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segunda-feira, 4 de abril de 2011

A Casa da Morte da ditadura brasileira. Se tivesse existido,com certeza ninguém saberia onde tinha funcionado e curiosamente uma terrorista sobreviveu

Para eliminar sem deixar rastros a norma era picotar os corpos em mais de dez pedaços

A edição deste fim de semana de ÉPOCA traz uma reportagem de leitura obrigatória para quem pretende entender a ditadura militar que controlou o Brasil entre 1964 e 1985. “Na pista dos desaparecidos” mostra os esforços que o governo vem fazendo para encontrar os corpos dos desaparecidos políticos daquele período. O foco da reportagem é a busca por 17 militantes que, após torturados e assassinados, poderiam ter sido enterrados em Petrópolis, no Rio. O trabalho não é simples.


Procurar mortos da ditadura é um trabalho difícil. Os documentos oficiais ajudam pouco. Os militares que sabem onde essas pessoas foram enterradas não colaboram. As chances de identificar os corpos são remotas. Por que, então, procurá-los? “O Estado tem a responsabilidade de fazer todos os esforços para localizar os restos mortais de pessoas que ele fez desaparecer”, afirma o procurador da República Marlon Weichert. A ação civil pública encaminhada por Weichert à Justiça levou às buscas de oito desaparecidos no cemitério de Vila Formosa, em São Paulo. “Esses corpos não foram localizados porque houve resistências dentro do Estado”, afirma a ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário. “Mas é uma obrigação constitucional buscá-los. É uma forma de completar a transição democrática.” Nesta semana, uma reunião da Comissão de Mortos e Desaparecidos, em Brasília, vai discutir o que fazer sobre o caso de Petrópolis.


[ESCLARECIMENTO: NÃO EXISTEM DESAPARECIDOS POLÍTICOS = a alegada existência de desaparecidos políticos é uma das maiores mentiras da esquerda e que tem vários objetivos sempre escusos e que adiante destacamos.

Antes é necessário lembrar que quando o individuo optava pela luta armada a primeira coisa que fazia era providenciar a troca de nomes, passando a usar um nome falso e a respectiva documentação falsa sustentando o novo nome.


Ocorreram várias situações que 'produziram' desaparecidos politicos e destacamos as três principais;

- uma delas e que envolve um pequeno número de elementos é quando o 'guerrilheiro' ou 'terrorista' resolvia se aproveitar do fato de estar usando documentos falsos e decidia sumir. A consequência dos casos que ocorreram é que o individuo simplesmente sumia usando a identidade falsa e com isso o seu nome verdadeiro está incluído como desaparecido político;

- uma outra situação era quando o elemento sumia se utilizando da identidade falsa e ao mesmo tempo buscava obter vantagem financeira em função do seu 'desaparecimento político'. Leiam: um morto vivo, 'desaparecido político', que apareceu muito vivo.

- outra situação muito presente - a mais numerosa de todas - era quando o bandido terrorista ou guerrilheiro era abatido em confronto com os órgãos de segurança e portava documentos falsos, sendo então sepultado com o nome falso que utilizada. Naturalmente que o nome verdadeiro do individuo seria incluído no rol dos desaparecidos. Ou seja, o bandido foi morto e enterrado com o nome falso que usava e seus familiares querem que os militares dêem conta do desaparecido.


Para que coopreendam melhor, vejamos um exemplo de uma pessoa que poderia constar da lista de desaparecidos
José Dirceu, ao retornar de Cuba, ingressou no Brasil já com uma nova e falsa identidade (Carlos Henrique Gouveia de Melo), o que o permitiu continuar com suas atividades clandestinas. Casou, registrou um filho e fez negócios, usando essa falsa identidade.

José Dirceu, se falecesse num acidente ou por doença, em Cruzeiro d’Oeste, ou em combate, nos idos de 1975 a 1979, teria sido sepultado legalmente com o nome de Carlos Henrique Gouveia de Melo. Hoje, seu nome certamente estaria incluído na lista de desaparecidos políticos e os órgãos de segurança acusados de ocultação de cadáver.


De tudo isto se conclue que não existem desaparecidos políticos - essa acusação é feita pela esquerda apenas buscando comprometer os militares que, convenhamos, não podem ser responsabilizados por um bandido ter sido abatido portando documentação falsa.]


Em um trecho da reportagem publicado exclusivamente no site de ÉPOCA, é possível ter uma ideia de como funcionava a chamada Casa da Morte, onde esses 17 militantes foram alvo de violência por parte do Estado:

A outra função de locais como a casa era torturar e eliminar presos considerados estratégicos, sem deixar rastros. Segundo alguns militares, isso incluía a norma macabra de picotar os corpos em mais de dez pedaços e enterrá-los separadamente. A ideia era que os corpos nunca fossem encontrados. Nesse quesito, a Casa da Morte de Petrópolis foi prolífica. Pelo menos 16 militantes foram trucidados em suas dependências. Eles eram torturados com choques elétricos, espancamentos e diversos tipos de crueldade. Nenhum corpo de quem passou por lá foi localizado até hoje. A única sobrevivente do local foi Inês Etienne Romeu, militante da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares)[colega de terrorismo da atual presidente da República, Dilma Rousseff.]


