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sexta-feira, 8 de abril de 2011

Atirador ria enquanto disparava nos alunos, contou vítima a homem que a socorreu

Um vigilante que socorreu uma estudante baleada diz como a menina lhe descreve os momentos de horror na escola

O atirador Wellington Menezes de Oliveira, de 24 anos, estava de fone de ouvido, aparentemente escutando música, e ria enquanto disparava contra os estudantes. Essa foi a descrição dada por uma das vítimas ao vigilante Jaderson Barbosa, de 29 anos. Ele conversou com a reportagem de ÉPOCA no Hospital Albert Schweitzer. Barbosa passava de moto em frente à Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na zona oeste do Rio de Janeiro, quando ouviu a confusão e socorreu uma menina baleada, chamada Brenda. Ele diz que ela aparentava ter cerca de 13 anos e estava com ferimentos nas duas mãos e no ombro. A adolescente teria levado três tiros.

Barbosa, ao ver a menina ferida, parou um carro e acompanhou a vítima até o hospital. Quando conversou com ÉPOCA, aguardava informações sobre o estado de saúde dela. O vigilante contou que Brenda lhe disse que tinha uma irmã gêmea e que estava preocupada por não ter notícias dela. O site do jornal O Globo conta a história de duas irmãs gêmeas feridas e que uma delas não resistiu.

Samira Pires, de 13 anos, aluna da 7ª série. Ela foi uma das vítimas do atirador que invadiu uma escola em Realengo - Arquivo pessoal

Até as 13 horas, as informações são de que 12 pessoas foram mortas pelo atirador, que acabou ferido por um policial e teria se suicidado.

Mulher chora em frente à escola invadida por um atirador em Realengo - Foto de Fernando Maia

Irmãs gêmeas estão entre as vítimas de atirador que invadiu escola em Realengo

Entre as vítimas do atirador da Escola Municipal Tasso da Silveira , em Realengo, estavam Brenda e Bianca Rocha Tavares, de 13 anos. Segundo a tia das vítimas, Perla Maria dos Reis Paes, Bianca não resistiu aos ferimentos na cabeça e morreu. Brenda foi baleada nos braços e transferida para o Into (Instituto de Traumato Ortopedia),


Muito nervosa Perla Maria contou que o cenário dentro da sala de espera do Hospital Albert Schweitzer é de desespero. Há vários parentes chorando, muitos em estado de choque. - Eu estava trabalhando quando soube da notícia e vim para cá. Infelizmente, minha sobrinha morreu - disse Perla, que acompanha a mãe de Brenda e Bianca no hospital.


Adolescente baleada se mudou para Realengo há menos de um ano

Vizinhos e parentes da menina Samira Pires, de 13 anos, ainda buscam informações sobre o estado de saúde da adolescente, uma das vítimas do atirador de Realengo. A menina era aluna de 7ª série e tinha entrado no colégio este ano. Samira tem outras três irmãs, de 24, 28 e 31 anos. Ela mora a pouco mais de 1 km da escola, com a mãe, as irmãs e a sobrinha. A família se mudou da Taquara para Realengo em dezembro do ano passado.


É grande a movimentação de parentes e amigos de alunos na porta do hospital Albert Schweitzer, para onde está sendo levada a maioria das vítimas. Muito revoltada, Noeli Rocha, mãe da estudante Mariana Rocha de Souza, de 13 anos, que morreu após o ataque à escola, precisou sair amparada por parentes no hospital. Segundo a tia da vítima, Rose, os parentes identificaram a menina por fotos no hospital, mas ainda procuram o corpo da estudante, que não está no local.


Já a dona de casa Inês Morais da Silva está chorando muito, querendo notícias do filho, Ivo, de 11 anos, que foi baleado. Ela conta que acordou com o barulho na rua e, ao olhar pela janela, viu a movimentação e correu para a escola, onde soube do ataque. Ela disse que seu outro filho, Edson, consegui se esconder debaixo da mesa na sala de aula.


Também muito nervosa Vera Gomes chegou ao hospital querendo notícias da filha, Renata, de 13 anos. - Ela levou um tiro na barriga, que atravessou seu corpo. Recebi a informação de que ela estaria bem, com quadro estável. O clima é de horror - disse a mãe, abalada com o acontecido.

Pelo menos três crianças deram entrada no Hospital Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias. Uma delas foi identificada como Luan Vitor, que está no CTI em coma induzido. As outras duas crianças chegaram ao hospital em estado grave e ainda estão sem identificação. As vítimas vieram transferidas do Hospital Albert Schweitzer por ambulâncias e helicóptero do Corpo de Bombeiros.


De acordo com o secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, dez das vítimas fatais do atirados eram meninas com idade entre 12 e 14 anos. As crianças e adolescentes estão sendo atendidas no Hospital Albert Schweitzer, no Hospital de Saracuruna, na Into (Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia), no Hospital da PM e no Hospital Pedro Ernesto.


'Vi crianças feridas e o suposto atirador baleado no chão'

O técnico em eletrônica Robson de Carvalho, 48 anos, tem dois filhos que estudam na escola. Ele relatou os momentos de pânico entre os alunos da escola: “Minha filha de 15 anos me ligou informando sobre os tiros. Eu estava em casa, pronto para sair. Moro perto da escola e cheguei rapidamente ao local. O pânico era geral. Vi crianças feridas e o suposto atirador baleado no chão. O meu filho de 11 anos já tinha saído, mas ela ainda estava no terceiro andar. As professoras trancaram as salas e colocaram mesas e cadeiras atrás das portas para bloquear a passagem, temendo invasão de bandidos. Pegamos seis crianças feridas e trouxemos numa pick-up para o hospital. Foi uma coisa muito grave, nunca tinha visto isso. Acho que as crianças também vão ficar marcadas. Graças a Deus, meus filhos estão bem” - disse Robson

.

A dona de casa Tânia tem um filho de 13 anos que estava na sala de aula invadida pelo atirador. Ela contou que o filho está em estado de choque e fala em nunca mais ir ao colégio. - Ele ouviu os tiros e saiu correndo para salvar a vida. Não conseguiu pensar em mais nada. Ele está triste e quer saber como estão os colegas. Eu saí de casa quando ele me ligou, avisando o que tinha acontecido. Moramos há sete anos aqui e jamais imaginaria que uma violência dessa fosse acontecer aqui - disse a mãe do aluno. A dona de casa Roberta de Macedo disse que conhecia uma das crianças que morreu e outra que foi baleada na cabeça. - Isso tudo é horrível - resumiu, às lagrimas.


Fonte: ÉPOCA

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