Dois dias após ter sido convocado a explicar na Polícia Federal o envolvimento de seu ex-subchefe operacional com uma quadrilha ligada ao desvio e venda de armas a traficantes, o chefe da Polícia Civil, delegado Allan Turnowski, determinou uma devassa na Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), que teve as portas lacradas, no fim da tarde de domingo. Foi na unidade que começou parte da investigação que resultou na Operação Guilhotinha, na qual o delegado Carlos Antônio Luiz Oliveira - ex-braço direito de Turnowski - foi preso. A iniciativa de investigar a Draco, segundo o chefe da Polícia Civil, foi tomada a partir de denúncias sobre o suposto envolvimento da equipe da unidade em extorsões contra empresários.
Denúncias levam o chefe de Polícia Civil, Allan Turnowski, a determinar devassa na Delegacia de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Draco). Na foto, policiais diante da delegacia - Foto de Marcelo TheobaldBeltrame foi informado sobre devassa na Draco
Turnowski justificou a iniciativa dizendo que há denúncias graves de corrupção por parte de empresários contra o diretor da especializada e seu chefe de investigações, Jorge Gherard. A atitude de Turnowski agrava ainda mais a crise na Polícia Civil. Na semana passada, o ex-subchefe da instituição, o delegado Carlos Antonio Luiz Oliveira, foi preso na Operação Guilhotinha da Polícia Federal. Ele e mais 37 pessoas, incluindo 29 policiais são suspeitos de vários crimes, entre eles desviar armas apreendidas em operações e vendê-las a traficantes. O delegado Carlos Oliveira também é apontado como chefe da milícia que atuava na favela Roquete Pinto, em Ramos.
Segundo Turnowski, a decisão de fazer uma devassa na Draco foi comunicada a Beltrame, que já havia dito, semana passada, que quer fazer uma limpeza na Polícia Civil. Um dia após a operação, Beltrame havia dito em entrevista ao RJ-TV, da Rede Globo, que ninguém estava garantido no cargo e que nenhum subordinado tinha carta branca, referindo-se ao chefa da Polícia Civil. Beltrame acrescentou que não adiantava apresentar resultado sem lisura ou lisura sem resultado.
Após Turnowski determinar a interdição da Draco, uma equipe da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core) esteve no prédio, onde funciona a sede da unidade, no Centro, para lacrar a porta. A determinação é de que a Corregedoria Interna da Polícia Civil faça uma correição extraordinária na delegacia, antes de Ferraz passar o cargo ao delegado Fernando Capote.
Há pelo menos três meses, uma disputa interna teria sido iniciada na cúpula da Polícia Civil. O pivô seria a mudança de comando na corporação. Na ocasião, os nomes de dois delegados - Claudio Ferraz e Rivaldo Barbosa, então subsecretário de Inteligência da Secretaria de Segurança - foram cogitados como possíveis sucessores de Turnowski.
Turnowski ingressou na Polícia Civil em 1996, depois de passar no concurso para delegado de polícia. Desde então, ele atuou na 16ª DP (Barra da Tijuca), na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos (DRFA), sendo promovido a Diretor do Departamento de Polícia Especializada (DPE), onde ficou por seis anos. Neste último cargo, ele foi nomeado pelo ex-chefe de Polícia Civil, Álvaro Lins - que chegou a ser preso por formação de quadrilha e ainda responde a processo por lavagem de dinheiro - e mantido pelo sucessor dele, Gilberto Ribeiro. Ele assumiu o cargo de chefe de Polícia em março do ano passado.
Fonte: Globo.com

0 comentários:
Postar um comentário