Ela passou 96 dias presa na casa. Não se sabe por que ou como, Inês foi deixada para morrer na rua, mas sobreviveu. [percebam o quanto a corja esquerdista mente e no afã de mentir, vomita absurdos: se a chamada ‘casa da morte’ tinha como uma das funções eliminar presos sem deixar rastros, para tanto valia até picotar em mais de dez pedaços e enterrar separadamente, qual a razão de deixarem uma terrorista – que diz ter ficado mais de três meses na casa – solta na rua, para morrer???]


O corajoso relato de Inês, que ocupou 23 páginas, é a principal fonte sobre as desumanidades cometidas na Casa. Ao sair de lá, Inês ajudou a localizar a casa e entregou os nomes [a própria reportagem, que ouviu vários ex-terroristas, declara que todos usavam codinome; assim sendo, como a sortuda Inês conseguiu identificá-los nominalmente???] de 19 torturadores. Eles eram homens do Centro de Informações do Exército. Todos operavam c

om codinomes. Poucos foram identificados até hoje.


Parecia casa. Era o inferno

O governo investiga as coincidências entre corpos enterrados em cemitério de Petrópolis e 17 vítimas de tortura sumidas durante a ditadura militar

Ivan Mota Dias, estudante de história, era conhecido como o Comandante Cabanos da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). A VPR era um dos mais agressivos grupos da esquerda armada que combatiam as forças da ditadura militar (1964-1985). Em 15 de maio de 1971, Dias foi preso no Rio de Janeiro por agentes do CISA, o serviço secreto da Aeronáutica. Sua família o procurou, em vão. Seu corpo nunca apareceu. Documentos oficiais não registram seu destino. A história de Ivan é semelhante à de outros desaparecidos e as dúvidas que cercam seu destino são compartilhadas por outras famílias. Agora, 40 anos depois, surgem pistas. Os corpos de Ivan e de outros 16 desaparecidos podem ter sido enterrados como indigentes, ou com nomes falsos, em covas rasas no cemitério de Petrópolis, no Rio de Janeiro.

Sem alarde, no ano passado, a Secretaria de Direitos Humanos empreendeu durante oito meses a mais sistemática busca por restos mortais de desaparecidos políticos já feita no país. As buscas foram feitas em quatro Estados por uma equipe formada por funcionários da Secretaria, agentes da Polícia Federal, procuradores da República e um consultor externo. Um dos principais focos foi Petrópolis. Pelo menos entre 1970 e 1974, funcionou na cidade um cruel centro de tortura e assassinato mantido pelas Forças Armadas fora de suas instalações oficiais. A Casa da Morte – codinome Codão – ficava na Rua Arthur Barbosa, 668, no bairro Caxambu. Era um cárcere privado mantido pelo Centro de Informações do Exército (CIE). Para ele eram levados os presos que poderiam ser convertidos em agentes duplos. Mas a função primordial era torturar e matar sem deixar rastros. Isso incluiria a norma macabra de picotar os corpos.

As informações levantadas pela missão, no entanto, podem mudar o pouco que se sabe sobre esse episódio sombrio. Ex-militante que foi torturado no DOI-CODI paulista e cumpriu pena na década de 1970, Ivan Seixas foi o consultor da equipe da Secretaria. Há mais de dez anos, ele recebeu uma informação sobre os mortos em Petrópolis. “Procure no cemitério atrás do Quitandinha. Lá você pode achar o pessoal da casa”, disse um intermediário. Quitandinha é um hotel desativado, um dos cartões-postais de Petrópolis. Atrás dele fica o bairro onde está o cemitério municipal.



O cemitério de Petrópolis (acima) e escavações em Foz do Iguaçu (abaixo). Uma missão do governo levantou dados e fez buscas por corpos de desaparecidos


No ano passado, a partir de uma lista de 30 militantes desaparecidos no Rio e em São Paulo que podem ter passado pela Casa da Morte, Ivan Seixas e a procuradora da República Vanessa Seguezzi vasculharam os livros dos sepultamentos realizados no cemitério de Petrópolis entre 1970 e 1974. Com base em atestados de óbito, verificaram grandes coincidências entre as datas de prisão de 17 militantes e as de enterro de corpos lá sepultados. As circunstâncias e as causas das mortes – fraturas de crânio, tiros, hemorragias, acidentestambém chamaram a atenção. No caso de Ivan Mota Dias, há coincidências com um desconhecido, de “20 e poucos anos”, que foi sepultado no cemitério de Petrópolis no dia 17 de maio de 1971 e cujo cadáver havia sido encontrado na Estrada União Indústria. Dias havia sido preso dois dias antes. O atestado de óbito, assinado pelo médico Alódio Imbroisi, diz que o desconhecido morreu de “hemorragia intracraniana, fratura do crânio, acidente” – causas que podem ser relacionadas à tortura. Sabe-se que Dias passou pela Casa da Morte graças à informação de Inês Etienne Romeu, a única presa a sair com vida daquele matadouro.


