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COMUNICADO - Novo Site

Nota de Esclarecimento

Importante:

Memória: em 8 setembro 2007, começamos as atividades deste Blog, sob o título Blog da UNR e nossos objetivos estão bem destacados no nosso primeiro post, título 'início das atividades...' .

De imediato, constatamos que estando a esquerda no governo, uma dificuldade se apresentava: contar os erros, as traições, as covardias, os assassinatos, as falcatruas cometidos pela esquerda durante o Governo Militar OU contar os crimes que a esquerda, a petralhada à frente, continua cometendo nos dias atuais? (apesar de fragorosamente derrotada pelos militares a esquerda aproveitou-se da generosidade dos vencedores e voltou tal qual serpente e conseguiu PERDER A GUERRA e vencer a Batalha da Comunicação, passando de vilão a heroína).

A famigerada esquerda conseguiu o poder - agindo disfarçada de democrata - e passou a mostrar, de forma descarada, ser pior que antes.

Diversos motivos, que não vem ao caso aqui detalhar, tornaram conveniente alterar o nome do Blog da UNR, que passou a denominação de BLOG PRONTIDÃO, mantendo a URL.

Apesar de ser um Blog pequeno, fruto de um trabalho amadorístico, porém de muita dedicação, contando com poucos seguidores, alguns visitantes fiéis, outros eventuais, tivemos a imensa alegria de constatar que incomodávamos a petralhada - o que foi fácil perceber pela necessidade de 'moderar comentários', pelos xingamentos que recebemos a cada postagem, tentativas de invasão (parcialmente exitosas, com modificações de postagens {o mais odioso foram as vezes que conseguiram mudar palavras, trechos de postagens, títulos, e passar a idéia que defendíamos o desgoverno petralha}).

Para tornar mais dificil que os guerrilheiros da informática à serviço do desgoverno - o ministro da Secom, Traumann, foi demitido por admitir publicamente que o desgoverno Dilma, a exemplo do seu antecessor $talinácio Lula, usam a guerrilha virtual - continuassem a nos incomodar, decidimos suspender, temporariamente, a veiculação de POSTs no Blog Prontidão, passando a veicular no Blog PRONTIDÃO TOTAL, usando outra URL.

Claro que alguns leitores não acessaram o Blog Prontidão Total - o que atribuímos a alguma falta de comunicação da nossa parte - porém, de tudo concluímos que podemos e VAMOS PERMANECER firmes e fortes, protegidos da sanha 'assassina' dos guerrilheiros virtuais do desgoverno, contando a verdade, tudo o que soubermos e o nosso amadorismo permitir, do muito de ruim, de nocivo, de pernicioso, que o atual desgoverno pratica, estimula, esconde e apoia.

Voltar ao Blog PRONTIDÃO seria pretender que nossos poucos leitores ficassem pulando de galho em galho - a manutenção da nossa 'linha editorial', que vem desde 2007, é eloquente e fiel aos fatos ao provar que nossos ideais permanecem firmes, estamos apenas mais fortes.

Vamos continuar com a denominação Blog PRONTIDÃO TOTAL, na URL que atualmente atende àquele Blog, mantendo nossa postura de apresentar sempre a VERDADE - verdade que representa os fatos (aliás, não podemos esquecer, verdade e fato são unos)e não a verdade conveniente (tática usada pela esquerda petralha).

Felizmente, temos dois leitores, afinal, escrevemos e vamos continuar escrevendo para dois leitores: "Ninguém" e "Todo Mundo".

Por favor, nos honre com sua visita, clicando aqui: Blog Prontidão Total ou em qualquer link disponível, em azul, neste texto

ou colando em seu navegador: http://brasil-ameoudeixe.blogspot.com.br/

ou Blog Prontidão Total

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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A Líbia sem Khadafi

Análise: Como ficaria a Líbia sem Khadafi

O regime de Muamar Khadafi na Líbia dá mostras de estar estar vivendo seus últimos dias. E já se pergunta o que poderá vir em substituição.
Mas a Líbia é um país ao qual não se aplicam as armadilhas típicas de um Estado normal.

O coronel Muamar Khadafi criou um sistema tão personalizado de governar que não deixou espaço para ninguém além dele mesmo, sua família e a pequena elite governante, muitos dos quais foram tirados de sua própria tribo, Qadhadhfa. Diferentemente da Tunísia e do Egito, as forças que poderiam facilitar o processo de transição, como partidos políticos, sindicatos, grupos de oposição ou organizações da sociedade civil simplesmente não existem na Líbia.

De fato, o país sempre chamou atenção pela quase que total ausência de instituições operantes, já que todo poder foi concentrado fortemente em torno do ''líder irmão''. O culto à personalidade parcialmente explica por que Khadafi vai lutar até a morte. Apesar de seu poder estar diminuindo, com a oposição se aproximando cada vez mais, ele ainda controla a capital Trípoli, sua tradicional base de poder.

Mas se ele mantiver o controle sobre a cidade, a sua capacidade de governar o país passará a ser quase inexistente. Suas ações nos últimos dias destruíram quaisquer resquícios de credibilidade dele e de seu regime. E a repressão por si só não é uma garantia de que ele irá se manter no poder.

Ataques de vingança

Tudo isso deixa a Líbia em um impasse. Não existe nenhuma força de união ou uma personalidade que poderia entrar em cena e assumir o controle, deixando o risco de que o país enfrente um vácuo de poder. Isso pode fazer com que vários protagonistas deste processo, em especial líderes tribais, tentem se impor ou ao menos tentem assumir o controle de suas regiões.

Dado o longo histórico de antagonismo entre as tribos da Líbia, é improvável que este seja um processo harmonioso. E ele tampouco será auxiliado pelas armas que já estão circulando entre os manifestantes, o que pode inclusive induzir a mais violência.

Muitos líbios temem, inclusive, que o país possa mergulhar no caos ou na anarquia ou, na pior das hipóteses, em guerra civil. Ainda que essa possibilidade seja um tanto exagerada, a chance de o país enfrentar conflitos e violência é real. E, em meio a esse contexto, ataques motivados por vingança também são uma possibilidade.

Aqueles que estiveram envolvidos com as notórias forças de segurança de Khadafi, inclusives os odiados Comitês Revolucionários, não deverão escapar ilesos. A perspectiva de se ver gangues armadas e de remanescentes do regime de Khadafi combatendo outras facções é algo que leva a se temer pelo futuro. A fim de evitar tamanho caos, alguns líbios estão na expectativa de que o Exército entre para decidir o jogo, depondo Khadafi e supervisionando o processo de transição.

Exército

Mas, no entanto, o Exército de Khadafi é pouco profissional, dividido e foi intencionalmente mantido enfraquecido pelo coronel ao longo de anos para evitar qualquer tentativa de golpe. Além do que, há poucos sinais de que o Exército tenha deixado de dar apoio ao regime. Só que alguns integrantes das Forças Armadas já desertaram para o lado dos manifestantes, juntamente com figuras do alto escalão do governo e diplomatas.

A maior esperança da Líbia reside nestas pessoas, que, juntamente com representantes de outros seguimentos da sociedade líbia possam facilitar a transição pós-Khadafi. Este grupo incluiria ainda integrantes da oposição no exterior, intelectuais reformistas e membros do clero. Todos estes anunciaram apoio aos protestos logo no seu começo.

Esse vasto compêndio de nomes precisa atuar próximo aos líderes tribais para garantir a segurança do país. Mas esta possível conjuntura não estaria desprovida de problemas. É questionável se grupos tão díspares e com uma longa história de antagonismo podem trabalhar juntos e alcançar um consenso. Mais importante, ainda que os moradores da região oeste da Líbia possam tranquilamente apoiar ex-oficiais do Exército e membros do regime, tal apoio seria bem menos palatável para os moradores do leste do país.

Existem até indícios, que não são plenamente fundamentados, de que o leste poderia se separar e formar a sua própria região independente. Tais tentativas poderiam resultar em ainda mais caos e derramamento de sangue.

Vizinhos

A Líbia claramente enfrenta uma batalha ladeira acima. Como a comunidade internacional irá lidar com esses eventos é algo ainda a ser visto.

Um Estado falido na Líbia teria sérias implicações para a Europa, particularmente, por conta de temas como fornecimento de petróleo e imigração ilegal.

Talvez a melhor tática seja buscar as forças capazes de administrar uma transição, oferecendo apoio e assistência para a construção de um Estado no longo prazo. Tal apoio será crucial se a Líbia pretende sobreviver à era pós-Khadafi.

Enquanto isso, países vizinhos estarão observando os acontecimentos de perto. Uma Líbia desestablizada é a última coisa que a Tunísia e o Egito querem, enquanto lutam para implementar os seus períodos de transição.

Ainda que Khadafi não deverá deixar saudades se cair, os dois países provavelmente irão se preocupar com temas econômicos, já que a Líbia há muito é uma fonte de emprego para milhares de egípcios e tunisianos e o comércio transfronteiriço é algo importante.

Na região como um todo, Khadafi costuma ser visto como um bufão e poucos sentirão a sua falta.

Mas o triunfo do poder popular na Líbia ressonaria com vigor pela região, em especial na Argélia, servindo tanto de alerta para regimes e como fonte de esperança para populações que ainda clamam por mudanças.

Fonte: Reuters

Governo mais uma vez sacrifica as Forças Armadas

Governo não comprará caças, mas dará mais ao BNDES

O governo detalhou hoje quais ministérios serão afetados pelo corte de R$ 50 bi no Orçamento. A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, disse que as despesas vão cair de 18,8% do PIB para 17,8% em 2011, contrariando as previsões de muitos economistas, mas o ministro Guido Mantega, por sua vez, afirmou que será anunciada esta semana uma nova capitalização do BNDES. Não adianta continuar com esse "orçamento paralelo", brilhante expressão usada pelo professor Rogério Werneck para falar da situação confusa das contas públicas. O ministro acertou, no entanto, quando disse que o governo não vai comprar os caças da FAB este ano, porque não há espaço para isso.

