O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem ao Estado ser a favor da abertura de todos os arquivos da época do regime militar, mas adiantou que a dificuldade será encontrar os documentos. "Eu mesmo falei com eles (os militares) quando presidente e eles insistem que não há documentos", afirmou. Ele disse também ser contra a ideia de prolongar por mais 50 anos o sigilo sobre os arquivos militares, definida no decreto 4.554/02.
"Eu fui acusado de ter proibido a abertura de arquivo por 50 anos. Aquilo ocorreu no meu último dia (no governo) e alguém colocou um papel para assinar lá", justificou-se. "Eu sou contra isso. Temos sim de abrir os arquivos", disse. Sobre a dificuldade de encontrar novos documentos, acredita que o Exército diz a verdade. "Claro que havia, como não haveria. Mas foram jogados fora. Os responsáveis tiraram. Essa é que é a questão mais grave. Pode ser que descubram documentos. Mas, oficialmente, pode abrir à vontade que não vão achar nada", alertou FHC.
Ele se declarou favorável à criação de uma Comissão da Verdade, como sugere a presidente Dilma Rousseff - mas questiona a eficiência dessa iniciativa, quase 20 anos após o fim da ditadura. "Talvez fosse mais eficiente se tivéssemos criado isso tudo mais lá atrás. Muitas pessoas já morreram. E morreram dos dois lados. Hoje, seria mais um trabalho de memória.”
O ex-presidente defende que essa memória seja respeitada e que as verdades sejam reveladas: "Acho que ainda vale a pena a ideia da Comissão."
Por: Jamil Chade - O Estado de S. Paulo
Observação do site: A Verdade Sufocada
Provavelmente os 707 processos do Superior Tribunal Militar - mais de um milhão de páginas -, copiados pela equipe de Dom Evaristo Arns para escrever o livro Brasil Nunca mais , não tenham sido destruídos. É bom frisar que no STM se encontrava e cremos ainda se encontra o maior e mais confiável acervo sobre o combate ao terrorismo. Sendo a última instância da Justiça Militar, eram encaminhados para esse Tribunal os processos e inquéritos dos implicados nos crimes de subversão e terrorismo. A equipe que pesquisou o material para o livro Brasil Nunca Mais, de posse dessa valiosa documentação, fez a triagem a seu modo, publicando o que interessava , distorcendo fatos e ignorando o que não lhes convinha. Não deram valor à motivação para a luta armada, nem citaram os períodos em que ela começou a ser preparada, bem antes da contra-revolução de 1964.
Não citaram as diretrizes das organizações subversivo-terroristas , nem suas pretensões políticas, a tomada do poder. Não consideraram os atentados terroristas, os “justiçamentos”, os seqüestros e os assassinatos praticados pela esquerda. Tais crimes foram propositadamente omitidos, para que a Nação não tomasse conhecimento das atrocidades dos que pegaram em armas para implantar no Brasil uma ditadura comunista.
Para a equipe de Dom Evaristo Arns, que tinha entre seus colaboradores Luiz Carlos Sigmaringa Seixas, Paulo de Tarso Vannuchi e Luiz Eduardo Greenhalg-, interessava apenas as denúncias feitas diante de autoridades militares, em juízo, com nomes de " torturadores", de locais de tortura, de presos desaparecidos e do "massacre de jovens estudantes desarmados". Para dom Evaristo só interessava as acusações de tortura, argumento usado pelos subversivos terroristas para se inocentar dos crimes praticados ou para justificar as delações de companheiros.
Basta folhear a obra de D. Evaristo Arns para constatar que, segundo ele, o desvario da esquerda simplesmente não teria existido. Ainda existe, Sr Fernando Henrique, muita coisa nos arquivos do STM, além de depoimentos de historiadores, de membros de organizações terroristas que pegaram em armas, os vídeos, os livros e documentários que revelariam muitos fatos dos porões dos "resistentes" , como se intitulam e que há muito, encastelados no poder se apresentam como "heróis e defensores da democracia e da liberdade".
O que não podemos aceitar , Sr Fernando Henrique, é que a história continue a ser reescrita por hípócritas e aproveitadores que, com fins políticos, falseiam a história passando-se por vítimas e se elegem às custas da ignorância de parte da população que foi doutrinada nas escolas e faculdades por ex - militantes da luta armada.
Para reforçar essa doutrinação basta folhear a obra de D. Evaristo Arns, os livros de história, algumas publicações, ver as séries e os filmes para constatar que, segundo eles, o desvario da esquerda simplesmente não teria existido.
Existe muita coisa a ser revelada e a Comissão da Verdade precisa ter coragem para abrir esses arquivos. Surgirão, podem crer, de onde menos se espera, "cobras e lagartos". Para Dom Evaristo e sua equipe o principal foram as acusações de tortura feitas perante os juízes, durante os julgamentos, quando os criminosos usavam esse argumento para se inocentar dos crimes praticados ou para justificar as delações de companheiros. Ele somente se refere a isso no seu livro. Os “justiçamentos”, os seqüestros, os assassinatos, as “expropriações”, os atentados a bomba, com vítimas inocentes, não são relevantes para o arcebispo, pois, segundo ele, foram confessados sob tortura.
D. Paulo e sua equipe tiveram acesso à vasta documentação, copiaram o que desejavam, inclusive documentos sigilosos, o que é vedado por legislação pertinente. Ardilosamente, usaram o que lhes interessava, utilizando somente o que chamam de “principal”. O “restante” para o arcebispo, ou seja, os arquivos existentes na ABIN, no DPF, nas Forças Armadas e nos antigos DOPS, são documentos secundários. Certamente, por conterem explicitamente os crimes e as intenções dos protegidos do eminente prelado.
Transcrito na íntegra do site: A Verdade Sufocada


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