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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Kadafi. Mais uma ditadura em risco. Conseguirá Kadhafi conter a rebelião?

Líbia revoltada. Kadafi inicia massacres e coloca filho como laranja.

-1. A ameaça feita por Saif al-Islam, filho do ditador Muammar-al-Kadafi, provocou efeito contrário do esperado. Hoje cedo, Saif prometeu reformas e fez uma ameaça: - “Parem ou haverá guerra civil”. O povo, subjugado desde o golpe militar de 01 de setembro de 1969 liderado por Muammar al-Kadafi, preferiu continuar a revolta para se livrar do ditador e instalar uma democracia no país. Os manifestantes incendiaram a casa de Kadafi em Zawia e o Palácio do Povo em Trípoli.

Logo depois, caças da aeronáutica começaram a bombardear locais com concentração de líbios que se opõem ao regime. Ou seja, começaram os massacres e os genocídios. Estes, no sul de Trípoli e onde está concentrada a tribo de Werfalla, que é a mais numerosa do país. O Conselho de Anciãos da tribo Werfalla decidiu apoiar a revolta: - “ Não se pode silenciar diante dos ataques e disparos contra jovens desarmados. Quem não soube governar com sabedoria deve ir embora”, disse o líder do Conselho dos Werfalla.

A comunicação telefônica está interrompida em toda a Líbia. Trata-se de uma velha tática do ditador Kadafi para poder massacrar e impedir que o exterior seja comunicado. Só no dia de hoje, as agências de notícia, com base no informado pela televisão árabe, falam em 61 mortos. Em Bengasi, já sob controle dos rebeldes, o número de mortos chegaria a 300.

Ao contrário do propalado por William Hague, secretário britânico para assuntos externos, o ditador Kadafi, que se autoproclamou em 1969 “guia supremo da revolução” (por meio de golpe militar o coronel Kadafi derrubou o soberano Mohammed Idris al Senussi e fingiu instalar um regime republicano), não fugiu nem para a Venezuela e nem para o Brasil. Kadafi continua na Líbia e repassa ordens para o filho-laranja, pois não quer ser acusado de sanguinário novamente: ele financiou o terrorismo internacional, é mentor intelectual do abatimento, em dezembro de 1988, de avião da Panamerican: 280 passageiros mortos.

Desde o final dos anos 90 o ditador Kadafi começou a se apresentar com pele de cordeiro e se proclamou contrário ao terrorismo e aberto para negociações com o Ocidente: na Líbia, 97,1% da população é sunita. A Al Qaeda é sunita fundamentalista e quer controlar o mundo islâmico. Daí, o fato de Kadafi se posicionar contra Osama bin Laden e a Al Qaeda. Trocado em miúdos, Bin Laden é um rival.

Como a Líbia é o principal ponto de imigração africana para a Europa, via costa meridional italiana, o filho de Kadafi ameaçou romper o acordo de fiscalização de saídas e inundar a Europa de imigrantes. Quando da revolta da Tunísia, mais de 3 mil imigrantes chegaram, em precários barcos, à ilha italiana de Lampedusa.

A ameaça supracitada objetiva colocar a ONU e a União Européia em posição de neutralidade e, assim, Kadafi poder assassinar os opositores e dizimar as tribos que não o apóiam.

-2. A Líbia, - que já sofreu bloqueio internacional pelas ligações de Kadafi com o terrorismo -, tem no petróleo a principal fonte exportadora: 90% das exportações. Como Kadafi sentiu o peso do bloqueio internacional, adotou outra postura, voltou a negociar e até assumiu a presidência rotativa da Liga Árabe. Sua recaída ocorreu em agosto de 2009, como noticiado neste blog Sem Fronteiras de Terra Magazine. Nessa ocasião, o terrorista Abdel Basset Al-Megrahi, ex-oficial do serviço de espionagem da Líbia, foi recebido em Trípoli com uma colossal festa popular.

A festa foi preparada por Saif al-Islam filho de delfim de Kadafi na sucessão. Ele faz o biombo e aparece quando o pai quer se resguardar. Para Kadafi, Al-Megrahi foi condenado por crime político. A propósito, Al-Megrahi jamais admitiu responsabilidade no covarde ataque que derrubou, em 21 de dezembro de 1988, o Boeing da Pan Am e matou os seus 270 passageiros.

O avião cortava os céus de Lockerbie (Escócia) quando da explosão. Al-Megrahi foi a figura central do atentado. A bomba empregada no ataque fora preparada em Malta. Numa maleta, foi transportada por Al-Megrahi e despachada em Heathrow, num vôo que decolou às 18h25. A explosão consumou-se às 19h02, em Lockerbie. Dos 270 passageiros mortos, 189 eram cidadãos americanos. Al-Megrahi foi condenado pela Justiça escocesa à pena de prisão perpétua, cumpriu 8 anos e recebeu, por motivo humanitário (portador de câncer terminal), a extinção da pena.

–3. No momento, Kadafi vive um dilema: retirar ou não a pele de cordeiro. Pelo jeito, o conhecido sanguinário vai voltar a campo, pela voz do seu filho. O Tribunal Penal Internacional o espera em face dos massacres que está a autorizar.

Por: Wálter Fanganiello Maierovitch – IBGF

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