Na semana em que o Copom se reúne para decidir a nova taxa de juros, Mantega disse que o objetivo principal do corte de gastos não é controlar a inflação. Fez questão de dizer que a política econômica do governo não está mudando, mas se adaptando para garantir um crescimento sustentado. Apesar de o governo ter dito que os programas sociais passariam longe da tesoura, o projeto Minha Casa, Minha vida, [também conhecido como 'bolsa-cortiço'] que faz parte do PACo, foi afetado: o corte é de mais de R$ 5 bi.

A ministra do Planejamento afirmou ainda que os ministérios da Cidade e da Defesa sofrerão os maiores cortes nominais, mas olhando para os percentuais, Turismo e Esporte serão os mais atingidos. De acordo com o governo, os gastos discricionários dos ministérios terão corte de R$ 36,2 bilhões, enquanto as obrigatórias sofrerão redução de R$ 15,7 bilhões - R$ 3,5 bilhões de gastos com pessoal.

Fonte: Blog da Míriam Leitão

Senado Federal preparado para a morte de Sarney

Vaza obituário preparado pelo Rádio Senado para eventual morte de Sarney

Com 81 anos, José Sarney (PMDB-AP) disse fazer um “sacrifício” no ínicio do mês ao assumir pela quarta vez o comando da Casa. Com a saúde debilitada, ele ficou metade do mês de outubro de 2010 internado em hospitais do Maranhão e de São Paulo após sofrer uma arritmia cardíaca. Na Casa, porém, parece haver setores preparados para um eventual falecimento do presidente. A Rádio Senado, inclusive, já tem pronto um obituário para colocar no ar caso o fato venha a acontecer.

O Radar Político teve acesso a uma gravação de 21 minutos com o título “Reportagem especial em homenagem ao senador José Sarney”, produzida pela equipe da rádio oficial da Casa. A Secretaria Especial de Comunicação do Senado negou que a Rádio tenha um obituário pronto e afirmou que há apenas uma “biografia” de Sarney, como haveria de todos os outros 80 senadores.

Ouça o programa na íntegra aqui.

A Secretaria, porém, não soube explicar por que os verbos do material obtido pelo Radar Político estão todos no pretérito. “Além de uma extensa vida política, Sarney se destacou nas artes. Ele era membro da Academia Brasileira de Letras desde 1980″, diz um trecho. A justificativa oficial é que pode ter havido “erro verbal”. O material mistura entrevistas e discursos de Sarney com falas de outras personalidades políticas, como Tancredo Neves, já falecido. A gravação começa com a afirmação de que “o ponto mais alto da carreira de Sarney foi a Presidência da República”, mas antes destaca a trajetória do maranhense até chegar a este posto.

Em trecho de entrevista, Sarney afirma que o regime militar aconteceu por que “todo o país sentia que estava à beira de uma desordem coletiva”. Seu papel no regime ocupa a primeira parte do obituário, com destaque para sua primeira reeleição para o Senado em 1978. O narrador destaca que ele teve “o maior percentual de votos naquela eleição em todo o país”. O período de Sarney na presidência da República é destacado, principalmente, com a convocação da Assembleia Constituinte. A reportagem lembra também da hiperinflação. “O lado ruim do governo Sarney foi a grave crise econômica que atingiu o pais”, diz o narrador, que lista todos os planos econômicos fracassados daquela época.

A matéria destaca que na primeira vez que presidiu o Senado, entre1995 e 1997, Sarney criou o sistema de comunicação da Casa e menciona que um plano estratégico feito em 2010 decidiu pela ampliação. A crise do Senado, que explodiu na terceira administração do peemedebista a frente da Casa, também é lembrada na reportagem. A gravação coloca como problemas administrativos o excesso de diretores, o pagamento de horas extras no recesso e os atos secretos. O enfoque, porém, é de destacar “40 medidas” que foram tomadas pela administração Sarney para melhorar a estrutura da Casa e que Sarney foi absolvido pelo Conselho de Ética das acusações feitas contra ele. O tema é encerrado com uma afirmação dele do fim de 2009 dando a crise por encerrada. Não há qualquer menção à reforma administrativa prometida por ele e que até hoje não foi aprovada.

O material fala ainda da defesa de Sarney do Mercosul, de suas atividades literárias e de suas colaborações com veículos de imprensa. Todos os termos são usados no pretérito, apesar de ele ainda executar algumas dessas atividades.

Por: Eduardo Bresciani, do estadão.com.br em Brasília

Militares da Ativa, que hoje tentam menosprezar o Coronel Ustra, agradeçam aos que como ele, lutaram para que vocês vivam em paz

Hiprocrisia Militar


Uma mania humana é analisar as situações por uma ótica simplista, por um viés parcial, sem considerar os méritos que conduziram a determinada situação. Ante o caso do Coronel Ustra, temos ouvido de muitos militares, principalmente da Ativa,um ar de condenação, de desdém, não se atrevem a emitir juízo de valor, mas agem com ar de superioridade, tratando-o como uma espécie de ralé da classe, uma aberração. Vide recente proibição ao Coronel Ustra de proferir palestra no CPOR do Rio, julgando-o inadequado.

Peço licença aos que pensam assim pra seguir o seguinte raciocínio. A história de 1964 já é por todos conhecida, mas só para relembrar, estávamos em plena Escalada Revolucionária, e, após sucessivas demonstrações de anarquia, baderna, desordem, precipitou-se a Contra-revolução. Daí em diante aumentou a escalada do conflito interno, até que, em 1966, o atentado a bomba no aeroporto de Guararapes detonou o início da luta armada.

Pergunto aos que se julgam superiores, como deveria ter sido a reação? Tíbia, vacilante, respeitadora dos direitos individuais, o batido Direitos Humanos. Vivemos uma era interessante sobre a égide do terrorismo mundial. Como os americanos deveriam ter confrontado o terrorismo que numa só tacada matou quase 3.000 pessoas? Usando das estratégias tradicionais, pressão diplomática, negociações? Estes que se arrogam superiores por não terem tido que lutar contra o terrorismo, você como militar que solução proporia?

Agora, fora do contexto é muito fácil qualquer um falar sobre como se abusou na luta contra subversão. Como deveriam ter agido como na Colômbia, onde "coincidentemente" a guerra subversiva se iniciou em conjunto com a que aqui eclodiu. Para quem não conhece o que aconteceu e acontece na Colômbia, basta seguir a lógica.

Quando do surgimento dos primeiros focos de guerrilha, o estado Colombiano vacilou em tomar decisões duras. Sabem o resultado, milhares de viúvas de militares de todas as armas, quase 50000 mortos, mais de 100 vezes mais mortos do que aqui. Aos que querem ignorar os fatos, basta ler qualquer jornal da Colômbia, veja quantos militares mortos. Isso há mais de 40 anos.

Portanto aos que condenam, saibam que sua paz teve um preço, o fato de poderem viver relativamente em paz, terem um lar para voltar, seus filhos e netos com integridade física, seu próprio bem-estar, é um legado daqueles que cumpriram sua missão, não fugiram ao seu dever, nem a luta.

Soldados da paz jamais devem condenar os soldados da guerra, eles que foram as trincheiras, fizeram o que tinham que fazer. Na escala da honra isso vale muito mais do que alguém que passou 30, 40 anos em serviço sem sofrer um único arranhão pelo simples fato de ser militar. Pois foi isso que aconteceu aqui, onde muitos jazem mortos, tendo como único crime ter seguido a carreira militar. Desçam do seu salto alto, vocês não têm envergadura moral de julgar, muito menos condenar ninguém.Recolham-se aos seus lares, ao seu sono tranqüilo, porque os que cumpriram seu dever,
pela ordem e paz da nação estão sendo covardemente linchados.

Por: Claudio Buchholz Ferreira - Capitão-de-Mar-e-Guerra da reserva.

Transcrito do: Blog Alerta Total

Chefiar governo e Estado foi demais para a cabeça no Lula e os dois neurônios que ele possui, travaram

LULA E DILMA, UM BOM EXEMPLO

Não, leitor, não estou ficando louco, nem fui cooptado. Afirmo que ambos são bons exemplos para evidenciar a diferença entre as funções de chefe de Estado e de chefe de governo, tarefas que, em nosso país, incorremos na rematada tolice de atribuir à mesma pessoa.

Nestes últimos dias, a mídia tem comentado a dedicação da presidente às atividades relacionadas à gestão. Dá expediente e faz a equipe trabalhar às sextas-feiras. Um exagero. Uma demasia que espanta o país porque sexta-feira em Brasília é que nem segunda-feira em Brasília. Não se trabalha. Enfim, é exaustivo o cotidiano esforço da presidente para consertar o estrago que sua eleição determinou nas contas públicas com o ufanismo perdulário dos últimos anos. Criou-se, pois, uma situação curiosa. Em tudo que importa estamos sob o mesmo governo do ano passado. Trocamos cinco por meia dezena. Coube à mãe do PACo, não obstante, cortar R$ 50 bilhões do orçamento que

seu governo propôs executar neste ano e fez aprovar - sabe quando? - três dias antes do Natal de 2010. Data da amputação: 9 de fevereiro de 2011. Eta orçamento com prazo de validade curtinho! Parece iogurte.

Pois bem, enquanto trabalha, Dilma não viaja. Se não viaja, não segura criancinhas no colo, não massageia o ego dos políticos da base, não se vangloria, não exibe às lideranças planetárias os proclamados avanços sociais e econômicos do país, nem se oferece para resolver as encrencas que estão eclodindo no outro lado do mundo. Ou seja, Dilma está fazendo pouco, muito pouco, quase nada daquilo que Lula fazia em tempo integral como chefe de Estado porque continua dedicada ao que antes lhe competia como encarregada do governo.

