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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

51 milhões de pessoas sem energia no Nordeste.

Blecaute na costa do sol - E pode piorar


Um problema num único local deixou 51 milhões de pessoas sem energia no Nordeste. O que o acidente pode nos ensinar


Era noite da quinta-feira quando acabou a energia no Estádio Fonte Nova, em Salvador, um dos que abrigarão jogos da Copa do Mundo em 2014. O mesmo ocorreu no entorno da rodoviária do Recife, onde será construído um novo estádio para a Copa. O problema havia se originado, provavelmente, numa instalação de transmissão de energia em Jatobá, Pernambuco, conforme as primeiras explicações do Ministério de Minas e Energia. A pane, que teria ocorrido na subestação Luiz Gonzaga, causou um efeito em cadeia que cortou o fornecimento de eletricidade para sete Estados – Bahia, Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe e Paraíba, com uma população total de 51 milhões de pessoas. Houve relatos de blecaute também no Piauí. O suprimento de energia começou a voltar ao normal na madrugada. As últimas áreas a se recuperar, em Alagoas e Pernambuco, tinham luz novamente ao amanhecer da sexta-feira. Diante dos primeiros questionamentos sobre o acidente, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, arriscou aquele tipo de declaração pavonada e pouco consistente que em nada contribui para resolver o problema: “Não há no mundo nada mais moderno que o sistema brasileiro”. Em seguida, reconheceu que há “falhas” a corrigir.


Não foi o primeiro episódio do gênero. Em um país traumatizado pelo apagão de 2001, com altas expectativas como anfitrião da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016 e em dúvida sobre sua capacidade de lidar com o crescimento econômico, é natural que surjam questões angustiadas. Seria possível melhorar o sistema de fornecimento de energia? Os detalhes do blecaute nordestino de 3 de fevereiro serão mais bem conhecidos nas próximas semanas, a partir de uma reunião, marcada para a segunda-feira, entre o governo, a agência reguladora do setor, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), e a empresa responsável por geração e transmissão de energia na região, a Chesf.


O consumo de energia deverá crescer quase 6% em 2011. O sistema precisa melhorar continuamente


Os problemas no sistema de energia do Brasil nos últimos dez anos formam um instrutivo mapa sobre como a eletricidade chega a nossas casas e locais de trabalho. A ameaça de apagão de 2001 ocorreu na geraçãoo país produzia menos energia do que precisava. [na realidade ocorreu não um apagão e sim um racionamento com o objetivo de reduzir o consumo, adequando-o à capacidade de geração. Grande parte da redução na capacidade geradora deveu-se a fatores climáticos. Quanto as interrupções temporárias de energia - os termos ‘apagão’ e ‘blecaute ’foram proibidos pelo ministro Lobão, filhote do Sarney – são oriundas de falhas técnicas, humanas ou de equipamentos, e portanto, podem ser controladas e mesmo erradicadas.]


O blecaute de 2009, que afetou 18 Estados, originou-se no início da transmissãoa energia gerada não pôde ser transportada a partir de Itaipu. As primeiras reações do governo, naquele momento, foram exaltar o sistema e atribuir toda a culpa a raios, como se o país mais atingido no mundo por esse fenômeno não tivesse nada a fazer a respeito. Mas a Aneel concluiu que a manutenção do equipamento estava aquém da ideal e o relatório sobre o episódio serviu para tornar o fornecimento mais seguro.

Desta vez, o problema ocorreu num ponto mais avançado do sistema de transmissão. “Se pensarmos no número de componentes, a geração é mais fácil de planejar. Na transmissão, aparecem mais problemas, em parte porque é cada vez mais difícil passar linhas por áreas habitadas”, diz o consultor Eduardo Bernini, ex-presidente da Eletropaulo. “Na distribuição para os consumidores, em que há uma infinidade de componentes, muita coisa pode dar errado.”

A maioria dos especialistas concorda com o governo num aspecto: o sistema brasileiro é tecnologicamente adequado, do ponto de vista de equipamentos, supervisão e controle. Não estamos atrasados em relação aos outros países de grande extensão territorial. Mas a exigência sobre esse sistema tende a crescer. Desde 2006, o consumo de energia cresce 7% ao ano no Brasil e 8% ao ano no Nordeste. Deverá crescer 5,7% neste ano e 6,5% no próximo, sempre acima do avanço do PIB. Para atender às expectativas, o sistema precisará receber investimentos mais inteligentes, com melhor manutenção, fiscalização e, quando for o caso, aplicação de punições.

Fonte: Revista ÉPOCA

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