Pesquisadores britânicos criam 'relógio de pulso' para medir a pressão de forma mais precisa
Medir os níveis de pressão arterial em hipertensos ficará mais fácil e preciso. Pesquisadores britânicos, liderados por Bryan Williams, professor da medicina da Universidade de Leicester, em parceria com a companhia HealthSTATS em Cingapura, desenvolveram uma espécie de relógio de pulso, que ajudará a melhorar muito o tratamento, e até suspendê-lo, segundo reportagem publicada no jornal "Independent".
A hipertensão é uma das principais causas de ataques cardíacos e derrames. O aparelho proporciona uma leitura mais exata que o dispositivo atual, com manguito, usado por médicos. Hoje a pressão arterial é medida no braço porque isso é mais conveniente e fácil de realizar. Mais de um em cada quatro adultos tem pressão arterial elevada, incluindo 50% das pessoas acima de 60 anos, e milhões de pessoas estão recebendo com medicamentos para reduzi-la.
A pesquisa que levou ao desenvolvimento do 'relógio de pulso' para medir a pressão foi financiada pelo Ministério da Saúde britânico e apoiada pelo secretário de Saúde, Andrew Lansley. Ele inclui um sensor que mede a pressão na aorta, a principal artéria perto do coração, onde níveis elevados causam maiores danos.
O sensor no relógio registra a onda de pulso da artéria e esses dados são enviados a um computador, juntamente com a tradicional leitura da pressão arterial a partir de um manguito. Na maioria das pessoas, a pressão na aorta é 10mmHg menor do que no braço, mas em alguns, especialmente os mais jovens, pode ser 30mmHg mais baixa.
Um em cada dez indivíduos abaixo de 40 anos têm pressão arterial elevada quando medida no braço, e alguns podem ser capazes de sair do tratamento depois de avaliados com o novo método. - Com a nova avaliação, algumas pessoas atualmente em tratamento podem se livrar dos medicamentos - disse Williams.
Alguns medicamentos anti-hipertensivos afetam a pressão sanguínea de forma diferente na aorta e no braço. Com o dispositivo, podemos melhorar a monitorização de seus efeitos, disse pesquisador. - O seu custo não seria muito diferente dos aparelhos usados atualmente - acrescentou. - Acho que o novo método será cada vez mais adotado. Ele tem o potencial para se tornar a opção preferencial de medição da pressão arterial.
Já Lansley disse que este é um ótimo exemplo de como as descobertas da pesquisa e inovação podem fazer diferença real nas vidas dos pacientes. E Judy O'Sullivan, enfermeira cardíaca sênior da Fundação Britânica do Coração, disse que "há limites para a forma convencional de medir a pressão arterial, porque as medidas no braço nem sempre correspondem à pressão na artéria perto do coração, que é a mais crítica, porém a análise atual ainda fornece informações valiosas".
Fonte: BBC Brasil

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