Eis por que Lula e Dilma são exemplos para se compreender a diferença entre as funções que, em nosso sistema, se fundem na presidência da República. É como se, numa grande empresa, as tarefas de marketing, ou de assuntos corporativos, fossem exercidas em acúmulo com as de produção industrial, por uma única pessoa. Não tem como dar certo, seja sob o ponto de vista das operações da empresa, seja sob o ponto de vista funcional e político no ambiente institucional do País. E tem mais. No governo existem unidades de despesa sem utilidade para o mercado político: o quadro de pessoal permanente, a previdência, a dívida e o custeio da máquina. As blue chips desse mercado são os investimentos e os cargos de livre nomeação, moedas de troca cujo tilintar mantém unida a base. E cabe também à presidência da República comandar essa imensa estrutura funcional-partidária com que é instrumentalizada uma administração pública que deveria ser profissional e imparcial. Não se requerem grandes suores nem fatigante aeróbica mental para compreender a estreita relação entre a corrupção (ocupamos o pornográfico 69º lugar no ranking) e o absurdo aparelhamento partidário da administração e das estatais.

Estão em formação, na Câmara e no Senado, comissões para estudar a reforma política. Receio, receio muito, que esta pauta fique fora dos debates por prejudicial ao "mercado", inconveniente, amaldiçoada. Lembro, porém, que todos os 20 países menos corruptos separam Estado, governo e administração. Por que será? Se não mudar nosso sistema de governo, o Congresso terá que explicar por que preservou em salmoura, intangível, um sistema ficha-suja que concede aos políticos 92% de rejeição. A oito centímetros do fundo do poço do descrédito.

Fonte: Blog do Percival Puggina

Ministério Público inocenta Allan Turnowski - ex-chefe da Polícia Civil do Rio e não o denuncia

Promotor diz que não foi comprovado que Turnowski sabia de operação

Ele pediu que inquérito fosse encaminhado ao Jecrim. Ex-chefe de Polícia Civil foi indiciado pela PF por violação de sigilo.

O promotor de Justiça Homero das Neves Freitas Filho, que estava encarregado do Inquérito Policial contra o ex-chefe da Polícia Civil do Rio, Allan Turnowsky, pediu nesta segunda-feira (28) que o inquérito fosse remetido a um dos promotores do 2º Juizado Especial Criminal (Jecrim), que julga crimes de menor potencial ofensivo.

Para o promotor, não há comprovação de que Turnowski soubesse da Operação Guilhontina, da Polícia Federal, e nem que a interferência do delegado tenha permitido a fuga de um dos procurados. O ex-chefe da Polícia Civil foi indiciado pela PF em 17 de fevereiro por violação de sigilo funcional. Ele havia deixado o cargo dois dias antes.

Após o indiciamento, na saída da Superintendência da PF, Turnowski negou que soubesse da operação e disse que o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, confirmava sua versão. Na ocasião, ele disse não acreditar que a acusação passará "pelo crivo do Ministério Público ou da Justiça." [acusação não resistiu à primeira peneira.]

A Operação Guilhotina, que investiga o envolvimento de policiais com traficantes, milícias e a máfia dos caça-níqueis, foi desencadeada pela PF no dia 11 de fevereiro e prendeu mais de 30 pessoas, a maioria policiais. Entre eles, o delegado Carlos Oliveira, que já ocupou o cargo de subchefe operacional da Polícia Civil e havia assumido a subsecretaria de Operações da Secretaria Especial da Ordem Pública (Seop). Oliveira está no presídio Bangu 8, no complexo penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste.

Fonte: G 1

PETROBRÁS ainda tenta descobrir tecnologia para explorar petróleo no pré-sal

Tecnologia e logística em águas profundas

Para produzir petróleo em águas profundas a 350 quilômetros da costa na Bacia de Santos, a Petrobrás terá de superar problemas técnicos e logísticos

As descobertas em águas profundas na Bacia de Santos estão levando a Petrobrás a dar saltos para o futuro, abordando desafios pioneiros de tecnologia e logística, numa escala sem precedentes na indústria mundial de petróleo. Cientistas e engenheiros do Cenpes, centro de pesquisas da Petrobrás, tentam encontrar uma maneira de instalar plantas de processamento automatizadas para separar o gás, o petróleo e a água no leito marinho, a cerca de dois mil metros de profundidade. Essas plantas funcionarão movidas por geradores elétricos submarinos que também bombearão petróleo e gás, através de dutos instalados no fundo do Atlântico Sul, para estações coletoras a centenas de quilômetros de distância.

"Nossa meta para os próximos dez anos é não necessitar de plataformas de produção na superfície do oceano", disse o diretor da Cenpes, Carlos Tadeu Fraga, para o jornal Valor Econômico. "Em termos de inovação, há um raciocínio que muda a capacidade das pessoas de realizarem algo novo, dependendo da pergunta feita. Ao abordar uma ideia nova, há duas formas de reagir. Uma é: ‘Por quê?’. Outra é ‘por que não?’"

Existem muitos "por que não" à medida que a Petrobrás tenta contornar obstáculos para produzir óleo e gás a sete mil metros de profundidade no Atlântico Sul. Embaixo do leito marinho, com furos atravessando três mil metros de rochas que cobrem uma camada de sal com dois mil metros de espessura, foram achados micróbios fossilizados, transformados pelo calor e a pressão em petróleo e gás durante milhões de anos. Os técnicos da Petrobrás falam em construir plataformas totalmente automatizadas. Mas, até agora, no setor petrolífero, plataformas não manejadas por humanos estão situadas principalmente em campos mais antigos e em águas rasas, como no Golfo do México e no Mar do Norte norueguês. Todas localizadas mais próximas da costa do que os poços na Bacia de Santos.

Transferir os equipamentos de produção para o leito do mar já é meta da indústria global do petróleo, que explora em águas cada vez mais profundas. O sal embaixo distorce as ondas sonoras sísmicas, que se propagam muito mais rapidamente através do sal do que pelas rochas em torno, mudando as imagens da mesma maneira que um lápis parece ficar torto quando colocado dentro de um copo de água, "como uma imagem de TV embaçada, nebulosa", disse um geofísico. Uma inovação da empresa independente Anadarko, usando ondas sísmicas em 3D processadas por supercomputadores para detecção de estruturas geológicas promissoras, levou à descoberta do campo de Mahogany pela Phillips em 1993 e a uma nova onda de exploração no subsal do Golfo do México. "Estamos na aurora da jogada subsal global", disse Clint Moore, que criou o processo de ondas sísmicas da Anadarko nos anos 90. "Agora que temos uma nova ferramenta para ver embaixo e dentro das bacias de sal do mundo, isso fará uma enorme diferença na quantidade de petróleo e gás que poderá ser descoberta nessas bacias geológicas complexas." A Petrobrás absorveu essas novas técnicas nas suas descobertas em águas profundas.

A Petrobrás gera apenas 6% da sua produção diária em seus projetos internacionais no Golfo do México, África Ocidental, América do Sul e Austrália, mas ela ganha conhecimento técnico e geológico com essas atividades em parceria com outras companhias. Assim, a Petrobrás avançou numa mistura de nacionalismo e internacionalismo, absorvendo tecnologia e técnicos do exterior e enviando centenas de brasileiros para universidades de outros países para criar uma equipe técnica de gabarito mundial.

Até agora, a maior conquista na instalação de equipamentos de produção no leito do mar é a plataforma de Perdido, da Shell, de US$ 3 bilhões, no Golfo do México, montada sobre um cilindro de aço flutuante na mesma distância da costa como as descobertas de Tupi. "Perdido abriu uma nova fronteira na produção de petróleo em águas profundas", disse Tyler Priest, historiador da indústria do petróleo na Universidade de Houston. "É a instalação mais avançada no mundo." Em Perdido é feita a perfuração, coleta e separação do óleo e gás de 35 poços espalhados numa área de 80 quilômetros quadrados no leito mar. Equipamentos sensíveis ficam dentro de um hangar fechado, do tamanho de um campo de futebol, fincado no leito do mar para proteção das correntes e avalanches submarinas. Os dados do metabolismo do complexo de Perdido, como também do projeto BC-10 da Shell na Bacia de Campos, são monitorados num centro de controle remoto em Nova Orleans, nos Estados Unidos. No campo do Parque das Conchas, na Bacia de Campos, a Shell instalou em 2009 o primeiro sistema de bombeamento e separação de gás e petróleo submarino, mesmo antes da tecnologia ser usada no complexo de Perdido, cujas operações começaram em 2010. Para produzir petróleo em águas profundas a 350 quilômetros da costa na Bacia de Santos, a Petrobrás terá de superar problemas técnicos e logísticos mais difíceis do que aqueles enfrentados pelas companhias no Golfo do México, que hoje respondem por um quarto da produção de petróleo dos Estados Unidos, onde os depósitos de sal submarino cobrem 85% da plataforma continental.

As camadas de sal na Bacia de Santos são muito espessas, chegando em alguns lugares a cinco mil metros. São plásticas, móveis e heterogêneas, contendo tipos diferentes de sal, mudando de posição à medida que as perfurações são realizadas. "Perfurar esses reservatórios de pré-sal implica desafios gigantescos", observaram os engenheiros da Petrobrás durante a Offshore Technology Conference (OTC), em Houston. "De todos esses desafios, o deslizamento do sal é o mais comum e mais difícil de administrar." As camadas de sal são tão instáveis que podem engolir as brocas de perfuração e derrubar a carcaça que envolve o tubo de perfuração. "Os reservatórios de microcarbonatos ainda são pouco conhecidos", disse um engenheiro veterano. "O petróleo sai do reservatório muito quente para chegar a um ambiente frio, com apenas 4º centígrados, e congela para virar cera, bloqueando o tubo, a menos que produtos químicos especiais sejam adicionados e esse tubo seja continuamente lubrificado." A instabilidade das camadas de sal impede a perfuração horizontal para aumentar a recuperação dos reservatórios imediatamente abaixo do sal.

