da entrega no prazo pretendido;

- Se for o caso, assuma o arrependimento. Pelo Código de Defesa do Consumidor, compras feitas na internet podem ser canceladas em até sete dias, mesmo que não haja nenhum problema com o produto;

Para saber mais, incluindo relatos de insatisfações de usuários, clique aqui


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