-1. Neste ano 2011 e até 03 de fevereiro, o Irã enforcou 67 pessoas.
Tal fato levou Catherine Ashton, alta comissária para políticas externas da União Européia, a enviar um protesto, dado como solicitação, ao presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad.
Ashton pediu que o Irã decretasse uma moratória à pena de morte, como já fizeram, por iniciativa da Alemanha, vários estados-membros da Organização das Nações Unidas. [curioso é que não exigem moratória nem da China nem dos Estados Unidos.]
Pelos levantamentos realizados, as condenações com penas capitais estão a aumentar no Irã de forma preocupante. Para se ter idéia, em 2010, restaram enforcados 179 pessoas no Irã. Apesar dos protestos internacionais, não foi poupada a holandesa Zahra Bahremi, que acabou enforcada. Ela foi condenada por tráfico de drogas e, como prevê a legislação, o seu corpo, pendurado numa haste alta de guindaste, ficou exposto por horas em local público.

No corredor da morte, convém lembrar, encontra-se Sakineh Mohammadi Ahtiani. Está condenada a morrer apedrejada por adultério: a pena está temporariamente suspensa. Enquanto isso, foi reaberto um processo por participação de Sakineh no assassinato do esposo. E ela já está condenada à pena de enforcamento, com confissão pela televisão em programa especial mostrado pela televisão estatal. Com a condenação por participação em homicídio (teria dado sonífero ao marido para o amante posteriormente executá-lo), o governo do Irã deixará de executar a lapidação (apedrejamento) e de expor internacionalmente o seu barbarismo.
Ontem, o protesto europeu de finalidade humanitária recebeu resposta do governo iraniano. A resposta, mantido o degrau de interlocução, foi assinada por Ramin Mehman-Parast, ministro de relações Exteriores. Mehman-Parast avisou que 80% das penas capitais executadas decorreram de condenações por tráfico ilícito de drogas. E ele ressaltou que o tráfico e a oferta de drogas atingiria ainda mais pesadamente os países europeus não fosse a forma de combate levada a cabo pelo Irã.
Para o governo iraniano, segundo revelou o ministro Mehman-Parast, a pena de morte é justa e desestimula o tráfico de drogas. O Irã, além da relação de drogas proibidas pelas Nações Unidas em Convenção, proíbe a venda e consumo de bebidas alcoólicas.
-2. PANO RÁPIDO. O Irã é um estado teocrático e os juízes aplicam a lei islâmica e a sharia.
Trata-se de um estado que possuiu tecnologia avançada, mas conserva um medieval, obscurantista e desumano sistema penal, onde a sanção não passa de castigo retributivo, como cortar mão, matar por apedrejamento ou enforcamento.
Por: Wálter Fanganiello Maierovitch - IBGF

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