Na superfície do oceano existem mais problemas logísticos e de engenharia. "Nas descobertas de pré-sal, temos dois tipos de problemas logísticos", disse o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, numa entrevista. "O primeiro tem a ver com pessoas, e é um problema de distância. Na Bacia de Campos, agora nossa principal área de produção, fazemos 60 mil viagens de helicóptero ao mês para transportar pessoas entre as plataformas e a costa. Mas os blocos de pré-sal na Bacia de Santos podem estar a uma distância de 300 quilômetros, longe demais para transportarmos tanta gente por helicóptero. Assim, precisamos, em primeiro lugar, reduzir o número de pessoas trabalhando nas plataformas e aumentar a automação.

Precisamos colocar plataformas a meio caminho entre a costa e as descobertas de pré-sal para servirem como centros logísticos e também como dormitórios, de modo que os trabalhadores que chegam por barcos possam ser distribuídos por helicópteros para as plataformas de produção depois de passarem a noite no centro logística. O segundo problema é a entrega de material para as operações em alto-mar. É preciso transportar produtos químicos, máquinas, eletricidade.

Provavelmente teremos plataformas especiais para geração de eletricidade e outras para a mistura de substâncias química para os fluidos de perfuração."

Guilherme Estrella, diretor de exploração e produção da Petrobrás, imagina 50 plataformas operando na área das descobertas iniciais, cada uma consumindo 100 megawatts de eletricidade, totalizando 5 mil megawatts de capacidade, gerada por 200 turbinas movidas a gás, o equivalente ao consumo de energia na região da Grande São Paulo, com aproximadamente 20 milhões de habitantes. Na Bacia de Santos, bases para grandes frotas de helicópteros e navios de apoio devem mudar a ecologia do litoral, com o porto de Santos se tornando um novo centro de gerenciamento das explorações em alto-mar.

Uma dificuldade para criar essas plataformas logísticas é garantir a estabilidade em mar agitado para permitir a atracação segura, como também a chegada e saída de navios e helicópteros. "Já nos ofereceram até porta-aviões para servir como centros," disse José Formigli, diretor de operações do pré-sal da Petrobrás. "Mas os porta-aviões têm o mau hábito de virar de um lado para outro. Sua carcaça é fina, pois têm de ter velocidade, e assim, quando estão parados, eles balançam e os helicópteros não conseguem aterrissar."

A Petrobrás enfrenta desafios de engenharia para aumentar a produção além dos 20 mil barris diários obtidos no teste realizado no seu campo de Tupi, rebatizado Lula, e além dos 100 mil barris diários no projeto-piloto com um barco perfurador em Angra dos Reis, que começou a operar em outubro de 2010. Uma nova expansão desse cluster vai exigir a instalação de mais 10 plataformas em 2016. Um gasoduto no leito do mar enviaria o gás a 300 quilômetros para o Terminal de Cabiúnas, no Estado do Rio de Janeiro. A Petrobrás avalia a possibilidade de liquidificar o gás natural em alto-mar, para exportar.

O cluster do campo de Lula é só uma das várias descobertas sendo avaliadas. Na conferência da OTC em Houston, em 2009, José Formigli, diretor de operações do pré-sal, explicou porque a Petrobrás precisa inovar para desenvolver o cluster do pré-sal, por causa da escala de produção e das "características singulares" da área: águas ultraprofundas, locais remotos, contaminantes na produção dos fluidos, alto conteúdo de gás, etc". Um grande obstáculo, disse Formigli, é a falta de espaço nos deques de superpetroleiros convertidos (FPSOs), usados como plataformas de produção, por causa da quantidade de equipamento especial necessário para separar e processar o gás natural contido no óleo cru, remover contaminantes e recolocar grandes quantidades de gás, dióxido de carbono e água de volta no reservatório para manter a pressão do poço. Por isso, a indústria procura instalar mais equipamentos no leito do mar.

Formigli comparou a escala de produção no imenso campo de Lula com a do campo gigante de Marlim, na Bacia de Campos, que produzia 645 mil barris diários em 2002, mas declinou para menos de 300 mil em 2010. Enquanto o campo de Marlim foi desenvolvido com sete plataformas, ou FPSOs, produzindo 130 poços, o campo de Lula precisaria de 15 a 25 FPSOs alimentados por 2 mil poços, usando os mesmos conceitos de desenvolvimento do campo de Marlim, "o que resultaria em projetos não econômicos".

Um estudo feito pelo banco de investimentos Credit Suisse alertou para os ganhos decrescentes das novas descobertas, uma vez que a base de recursos da Petrobrás "cresceu a tal ponto que as descobertas marginais têm um valor muito baixo, uma vez que os campos existentes já são suficientes para garantir uma reserva com mais de 50 anos de vida". Mas as estimativas das reservas, a partir de dados nebulosos sobre as novas descobertas na Bacia de Santos, variam muito. Estão baseadas em informes de duas consultoras internacionais divulgados pouco antes da capitalização de US$ 67 bilhões da Petrobrás, em setembro passado, num ambiente pré-eleitoral muito politizado.

As descobertas no pré-sal parecem alimentar muitos mitos. Que escondem questões inquietantes. José Gabrielli declarou em reuniões públicas que o programa de investimento da Petrobrás para 2010-2014, de US$ 224 bilhões, está absorvendo anualmente um décimo da formação de capital fixo bruto do Brasil, num país com uma das mais baixas taxas de investimento público na América Latina. O Brasil precisa realmente investir no pré-sal nessa rapidez e escala? Esses investimentos acelerados não criarão distorções por si sós? Esses investimentos no petróleo são mais importantes para o futuro do país do que investir mais em escolas, portos, aeroportos, geração e transmissão de energia elétrica, comunicações, saneamento básico e infraestrutura de transporte? Futuros artigos desta série abordarão algumas dessas questões.

Tradução de: Terezinha Martino - O Estado de São Paulo

ONGs para elas não falta dinheiro público

DESDE QUANDO PARTIDO TEM ONG?

Jamais especulo sobre a honra de quem quer que seja. Deixo esse trabalho para o jornalismo investigativo, para as instituições policiais e para o Ministério Público. É uma praia onde não sei nadar. O que me interessa nessa pauta não é a possibilidade de que alguma ONG esteja cobrando comissão de prefeituras para prestar serviços, recebendo por atividades que não executou, ou repassando recursos para partidos políticos. Quem tiver competência institucional ou funcional para averiguá-lo que o faça. E cadeia para os responsáveis.

Interessa-me algo que está por trás dessas notícias. É a informação, surpreendente, de que existem ONGs que são ligadas ou aparelhadas por partidos políticos. Que funcionam como braços dos partidos. E que recebem dinheiro do governo. Mas desde quando partidos têm ou controlam ONGs que prestam serviços ao poder público? Que negócio é esse? Eu sei que a noção de limite acabou quando Getúlio se matou. Ele foi o último. Os que vieram depois e se viram em mar de lama parecem ter jurado a si mesmos que avançariam sempre, derrubando as barreiras do pudor e que resistiriam sob quaisquer circunstâncias. E o povão aplaude quem é persistente. Mesmo que no crime. Já não se trata, nesse nosso modelo institucional que funciona como um moedor da democracia, de os partidos fazerem o que lhes compete: consolidarem sua doutrina, planejarem sua ação, formarem seus quadros para o exercício do poder, analisarem as realidades nacionais, elaborarem diagnósticos e definirem estratégias de intervenção na realidade. Qual! Isso seria pedir muito a organizações que, no moinho do modelo institucional, viraram farinha de si mesmos. Ou, menos metaforicamente, se transformaram em cartórios políticos para viabilização dos processos eleitorais. Ou, mais incisivamente, varreram a dignidade como lixo para baixo dos espessos tapetes do poder.

Quando comecei a vasculhar na rede informações sobre essas ONGs, fiquei sabendo, aparentemente com uma década de atraso, que se existe algo para o que não falta dinheiro no Brasil é para essas instituições. Curioso, não é mesmo? Não há recursos para o SUS, para Educação, para a Segurança Pública, para a infraestrutura nacional, para modernizar o transporte urbano e os aeroportos. Mas para uma ONG bem aparelhada, com o cordão umbilical ligado à placenta de um partido a serviço da causa (é sempre a mesma causa, em nome da qual a moral se ajoelha penitente), milhões são distribuídos com aquela prodigalidade de Silvio Santos lançando notinhas de cem ao auditório. Talvez o leitor não saiba, mas essa conta é grande e de todos nós. Trata-se da velha malandragem que venho apontando como pináculo das estratégias políticas nacionais, pela qual se toma dinheiro de todos para dar a alguns que se bronzeiam nas suaves enseadas do poder. A edição da Revista Exame do dia 23 de fevereiro, em sua Carta ao leitor, entra no coro e adverte para o "preço que será pago pelo desleixo público, pela gastança em prol de benesses políticas, pelas bondades voltadas para alguns e pagas com o dinheiro de todos".

Não estou generalizando sobre o vasto conjunto das Organizações Não Governamentais. Inúmeras delas se dedicam a nobres funções, envolvem intenso voluntariado e executam tarefas socialmente valiosas por muito menos do que custariam se cumpridas pelo setor público. Mas, convenhamos, ONG aparelhada por partido político e atendendo demandas do governo é uma bofetada no rosto do contribuinte.

