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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Dilma nega aos trabalhadores mais pobres, menos favorecidos, um aumento salarial de R$ 0,50 por dia

Dilma [tenta] enquadra Lupi e quer que o ministro do Trabalho seja mais afirmativo contra campanha de Paulinho da Força por um mínimo maior

Líder do governo no Senado prevê difícil tarefa na aprovação do mínimo de R$ 545

Enquadrado pela presidente da República, Dilma Rousseff, para ser mais afirmativo contra a campanha do presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), por um salário mínimo maior que os R$ 545 do governo, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, busca nesta terça-feira uma alternativa que amenize o mal-estar criado com o Planalto. A ideia é que a bancada se posicione a favor dos R$ 545 defendidos pelo governo, mas, sem fechar questão, seja liberada para votar.

Dessa forma, o ministro - que tem dito a membros do partido ser favorável a um salário maior que os R$ 545 do governo - não ficará "exposto, e nem o partido, contra a parede", disse uma fonte do PDT.

Na prática, porém, Lupi adotou o silêncio e, nos bastidores, tem manifestado sua opinião a favor de um aumento maior, como pleiteia Paulo Pereira da Silva. A posição desagradou ao governo, que isolou o Ministério do Trabalho das discussões, ao contrário de anos anteriores.

Ele só foi chamado para participar de uma reunião para discutir o assunto com as centrais sindicais no início deste mês em São Paulo. Não houve acordo no encontro, coordenado pelos ministros Gilberto Carvalho (Secretaria da Presidência da República) e Guido Mantega (Fazenda). No fim, Lupi não deu entrevista.

Na sexta-feira, o ministro recebeu um telefonema da presidente cobrando ação por parte do ministro, no sentido de defender junto à bancada do PDT o piso de R$ 545. Procurada, a assessoria do ministro informou nesta segunda-feira que ele não falaria com jornalistas. Ainda segundo a assessoria, desde a semana passada, Lupi tem dito que ficará do lado do governo na reunião da bancada.

O deputado Paulinho disse que o governo está criando uma briga por "pouca coisa". - Como sindicalista, dá até vergonha de ir para a rua e dizer para o trabalhador que esta briga toda é por apenas uma diferença de R$ 15 por mês, R$ 0,50 por dia - afirmou Paulinho.

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), confirmou nesta segunda-feira a decisão da presidente Dilma Rousseff de manter o salário mínimo em R$ 545, conforme recomenda a equipe econômica, e não antecipar nem mesmo parte do reajuste previsto para o próximo ano. Embora ressalte que o mais importante neste momento seja o compromisso assumido pelo governo de aprovar uma política permanente de recuperação do valor do mínimo, Jucá reconheceu que tanto ele quanto o líder governista da Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), terão uma dura tarefa pela frente na votação do projeto, na quarta-feira.

- Não tem nada fácil numa matéria como esta. Mas é importante ressaltar que a grande questão em jogo não é a discussão de um valor para o mínimo, mas da lei que garantirá uma política de valorização do ganho do trabalhador. Há um horizonte de crescimento do salário mínimo - observou Jucá.

Pouco depois de Jucá retornar de uma reunião com a presidente Dilma no Palácio do Planalto para discutir a questão do salário mínimo, o senador Paulo Paim (PT-RS) usou a tribuna para defender a antecipação de pelo menos parte do aumento que será garantido no próximo ano, quando o mínimo poderá chegar a R$ 615.

Ele não chegou a propor que o governo atenda à reivindicação das centrais sindicais, que pleiteiam um mínimo de R$ 580, mas que o Planalto chegue a um meio termo em torno de R$ 560. Jucá ressaltou, porém, que a antecipação de reajustes não deverá ser incluída na regra de valorização do mínimo.

Fonte: Globo.com

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