Ficção é ficção... História é História
Seria bom se "o povo que gosta do Ratinho", como diz o articulista da matéria abaixo, soubesse que a verdadeira luta armada teve como marco inicial o atentado a bomba no Aeroporto de Guararapes, com 2 mortos , e 13 feridos graves. Nesse ano, 1966, só em Recife, foram sete atentados a bomba. Seria interessante que os crimes praticados por eles fossem mostrados para que o povo tomasse conhecimento do que realmente se passava no país e que a reação dos órgãos de segurança foi em consequência do caos e da intranqüilidade no país. Seria interessante que se mostrasse ao povo qual era a motivação dos revolucionários da esquerda radical e desde quando estavam organizando e preparando a revolução do proletariado.
Nada pode justificar a tortura que está sendo mostrada na novela. Fatos, que, como diz o articulista, “o povo que gosta do Ratinho", tenho certeza, saberá definir o que pode ser real e o que é ficção, como o próprio desenrolar da novela já está demostrando. Quanto aos depoimentos comoventes, são realmente chocantes. São fatos, segundo os depoentes, passados há cerca de 40 anos e que precisariam de comprovação, como o de um preso, que é torturado dentro de um hospital das Forças Armadas. Podem ter certeza que virão outros, cada vez mais chocantes e que para nenhum deles se pedirá comprovação. A palavra deles é lei.
Já até imagino o desenrolar da novela... Para o autor tudo tem solução... As vítimas de Guararapes?... As vítimas estão velhinhas, não vão incomodá-las. Para que dar destaque a isso?...
O massacre a coronhadas do tenente Alberto Mendes Júnior, refém voluntário, desarmado? ...Ora, era necessário, era mais um a comer, no meio da mata, o "tribunal revolucionário" estava lá, reunido, e decidiu "justiçá-lo", melhor omití-lo... Enterra ali mesmo, nunca vão achá-lo... Que importa que foi no dia das mães?
A morte do marinheiro inglês de 19 anos?... Foi porque a farda representava um país imperialista, é justificável, ora bolas, precisavam de propaganda, será esquecida... O major alemão morto? Apenas um engano, se for citada..
A morte do Dr Otávio, metralhado pelas costas, de short e desarmado?... Foi justiça, era um agente da lei...
A explosão do soldado Kosel, um acidente de percurso, Afinal, quem mandou servir ao Exército? Quem mandou ser solidário com o sofrimento alheio? O que ele tinha que correr para ver se havia feridos dentro da Kombi que batera em um poste e não conseguira entrar no quartel? Os explosivos eram para atingir apenas o quartel e os oficiais. Não os soldados...
Os assaltos, os sequestros de diplomatas e de aviões, os assassinatos, os atentados a bomba, as sabotagens, os “justiçamentos de companheiros", os treinamentos de guerrilha fora do país, as 119 vítimas e as centenas de mutilados, nada disso aconteceu... Foi tudo um pesadelo, pura imaginação da direita, tentativa de desestabilizar os governos de esquerda. Os nomes são falsos, as fotografias forjadas, os laudos inventados...
Para eles, a palavra deles é lei!!! Bete Mendes, em 1985, ao voltar do Uruguai, declarou à Revista Veja de 21 de agosto de 1985 que, no DOI, quando estava presa, ”o corpo de um amigo, morto a pancadas, foi-lhe mostrado estendido numa maca, para desequilibrá-la emocionalmente". Jamais um repórter, um entrevistador ou mesmo a Comissão de Anistia lhe perguntou como era o nome desse amigo. - e ela nunca mais tocou nesse assunto na imprensa, mas, volta e meia diz que foi torturada...
Afinal Bete Mendes, qual é o nome do seu AMIGO?
Em uma carta ao ministro do Exército, lida por ela na Cãmara dos Deputados, Bete Mendes disse ter visto "corpos de pessoas inocentes e que estão na lista de desaparecidos.”
Novamente, nenhum Congressista, nem entrevistador perguntou pelo menos, onde ela viu e quantos eram esses corpos. Nenhuma ONG das especializadas no assunto reclamou esses corpos que ela viu no período em que esteve presa - de 29/09 a 16/10/1970.
Assim como ela, vários outros se aproveitam do tempo passado e da falta de exigência de provas para dizerem o que desejam. Para quem viveu as duas épocas, será fácil prever o desenrolar dessa novela do SBT. O patrão vai ficar satisfeito. No regime militar Sílvio Santos era assíduo freqüentador das solenidades cívicas no Quartel General do II Exército , recebeu até medalhas - Pacificador ou do Mérito Militar - ou quem sabe as duas. Como sempre, ria sem sentir, com as homenagens.
Sílvio Santos e o sonho de ter uma rede Nacional de TV
Em 22 de outubro de 1975, Ernesto Geisel assinou o decreto 76488, outorgando a Silvio Santos o Canal 11 do Rio de Janeiro. Ele passou, então, a transmitir seus programas simultaneamente na TV Tupi e na TVS (TV Studios). Depois da falência da Rede Tupi em 1980 o programa Silvio Santos em São Paulo foi transferido para Rede Record. Na década de 1980 Sílvio Santos chegou a ser dono de 50% da emissora do empresário Paulo Machado de Carvalho.
O sonho de Sílvio Santos começava a se realizar. Um lobby aqui, outro ali,.. Finalmente, em 1981, Sílvio Santos obteve licença para operar o canal 4 de São Paulo que se tornou a TVS da capital Paulista. A partir das emissoras do Rio de Janeiro e São Paulo, surgindo o embrião do SBT. Seu império estava concretizado. Entra governo, sai governo e Sílvio Santos sempre, sempre a rir!
No governo passado, teve dificuldades com o Banco Panamericano, uma visitinha a Lula e logo foi socorrido. E, novamente, nesse governo, com essa novela, SÍLVIO SANTOS VEM AÌ.
Por: Por Maria Joseita Silva Brilhante Ustra – A Verdade Sufocada

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