Por: Percival Puggina

Brasil o país dos apagões. E vai piorar.

Brasil é líder mundial em apagões
Nos
últimos meses, uma série de apagões e blecautes regionais causaram transtornos e prejuízos aos brasileiros e o
fato se torna cada vez mais frequente no país. Segundo levantamento feito pelo Estadão, isso faz com que o Brasil se torne líder mundial de apagões.

Das seis maiores ocorrências registradas no mundo desde 1965, três são do Brasil: em 1999 (97 milhões de pessoas), 2009 (60 milhões) e 2011 (53 milhões), segundo a consultoria PSR. O maior ocorreu na Indonésia, em 2005, atingindo 100 milhões de pessoas.

Grandes apagões viram rotina no Brasil

Só este ano, já foram registradas 14 grandes ocorrências; dos seis maiores blecautes registrados no mundo desde 1965, três foram no País

Dez anos depois de mergulhar no maior racionamento da história, o Brasil volta a conviver com problemas no setor elétrico. Mas, desta vez, a crise não está na falta de energia, como ocorreu em 2001, mas na dificuldade de fazer o produto chegar até o consumidor final. Nos últimos meses, uma série de apagões e blecautes regionais causaram transtornos e prejuízos aos brasileiros.

Só neste ano, até o dia 22, foram 14 grandes ocorrências, conforme relatório do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). A maior delas deixou o Nordeste sem luz por até cinco horas. O incidente - ainda sem explicações precisas - garantiu ao Brasil o título de país com o maior número de blecautes de grandes proporções. Das seis maiores ocorrências registradas no mundo desde 1965, três são do Brasil: em 1999 (97 milhões de pessoas), 2009 (60 milhões) e 2011 (53 milhões), segundo a consultoria PSR. O maior ocorreu na Indonésia, em 2005, atingindo 100 milhões de pessoas.

Além dos grandes apagões, que normalmente ocorrem por falhas no sistema de transmissão, a população também tem convivido com uma série de desligamentos na rede de distribuição, de responsabilidade das concessionárias. Nesses casos, os cortes estão limitados às áreas de concessões das empresas, cidades ou bairros. As companhias alegam que a culpa é de São Pedro e que as redes não têm suportado as fortes chuvas.

Os constantes blecautes estão traduzidos na piora do indicador de qualidade do fornecimento de eletricidade, medido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Nos últimos três anos, o tempo médio que o brasileiro ficou sem luz subiu quatro horas. "Hoje temos energia e não conseguimos entregá-la com a qualidade necessária. O problema é que o governo nunca explica o real motivo dos apagões", afirma o diretor-presidente da Associação Nacional dos Consumidores de Energia (Anace), Carlos Faria.

Para especialistas, a origem dos apagões está em investimentos menores que a necessidade da rede de transmissão e distribuição. "Houve um descompasso entre os investimentos da geração e transmissão", afirma o presidente da Compass Energia, Marcelo Parodi. Mas o problema não é a falta de novos empreendimentos, já que a Aneel tem feito leilões contínuos de linhas de transmissão e as distribuidoras, ampliado o número de clientes. O problema está nos equipamentos antigos, que nem sempre recebem a manutenção adequada, especialmente diante do forte aumento do consumo. De 2000 pra cá, o uso de energia pelo brasileiro subiu 36%, apesar do racionamento, que derrubou em 8% o consumo em 2001.

"Se uma empresa não está investindo o suficiente agora, o problema só vai ocorrer anos mais tarde", afirma o presidente da PSR Mário Veiga. Ou seja, os apagões de hoje podem ser resultado de anos sem investimentos adequados.

Fonte: O Estado de São Paulo

A Comissão que as comunistas Maria do Rosário e Dilma querem é a Comissão da MEIA VERDADE e esta não será aprovada

Dilma quer Comissão da Verdade neste ano

Maria do Rosário, Jobim e Cardozo vão procurar líderes partidários para aprovar projeto de lei já enviado ao Congresso no primeiro semestre

Os ministros Nelson Jobim (Defesa), José Eduardo Cardozo (Justiça) e Maria do Rosário (Direitos Humanos) vão procurar líderes partidários no Congresso para articular a criação da Comissão da Verdade e Justiça, para esclarecer mortes, desaparecimentos e torturas durante a ditadura militar, ainda neste semestre. A mobilização dos ministros começará nas próximas semanas, segundo informou ontem Maria do Rosário, em Genebra. Apesar dessa articulação pela Comissão da Verdade, a ministra afirmou que a presidente Dilma Rousseff não tem planos de propor uma revisão da Lei da Anistia. "Não cabe ao Executivo propor isso. Essa deve ser uma questão da sociedade", disse Maria do Rosário. [ a comunista Maria do Rosário ao dizer que cabe à sociedade na realidade pretende com ONG's 'pau mandado' provocar um falso clamor da sociedade por uma revisão da Lei da Anistia, de forma a tornar aquele diploma legal a Lei da Meia Anistia, da mesma forma que a pretensão de aprovar a tal Comissão da Verdade é na realidade criar a Comissão da Meia Verdade.]

Segundo a ministra, a criação da comissão está entre as prioridades do governo. "Vamos ter um diálogo mais direto com os líderes, sobre o significado disso", explicou. Mas insistiu que o Executivo não irá além disso. "Alguns acham que pode ser a porta para buscar a revisão da Lei da Anistia. Mas nós nos movemos dentro do que está no ordenamento jurídico do Brasil", afirmou. "É uma comissão do resgate da memória, do direito de saber o que ocorreu. Não cabe ao Executivo hoje, com os limites que temos, iniciar o debate da anistia. Não é nossa proposta e nem está dentro das nossas possibilidades."

Cronograma

No Congresso, os líderes dos partidos aliados vão tentar a aprovação do projeto de lei que cria a Comissão da Verdade ainda no primeiro semestre deste ano. O texto em discussão no Legislativo foi enviado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em maio do ano passado e diz que a comissão tem por objetivo "promover a reconciliação nacional" e "o esclarecimento circunstanciado dos casos de torturas, mortes, desaparecimentos forçados, ocultação de cadáveres e sua autoria, ainda que ocorridos no exterior". Na época, houve reação de setores militares, que temeram tratar-se de proposta revanchista.

"O ideal é votarmos a proposta como ela veio do Executivo", disse ontem o líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (SP). "O projeto já foi costurado com os Direitos Humanos, a Defesa e a Justiça", afirmou.

Em janeiro, Maria do Rosário já havia se comprometido a trabalhar pela aprovação do projeto. Ministro da Defesa desde o governo Lula, Jobim travou duros embates com o antecessor da ministra, Paulo Vannuchi. Após a posse de Dilma, reafirmou apoio à criação da comissão.

Fonte: O Estado de São Paulo

Queda do regime de Kadafi pode implodir missões de paz na África

Queda do regime de Kadafi na Líbia pode implodir missões de paz na África e alterar o status quo no continente

Em pouco mais de 40 anos, o ditador líbio Muamar Kadafi explorou duas identidades - a árabe e a africana - em busca da fórmula que lhe rendesse a tão almejada influência internacional. O jovem revolucionário de 1969 viu ruir seu sonho panarabista com a morte de Gamal Abdel Nasser no Egito, um ano depois. Decidiu financiar guerras na África para alimentar seu ímpeto rebelde, apoiou a Organização para a Libertação da Palestina e o IRA. Envolveu-se em ações terroristas e ganhou, em troca, a ojeriza de um mundo árabe que já nos anos 80 não queria sua imagem associada ao terror e à excentricidade que se tornou sua marca registrada. Isolado por sanções econômicas na década de 90, virou-se, mais uma vez, aos vizinhos com uma campanha pelo africanismo - usando petrodólares para comprar alianças regionais. Se a Líbia de Kadafi conseguiu sobreviver transformando-se em um relevante fornecedor de petróleo, sem ele, o país tem potencial de exportar um produto mais incômodo: a ameaça de guerra e mais instabilidade ao já devastado continente africano.

- Há uma tendência a comparar a revolta na Líbia com os movimentos de Tunísia e Egito, mas vemos um levante mais africano que árabe. O impacto psicológico da queda de Kadafi no continente pode ser devastador. E o aspecto financeiro terá um peso muito grande. Haverá muitas preocupações na Etiópia, por exemplo - disse Petrus de Kock, do Instituto Sul-Africano de Relações Internacionais, de Johannesburgo.

Jovens em cima de tanque protestam contra Muamar Kadafi em Benghazi, na Líbia / Reuters

Ditador financia missões de paz no continente

A lembrança da Etiópia não é à toa. Sua capital, Adis Abeba, abriga a sede da União Africana (UA), entidade que reúne 53 países - onde Kadafi lançou, pela primeira vez, o ideal nasserista: a criação dos "Estados Unidos da África". O ditador comprou apoio com recursos do petróleo. Foi consagrado "Rei dos Reis" na África em 2008 e, em janeiro de 2009, quando ocupou pela primeira vez a presidência da UA - que exerceu por um ano - já era, sozinho, responsável por 15% dos recursos do bloco, além de bancar a participação de irmãos menos abastados.

- Kadafi deixa um vácuo para o bem e para o mal. Significa o fim do panafricanismo. Sua saída deixa a Etiópia sem recursos para gerir a UA. Vários outros países poderiam acabar excluídos de um organismo que, embora pouco mencionado na arena global, tem ações importantes na luta contra a Aids e a corrupção. Pior, não há candidatos a ocupar o lugar de Kadafi, embora membros mais influentes, como Nigéria, Uganda e África do Sul, adorariam vê-lo partir - avalia o professor De Krock.

