Governo decide reduzir valor para tratamento de câncer
Decisão do Ministério da Saúde reduziu o valor de tratamentos de pacientes do SUS com dois tipos específicos de câncer: o linfoma e a leucemia mieloide crônica. Hospitais apontam que o valor a ser pago pelo governo é incompatível com os gastos no tratamento dos pacientes. De acordo com reportagem da Folha, o valor pago pelo governo federal por procedimento quimioterápico caiu R$ 6.804 para R$ 6.164. Segundo médicos e hospitais, a quantia agora só cobre um dos remédios usados no tratamento. Outras quatro drogas que fazem parte do tratamento quimioterápico não estariam cobertas. Para o Ministério da Saúde, as reduções de valores apenas refletem a economia que o governo teve ao adquirir medicamentos a preços menores, e que não há corte de verba para a oncologia.
Duas novas portarias publicadas pelo Ministério da Saúde às vésperas do Natal e que passaram a valer nesta semana reduziram o valor de tratamentos de pacientes do SUS com linfoma e leucemia mieloide crônica. De acordo com o texto, as reduções vão de 9% a 22%. Hospitais apontam que o valor a ser pago pelo governo é incompatível com os gastos no tratamento dos pacientes. Um dos tratamentos afetados é o de linfoma difuso de grandes células B, câncer linfático que acometeu a presidente Dilma Rousseff há quase dois anos.
O valor pago pelo governo federal por procedimento quimioterápico caiu R$ 6.804 para R$ 6.164. Segundo médicos e hospitais, a quantia agora só cobre um dos remédios usados no tratamento, o rituximab, droga de última geração usada por Dilma. Outras quatro substâncias (ciclofosfamida, doxorrubicina, vincristina e prednisona) que fazem parte do esquema quimioterápico não estariam cobertas.
Comentário de Paulo MOreira Leite, G1:Nem todo mundo é José Alencar, gente...
Acabo de ler nos jornais que o ministério da Saúde reduziu a verba do SUS para o tratamento de determinados tipos de cancer. O gasto anterior era de R$ 68oo. Caiu para R$ 6100.
Num país onde todos os preços estão em alta — inclusive da passagem de ônibus em São Paulo, não é mesmo? — essa redução é preocupante, conforme a maioria dos médicos. Tanto é assim que foi resolvida às vésperas do Natal, quando ninguém presta atenção nesse tipo de coisa. Essa decisão seria até menos relevante se o Brasil inteiro não estivesse de olho, há vários anos, no tratamento do vice José Alencar, vítima de um cancer no abdomen que ele enfrenta com coragem, bravura — e os melhores tratamentos que a medicina pode oferecer. Como todos os brasileiros, tenho uma admiração absoluta por José Alencar. Sinto orgulho de sua postura corajosa e fico feliz em reparar que jamais percebi uma sombra de medo em seus olhos — e nós sabemos que ele enfrentou situações pavorosas. Essa postura de Alencar fortalece e estimula todo cidadão e toda família em situação parecida.
Ao longo de seu tratamento, o vice foi submetido a um infinito conjunto de operações e, certa vez, teve de ir aos Estados Unidos para fazer uma cirurgia destinada a corrigir um erro que fora cometido na mesa de operações em São Paulo.
Lembro dessas coisas para perguntar: quanto o vice gastou em sua luta pela vida? Li numa reportagem que os gastos ficaram em R$ 1 milhão, um pouco mais, um pouco menos. É justo. Cada um tem o direito de gastar o que tem para defender o bem mais precioso — talvez o único bem — da existência.
Mas vamos combinar: reduzir verba para tratamento de cancer não dá. Equivale a antecipar o fim da vida de quem nunca teve como se defender, concorda?

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