O abalo da instituição, porém, não é o que mais preocupa a cientista política Laura Seay, especialista em África do Morehouse College, em Atlanta (EUA). Segundo ela, para manter aceso o espírito do panafricanismo e o sonho de unificar Exércitos, moedas e passaportes, Kadafi investiu em missões de paz conjuntas da União Africana e da ONU - como os oito mil homens mobilizados na Somália e os cerca de 20 mil que garantem a segurança de Darfur, no Sudão. Sua derrocada aumenta o risco de colapso dessas iniciativas.

- Países menores também são dependentes da boa vontade de Muamar Kadafi para assegurar capacidades militares e projetos sociais. Foi o líder líbio que salvou os governos de Chade e da República Centro-Africana quando foram ameaçados por golpes de Estado. Outros, mais pobres, como Libéria, Mali e Níger contam com petrodólares para investimentos em infraestrutura. Com instituições frágeis e disputas étnicas, vamos viver uma situação de perigo - afirma Seay.

No continente fragilizado por tensões étnicas e tribais, além da pobreza crônica, a pesquisadora também destaca pequenos avanços que podem exportar para a África a onda de revolta popular dos países árabes: - As telecomunicações evoluíram muito e crescem rapidamente. As pessoas já têm acesso a um telefone celular em qualquer lugar. Nas eleições de Uganda, no mês passado, vimos o governo bloqueando mensagens de texto com a palavra Exército. Desde a queda de Mubarak no Egito, já vimos protestos em Gabão, Djibuti e Camarões, além de especulações sobre atos públicos em Zimbábue, Uganda e na República Democrática do Congo.

Queda de Kadafi expandiria economia chinesa

Predominante nos países de maioria islâmica, como o Chade e o Mali, o apoio a Kadafi varia na África - embora seus recursos sejam bem-vindos até mesmo por quem o considera um louco perigoso. Telegramas revelados recentemente pelo WikiLeaks mostram que, em 2008, o presidente de Uganda, Yoweri Museveni, confidenciou a diplomatas americanos o temor de que Kadafi mandasse abater seu avião presidencial.

Deixando de lado projeções mais alarmistas, os analistas apontam, em uníssono, uma questão preocupante para Europa e EUA: a queda do ditador significa uma oportunidade estratégica para a China, ávida por expandir sua gigante economia. - Haverá incertezas no cenário pós-Kadafi. Mas principalmente para os EUA, a má notícia é que sem a ampla influência líbia haverá ainda mais espaço para a ação de Pequim que, discretamente, vem aumentando seus investimentos na África - adverte Laura Seay.

Por: Renata Malkes - Reuters

Líbios descobrem quartel do Exército onde vivos eram enterrados entre mortos

Líbios descobrem os horrores de quartel do Exército onde vivos eram enterrados entre os mortos

O soldado Akram Ali, 25 anos, e o professor de escola Issam El Bassiuni, 43, não se conheciam. Ontem, no escuro, com a ajuda de duas marretas, lanternas e a luz de telefones celulares, os dois homens escavavam alucinadamente uma parede numa espécie de bunker subterrâneo semidestruído no quartel-general do Exército de Benghazi - segunda maior cidade da Líbia, hoje sob o comando dos rebeldes. Interromperam a escavação de noite, prometendo voltar hoje com uma britadeira.

- Estou 100% certo de que tem corpos escondidos aqui. Eu conheço este presidente (o ditador Muamar Kadafi) - dizia Issam, com o rosto preto de poeira, os pés encharcados numa poça d'água, quase espumando de raiva.

Uma semana depois da tomada da cidade pelos rebeldes, os líbios de Benghazi estão descobrindo o terror do regime de Kadafi: os buracos da morte, onde, segundo testemunhos, pessoas eram jogadas ainda vivas ou depois de executadas. Akram, um soldado desertor que pertencia a um outro regimento, conta que ajudou a tirar 20 pessoas vivas de dentro de um destes buracos, logo depois da conquista do quartel-general. Haviam escutado gemidos através de um tubo de ventilação.

- Foram torturados e colocados no buraco, coberto de areia. Passaram dez dias sem água ou luz. Estavam colados uns nos outros, praticamente de pé, no meio de mortos - contou, dizendo que não conhecia nenhuma das pessoas.

A reportagem do GLOBO entrou em dois destes buracos com a ajuda de líbios que, chocados, hoje fazem uma peregrinação ao local, pedindo morte a Kadafi. - Olhe o que ele fez! - gritou Yunis Worfali, um líbio que trabalha para uma companhia petrolífera inglesa. Ele levou a família para ver o local, chamado Campo de al-Fadeel Bo Amro, mas também conhecido como "o pátio de Kadafi".

Sustentados por estacas de madeira, com paredes cimentadas com tijolos, vários destes buracos foram descobertos nos últimos dias, todos no pátio do enorme quartel-general do Exército - principal local da batalha de Benghazi, que teria feito cerca de mil mortos.

Fonte: O Globo

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Os 'puxões de orelha' dados pela Dilma em ministros que pisam na bola só existem em relatos de assessores e asseclas

Dilma

A presidente Dilma Rousseff tem recebido elogios rasgados pelo seu jeito de ser. Mas, não fosse o contraponto com o seu padrinho, o que ela não diz ou as obviedades que diz não fariam sucesso. Reservada, séria, trabalhadora, gestora de ponta. Essas são algumas das qualidades a ela atribuídas. Porém poucas a não ser pela comparação com estilo carnavalesco do ex-presidente Lula resistem aos fatos. A começar por ela freqüentar o local de trabalho e lá ficar por horas a fio, o que não é mérito algum; a maior parte dos brasileiros faz.

Nas poucas aparições públicas, Dilma repetiu mesmices com a profundidade de um pires sobre educação em cadeia de TV convocada, na verdade, para lançar o slogan do governo - Brasil, país rico é país sem pobreza -, jargão de gosto duvidoso. Desdisse os ministros Miriam Belchior e Guido Mantega quanto ao corte no PACo. Fez-se de brava. Mas não passou disso.

Os puxões de orelha de Dilma só aparecem em relatos de assessores e asseclas. Ninguém viu, ninguém ouviu. Pior: se aconteceram, não tiveram conseqüência. Ela teria puxado os lóbulos do ministro da Energia Edson Lobão, que não conseguiu produzir explicação convincente sobre o apagão do Nordeste nem no dia seguinte, nem na semana seguinte, nem até hoje. Lobão continua firme e forte. E quem se lembra que os motivos do apagão não foram fornecidos? Possivelmente nem Dilma.

Dias antes, relatou-se que a presidente perdera a paciência com o ministro da Educação Fernando Haddad pelas sucessivas pisadas no tomate com o Enem e o Sisu. Não há testemunhas do pito. Sabe-se apenas que, sem qualquer bronca, Haddad ainda se dá ao luxo de arrasar o tomateiro ao permitir que faculdades reprovadas no Enade por dois anos consecutivos possam ser credenciadas ao Pró-uni. Um problema que se arrasta desde 2007.

O ministro do Esporte Orlando Silva também teria, dizem, ouvido poucas e boas da presidente. Se assim foi, fez ouvidos moucos. E ainda teve o desplante de classificar como “lacunas e falhas” o desvio de dinheiro público de seus correligionários do PC do B, denunciados por O Estado de S. Paulo. Dilma, de novo, nada disse.

Isso sem contar que após o anúncio de corte de R$ 50 bi, a presidente gestora-mor informou ao respeitável público a criação de mais um ministério e duas estatais. Mais curioso ainda é ver os confetes por ela defender a liberdade de imprensa. De tão acostumado às ameaças do governo Lula, o país parece não se atinar que liberdade não é concessão de um governante; é princípio e obrigação.

Por: Mary Zaidan

Política externa petista = Brasil entra com o problema e os Estados Unidos com a solução

A turma e o extermínio do imperialismo ianque

“Os Estados Unidos precisam usar sua influência para que os golpistas aceitem um acordo”, começou a miar o chanceler Celso Amorim no fim de 2009, depois de descobrir que o governo interino de Honduras não se dispunha a perder tempo com bravatas em mau português.

Se o governo americano não tivesse articulado o acordo que restabeleceu a normalidade política no país caribenho, o companheiro Manuel Zelaya ainda estaria hospedado na pensão a que foi reduzida a embaixada brasileira em Tegucigalpa, jogando lenha na fogueira que Hugo Chávez acendeu e Lula alimentou.

A recente conversa entre Antonio Patriota e Hillary Clinton sobre a retirada dos brasileiros em perigo na Líbia atesta que o Planalto gostou tanto da fórmula inaugurada em Honduras que pretende induzir a Casa Branca a engolir uma exótica parceria: o Brasil sempre entra com o problema e os Estados Unidos entram sempre com a solução.

Confrontado com a insurreição popular que surpreendeu Muamar Kadafi, Patriota nem sequer sugeriu a Lula que conseguisse do seu “amigo e irmão”, como recitou o então presidente no encontro da União Africana em 2009, autorização para a entrada de embarcações estrangeiras em águas líbias. Tratou de pedir socorro à secretária de Estado do governo Barack Obama.

Sem a ajuda dos Estados Unidos, mais de 600 brasileiros ainda estariam a ver navios no litoral de Tripoli e Benghazi. Mas Obama não vai ouvir de Lula, quando o mais loquaz dos governantes recuperar a voz, um único e escasso tanquiú gaguejado em surdina.

Tampouco deve esperar agradecimentos formais do Itamaraty. Nessa parceria à brasileira, o País do Carnaval não só entra sempre com o problema como, entre um socorro e outro, debita na conta de quem o socorreu todos os males e pecados do mundo. É o que fez a companheirada nos oito anos do que Ricardo Setti batizou de lulalato. É o que sempre fizeram os esquerdopatas que passam a vida sonhando com o extermínio do Grande Satã, mas não conseguiriam viver sem ele. “Nós precisamos do imperialismo norte-americano, assim como um retirante precisa de sua rapadura”, ironizou o grande Nelson Rodrigues em março de 1968. “Ele é a água da nossa sede, o pão da nossa fome, é o nosso gesto, é a nossa retórica. Quem nos justifica e quem nos absolve? O imperialismo”.

Fonte: Blog do Augusto Nunes - Revista VEJA

A criação de um órgão de controle externo pode aprimorar o funcionamento dos Tribunais de Contas

Quem fiscaliza o fiscal?

Ministros do Tribunal de Contas da União relatam e julgam processos de amigos, parentes e colegas de partido. Mas, para eles, é tudo normal

Criado para auxiliar o Congresso Nacional na fiscalização dos gastos do governo e na conduta administrativa de autoridades, o Tribunal de Contas da União (TCU) é um poderoso guardião do dinheiro público. Diariamente seus auditores examinam contratos de grande valor firmados pela União. Os procedimentos podem levar a processos, julgados por uma corte de nove ministros titulares e quatro substitutos. As decisões dessa corte podem paralisar grandes obras, suspender contratos e punir autoridades. Graças a esse trabalho conjunto todos os anos o TCU evita a perda de bilhões de reais de dinheiro público. Para manter a legitimidade dessa função, o TCU deve pairar acima de suspeitas que manchem sua credibilidade.

Nas últimas semanas, no entanto, essa imagem foi abalada pela conduta de alguns de seus integrantes e da administração do Tribunal. Tornou-se público que ministros da corte receberam dinheiro para fazer palestras em órgãos de governo vigiados pelo TCU, costumam viajar nos fins de semana com passagens pagas com dinheiro público e têm parentes com empregos na máquina pública incondizentes com o papel de fiscalização do Tribunal. É o caso de Maria Lenir, mulher do presidente do TCU, Benjamin Zymler, que havia sido nomeada para a liderança do Partido da República (PR) no Senado. O PR comanda o Ministério dos Transportes, um dos órgãos mais enrolados em processos no TCU. Depois que o caso foi revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo, Zymler disse que a mulher, funcionária do Senado, não assumirá o cargo.

Como ocorre no Judiciário, os ministros do TCU devem se declarar “impedidos” de julgar processos em que eles têm interesse ou em que familiares, amigos íntimos ou inimigos figurem como partes. Quando algum fato possa levantar dúvidas sobre a lisura de um julgamento, apesar de não haver imposição legal, eles também podem se declarar “suspeitos” e assim se abster de votar em determinados processos. Essa é uma atitude prudente e recomendável, que deve ser adotada para evitar suspeições sobre suas decisões. ÉPOCA apurou que tal cautela não foi seguida em julgamentos recentes.

O ministro Walton Alencar relata sete processos que envolvem o ex-ministro do Turismo Walfrido dos Mares Guia. Embora um sobrinho de Walfrido, Frederico dos Mares Guia, ocupe cargo de confiança em seu gabinete, Alencar não viu problemas em aceitar argumentos apresentados por Walfrido para justificar supostas irregularidades em convênios no Turismo. Na decisão, tomada em janeiro, Alencar disse que o problema “não ensejou dano grave ao interesse público”. O voto de Alencar foi aprovado, e Walfrido não foi punido. Walfrido disse a ÉPOCA que não procurou Alencar ou qualquer pessoa do gabinete para tratar do assunto. Por meio da assessoria de imprensa, Alencar disse que, em seu ponto de vista, o fato de o sobrinho do ex-ministro trabalhar em seu gabinete não é um impedimento para ele julgar os processos de Mares Guia.

Ex-senador pelo DEM, o ministro José Jorge diz que também não sofreu embaraços ao relatar no ano passado um processo contra a senadora Kátia Abreu (DEM-TO). Ela foi acusada pelo Ministério Público de ocupar indevidamente o cargo remunerado de presidente do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), no Tocantins, ao mesmo tempo que cumpria mandato de deputada federal. Além de ter sido colega de partido, Kátia trabalhou para que Jorge fosse indicado pelo Senado para o TCU. Em seu voto, Jorge livrou Kátia Abreu. Em nota, Jorge afirmou ter relações pessoais com quase todos os parlamentares, políticos e empresários. “Se ele (Jorge) se declarar impedido em todo processo de interesse de conhecido seu, não participará de um grande número de julgamentos”, diz a nota.

Uma situação similar ocorreu com o ministro José Múcio Monteiro. Ele relatou um processo em que um ex-colega de PTB, Luiz Piauhylino, atuou como advogado de empresas responsáveis por uma obra no Rio Madeira, em Rondônia. Segundo a auditoria do TCU, as empresas praticaram sobrepreço e receberam recursos do Ministério dos Transportes fora do prazo. Embora tenha rejeitado argumentos de Piauhylino, Múcio votou pela continuidade da obra e dos pagamentos, decisão que acabou aprovada pelos outros ministros. Em nota, Múcio comentou os pedidos de Piauhylino negados pelo Tribunal, mas ignorou sua decisão de permitir a continuidade da obra. Piauhylino disse que mantém relação civilizada com Múcio, mas que as vidas profissionais são independentes. “Nesse processo saí derrotado”, disse.

Se quiser, José Múcio ainda poderá se declarar impedido em um processo que investiga um acordo entre a Agência Nacional de Petróleo (ANP) e quatro sindicatos de usineiros, revelado por ÉPOCA em 2009, no valor de R$ 178 milhões. Além de já ter atuado como diretor de empresas do setor sucroalcooleiro, em que sua família mantém negócios, Múcio tem parentesco com os donos de uma das usinas beneficiadas pelo acordo firmado pela ANP. Há um ano com o processo, Múcio não decidiu se vai se considerar impedido.

Outro caso com potencial conflito de interesses está nas mãos do ministro Augusto Sherman. Ele examina um processo em que a empresa FSB Comunicações é acusada de ter sido favorecida em uma licitação no Ministério do Esporte. Em fevereiro do ano passado, a FSB ganhou um contrato de R$ 260 mil com o Instituto Serzedello Corrêa, ligado ao TCU, para dar um treinamento para “identificação de fatores de risco, contenção de dinâmicas adversas e gerenciamento de crise impactantes para a imagem institucional”. Na ocasião da contratação, o TCU era alvo de críticas do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, insatisfeito com a paralisação de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PACo) pelo Tribunal. Uma das orientações recorrentes do Tribunal é para que os órgãos públicos contratem serviços por meio de licitação. Por analogia, o TCU deveria fazer o mesmo, pois existem várias empresas que prestam o mesmo tipo de serviço feito pela FSB. Em seu caso, o TCU não seguiu o procedimento recomendado por ele próprio e fez a contratação sem licitação.

Dois projetos em tramitação no Congresso preveem a criação de um órgão de controle externo destinado a fiscalizar os Tribunais de Contas no país. Eles criam uma instância com funções semelhantes às exercidas no Poder Judiciário pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com poder de investigar desvios de conduta dos integrantes desses Tribunais. Apesar de o TCU estar vinculado ao Congresso Nacional e ter uma corregedoria interna, os atos de seus ministros, na prática, estão submetidos a uma fiscalização praticamente inexistente. Se um conselho nacional dos Tribunais de Contas existisse, possivelmente os ministros do TCU se tornariam mais zelosos em suas condutas. Esse é um aprimoramento institucional que deve ser estimulado para preservar a autoridade do TCU e sua capacidade de resguardar o dinheiro público.

Fonte: ÉPOCA OnLine

Descaso com a segurança pública faz pequenas cidades voltarem aos tempos do cangaço

Ações audaciosas marcam os roubos a agências bancárias em pequenas cidades.
Quadrilhas não temem alvejar delegacias, usar moradores como escudo durante trocas de tiro e recorrer a viaturas para facilitar a fuga

A ousadia das quadrilhas de assaltantes de banco que agem em cidades pequenas no interior do Brasil é diretamente proporcional ao desprezo desses criminosos pelo trabalho da polícia. Na última quarta-feira, bandidos invadiram Dois Irmãos, pequeno município de Tocantins que fica a 180 quilômetros de Palmas. Cinco homens armados atiraram contra o posto policial do lugar, que tem dois agentes, e fizeram 10 reféns enquanto levavam o dinheiro de uma agência dos Correios. Depois, demonstrando total despreocupação em chamar a atenção na fuga, fugiram em duas caminhonetes da Polícia Militar.

No momento do crime, o delegado Márcio Girotto, que substituía o delegado-geral da Polícia Civil do Tocantins, Reginaldo Menezes Brito, dava entrevista à reportagem do Correio. De acordo com ele, problemas na logística na segurança pública são empecilhos crônicos. Cidades pequenas têm efetivos pequenos. Se o local é isolado, é ainda pior, porque há uma demora na chegada de reforço. Isso acontece aqui, no estado, em cidades como Dois Irmãos e Silvanópolis (que fica a 130 quilômetros de Palmas). Além disso, algumas agências bancárias têm uma segurança precária, opina Girotto.

O Chefe do Estado Maior da Polícia Militar do Tocantins, coronel Jefferson Fernandes Gadelha, também fala da necessidade de que a segurança seja uma das prioridades dos bancos. Mas ele reconhece que essas ações criminosas são parte de uma demanda nacional. O coronel esclarece que a Polícia Militar, que tem a missão de prevenir tais crimes, está montando, ainda para este ano, um grupo especial para coibir esse tipo de iniciativa dos bandidos.

Vamos trabalhar com policiais rodoviários e de fronteira. O ideal seria formar um cinturão de segurança, mas o estado tem dificuldades com recursos, avisa coronel Gadelha. Estamos remanejando efetivo justamente para a prevenção. Este ano, foram mais de 300 transferências para tentar melhorar a estratégia, mas, historicamente, esses assaltos são um assunto muito complicado, completa.

Rua de Cocalzinho, em Goiás: efetivo pequeno de policiais e poucos aparatos de segurança facilitam a ação das quadrilhas especializadas

Medidas tomadas
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban), por meio da assessoria de imprensa, declara que os bancos brasileiros têm investido em mecanismos de segurança para evitar a ação de bandidos. Ainda segundo a Febraban, foram gastos, em 2010, cerca de R$ 8 bilhões nessa área. Os ataques ocorridos em alguns estados, no entanto, usaram força desproporcional, com armamentos pesados, de elevado poder de destruição, inclusive com uso de explosivos e quadrilhas numerosas. Essa é uma questão de segurança pública. Os estados já estão desenvolvendo ações de inteligência para desarticular as quadrilhas, com a adoção de medidas adequadas para combater esse tipo de delito, e que levem à prisão dos bandidos, registra uma nota da instituição. Em um assalto em 10 de novembro do ano passado em Cocalzinho (GO), os bandidos usaram um cilindro de gás para arrombar os caixas eletrônicos.

O Banco do Brasil também se pronunciou sobre o assunto por meio de nota. Segundo o documento, a instituição atende as exigências legais de equipamentos e procedimentos de segurança para agências bancárias, previstas em uma portaria da Polícia Federal, que disciplina as atividades de segurança privada. O Banco do Brasil tem investido constantemente em dispositivos, visando impedir os arrombamentos de terminais. Esses investimentos estão relacionados ao reforço das chapas metálicas das máquinas, do sistemas de alarme e do monitoramento das salas de autoatendimento. Para impedir as investidas criminosas, faz-se necessário investimentos no aparato de Segurança Pública, especialmente em cidades de pequeno porte, localizadas no interior dos Estados, diz a nota. O Ministério da Justiça foi procurado pela reportagem para falar sobre o assunto, mas, até o fechamento desta edição, não havia se pronunciado.

Número reduzido de policiais faz população refém
Número reduzido de policiais faz população das cidades isoladas dos grandes centros urbanos deixar de ficar sob a tutela do Estado para tornar-se refém de quadrilhas especializadas em assaltos a bancos

A madrugada de 10 de novembro do ano passado estava calma como costumam ser todas as outras na pequena cidade goiana de Cocalzinho, a 110 quilômetros de Brasília. Um vigia noturno, pago por comerciantes locais para tomar conta da Avenida São Paulo, circulava pela via que reúne o minúsculo centro financeiro municipal, formado pelo banco de uma cooperativa, uma casa lotérica e uma agência do banco Itaú, a única do lugar. Às duas horas da manhã, no entanto, oito homens divididos em três carros um Astra, um Corsa Sedan e uma Fiorino fecharam as duas pontas da rua com pneus, renderam o segurança e o colocaram, com a mão na cabeça, sentado na calçada. O alvo dos bandidos ficou ainda mais claro quando o vigia percebeu um enorme cilindro de gás e um maçarico na carroceria de um dos veículos: os caixas eletrônicos da agência. A ação levou pouco mais de uma hora. Os dois únicos policiais escalados para patrulhar a região de quase 20 mil habitantes foram avisados por vizinhos, que desconfiaram da estranha movimentação. Quando a dupla chegou, foi recebida com tiros de fuzis e escopetas. Armados somente com pistolas, os PMs, um deles ferido de raspão, foram obrigados a recuar. Os criminosos fugiram levando o dinheiro de um dos caixas. Cravada de balas, a única viatura que fazia a ronda noturna teve de ser descartada.

Esse caso é apenas mais um das centenas que vêm se repetindo nos últimos anos, especialmente nas regiões Nordeste e Centro-Oeste. A segurança de pequenas cidades longe de grandes centros é feita por um efetivo policial reduzido e, muitas vezes, menor que a quantidade de integrantes de quadrilhas que atacam os locais. Quando episódios como o de Cocalzinho acontecem, os moradores desses municípios deixam de estar, ainda que por pouco tempo, sob a proteção do Estado e passam a ficar à mercê de um poder paralelo. O pânico é geral e a sensação de abandono e impotência, segundo vítimas dessas ações, deixam sequelas permanentes.

O borracheiro Delcio Bento Rodrigues, 45 anos, é vizinho da agência bancária de Cocalzinho. Ele conta que, no dia do assalto, a família foi acordada com o barulho dos tiros e os gritos dos bandidos. Acostumado à tranquilidade da cidade, diz que ficou horrorizado com tamanha violência. Foi uma guerra no meio da rua. Era tiro para tudo quanto era lado. Depois que tudo isso aconteceu, eu até penso em deixar a minha casa por causa do perigo que é morar ao lado de um banco, mas, ao mesmo tempo, é muito difícil deixar o que construímos para trás, afirma Rodrigues.

Rotina de herói
Os tiros na Avenida São Paulo dão uma demonstração da força dessas quadrilhas. Enquanto as marcas nas paredes do lado em que os assaltantes estavam eram pequenas, causadas pelas armas de calibres menores dos policiais, o canto onde os PMs ficaram acuados exibe, até hoje, grandes rombos feitos por disparos de balas de fuzil e de calibre .12. Um integrante da polícia local que pediu para não ser identificado, por medo de represálias, reclama da desorganização na Segurança Pública e do sucateamento da estrutura das polícias.

Estou falando de Cocalzinho, mas a situação é a mesma em outras cidades aqui em Goiás. Eu converso com colegas e as reclamações são sempre as mesmas. Aqui, na cidade, temos dois policiais militares e dois agentes da Polícia Civil para atender toda a região, incluindo a zona rural. Nossa delegacia funciona de segunda a sexta-feira, em horário comercial. Se há um flagrante fora desse período, temos de ir à Águas Lindas, que fica a 60, 70 quilômetros daqui, deixando a nossa cidade ainda mais desguarnecida. Tudo isso sem falar dos nossos equipamentos e instalações. Os dois policiais que encararam aquela quadrilha são heróis. O confronto é totalmente desigual, explica o homem.

André Bottesini, delegado titular do Grupo Antirroubo a Banco, órgão ligado à Delegacia Estadual de Investigações Criminais de Goiás (DEIC-GO), admite a complexidade do problema e ressalta que essas ações criminosas são ainda mais complicadas de serem resolvidas em cidades fronteiriças. De acordo com ele, o caso de Goiás é ainda mais complexo por fazer fronteira com cinco estados: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia e Tocantins. Quando esses assaltos são realizados em cidades isoladas e próximas a outros estados, com certeza, tudo fica mais difícil. Temos de mobilizar outras polícias e cercar rodovias, por exemplo, diz.

Por: Igor Silveira - Correio Braziliense

Mais uma vez o governo petista humilha os militares

Corte de R$ 4 bi no Ministério da Defesa preocupa militares e agravará o sucateamento das Forças Armadas

Assinado com pompa pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, há pouco mais de dois anos, o Plano de Defesa Nacional que previa uma estratégia de modernização das Forças Armadas pelos próximos 50 anos teve o primeiro revés, muito antes do esperado. Pelo documento, o reaparelhamento militar brasileiro seria voltado para a compra de caças de combate com transferência de tecnologia e a construção do submarino de propulsão nuclear para patrulhar a costa brasileira. O corte de R$ 4 bilhões anunciado pelo governo para a área de Defesa colocou uma incógnita justamente sobre o cronograma previsto para esses planos e irritou profundamente os militares.

Para especialistas em segurança nacional, a tesoura anunciada pelo governo federal torna dramática a situação de sucateamento das Forças Armadas brasileiras. Atrasada desde a década de 1990, a aquisição dos caças responsáveis por substituir uma frota hoje composta por pelo menos três modelos de aviões corre sério risco de não sair do papel ainda em 2011. A situação mais urgente é a dos caças Mirage 2000, que serão aposentados até 2015. A atual frota de cinco submarinos, que deveria receber o reforço de mais quatro embarcações convencionais e uma nuclear até 2022 pelo Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), também seria insuficiente para as necessidades do país em um curto espaço de tempo, especialmente com o início da exploração do pré-sal.

Frota de Mirage 2000 será aposentada em 2015: compra de caças agora se tornou uma incógnita

Treinamento

Em um primeiro momento, além da construção dos submarinos e da compra de caças, também entrou em estado de espera a modernização das aeronaves AMX e o desenvolvimento dos aviões de carga KC-390 da Embraer. Como a tesoura atinge principalmente investimentos e custeio, a consequência imediata será a diminuição das horas de voo destinadas ao treinamento das tripulações, em especial as mais custosas, tal como as dos pilotos de caça. A situação é delicada tanto no caso dos submarinos quanto na dos caças. Boa parte dos aviões atuais estará aposentada em, no máximo, quatro anos e um contrato para compra de novos costuma demorar pelo menos dois anos para o início das entregas, aponta o professor de Relações Internacionais da FAAP-SP e especialista em Segurança Nacional pela Georgetown University, Gunther Rudzit.

Como a compra dos caças só entraria no orçamento do ano que vem, muitos militares creditam somente às pressões políticas o atraso na definição do modelo vencedor, embora não exista clima para aprovar compras desse tamanho, em meio a um corte de R$ 50 bilhões no orçamento. O contingenciamento não afetará objetivamente o Programa FX 2, visto não serem previstos dispêndios no ano-base 2011. Os motivos do adiamento, na minha opinião, têm fundamento em motivações políticas. Não seria politicamente correto decidir um investimento da ordem de bilhões de dólares em época de aperto de cinto, critica um oficial da reserva.

[as condições de sucateamento de um caça, inclusive da célula, colocam em risco a vida dos pilotos; tanto qeu se a FAB não exigir providências imediatas, vai ter que interromper o treinamento dos seus pilotos ou correr o risco de vários e fatais acidentes.]

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