Em Petrópolis, funcionou um centro de
tortura mantido pelo serviço secreto do Exército


Inês ouviu seus torturadores dizer que Ivan seria executado. Ela foi militante da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), ao lado da presidente Dilma Rousseff. O pouco que sabe sobre a Casa da Morte é resultado de suas observações durante os 96 dias em que esteve presa lá, entre maio e agosto de 1971. Quebrada pelos suplícios, Inês tentou o suicídio duas vezes. Mesmo torturada continuamente, ela foi capaz de guardar nomes de presos, apelidos de torturadores e até o telefone da casa – que serviu para localizar o imóvel anos depois. Guardou um detalhe fundamental: em um dos quartos ficava uma cama de campanha com a inscrição “Centro de Informações do Exército”. Em 1979, Inês prestou um depoimento à OAB do Rio de Janeiro. Listou os nomes de 19 militares torturadores e um médico, depois identificado como o psicanalista Amílcar Lobo. Deu informações sobre nove presos torturados e mortos na casa.


Casa em Petrópolis onde segundo a terrorista Inês Etienne funcionou a ‘casa da morte'

Não se sabe quantos presos, no total, passaram pela casa enquanto ela funcionou. Dos nove presos vistos por Inês, ou dos quais ela soube, quatro podem ter sido enterrados no cemitério de Petrópolis, segundo o levantamento da Secretaria. Paulo de Tarso Celestino da Silva, militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), foi preso com a namorada, Heleny Guariba, da VPR, no Rio de Janeiro, no dia 12 de julho de 1971. Segundo Inês, Paulo foi torturado por seis militares durante 48 horas. Foi obrigado a comer muito sal e suplicava por água. Segundo Inês, Heleny teria sido torturada por dois dias até com choques na vagina. O levantamento afirma que Paulo pode ter sido enterrado com o nome de Ari Barbosa, em 16 de julho de 1971, ou de Geraldo Deonídio Silva, em 24 de julho de 1971, ambos citados como indigente nos atestados de óbito. Heleny pode ter sido sepultada como Elvira da Silva Oliveira, no dia 24 de julho de 1971.


Aluízio Palhano Pedreira Ferreira, militante da VPR, foi preso em 9 de maio de 1971. Inês Etienne afirmou que outro preso disse a ela que Aluízio teria chegado à Casa da Morte em “estado deplorável”. Aluízio pode ter sido enterrado no cemitério de Petrópolis com o nome de José Neves Filho. Aluízio tinha os mesmos 49 anos da certidão de óbito de Neves Filho. O enterro foi feito no dia 14 de maio, cinco dias após a prisão de Aluízio. No atestado de óbito, a causa da morte é “hemorragia cerebral e acidente vascular cerebral”.


Os corpos enterrados no cemitério podem
ter sido desenterrados e jogados em valas comuns


A Casa de Petrópolis existiu graças a uma parceria público-privada. Ela foi emprestada ao Exército pelo alemão Mário Lodders. Simpatizante da ditadura, Lodders morava ao lado da Casa da Morte e a frequentava. Ele via presos torturados, segundo contou Inês. Veterano do Partido Comunista Brasileiro (PCB), David Capistrano Costa pode ter sido um deles. Ele havia participado da Guerra Civil Espanhola e da Resistência Francesa à ocupação nazista durante a Segunda Guerra Mundial. No dia 16 de março de 1974, Costa foi preso com o companheiro de militância José Roman. Militares afirmam que Costa e Roman foram torturados na Casa da Morte. No dia 31 de março foram sepultados no cemitério de Petrópolis os corpos de João Pereira de Melo, Sebastião Luiz dos Santos e José Fernandes. Suspeita-se que João possa ser David Capistrano Costa porque tinham idade parecida. Roman poderia ser Sebastião ou José Fernandes.


Fundado há mais de 100 anos, o cemitério municipal São Pedro de Alcântara, onde podem ter sido enterrados os 17 desaparecidos, abriga mais de 6 mil sepulturas. Algumas estão incrustadas nas calçadas da avenida que corta o cemitério ao meio e nas encostas dos morros ao redor. São cerca de 66 mil corpos sepultados. De acordo com a administração do cemitério, os mortos enterrados em covas rasas na década de 1970, como é o caso dos levantados pela missão da Secretaria, podem ter sido desenterrados cinco anos depois e jogados em valas comuns. Procurar mortos da ditadura é um trabalho difícil. Os documentos oficiais ajudam pouco.


Os militares que sabem onde essas pessoas foram enterradas não colaboram. As chances de identificar os corpos são remotas. Por que, então, procurá-los? “O Estado tem a responsabilidade de fazer todos os esforços para localizar os restos mortais de pessoas que ele fez desaparecer”, afirma o procurador da República Marlon Weichert. A ação civil pública encaminhada por Weichert à Justiça levou às buscas de oito desaparecidos no cemitério de Vila Formosa, em São Paulo. “Esses corpos não foram localizados porque houve resistências dentro do Estado”, afirma a ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário. “Mas é uma obrigação constitucional buscá-los. É uma forma de completar a transição democrática.” Nesta semana, uma reunião da Comissão de Mortos e Desaparecidos, em Brasília, vai discutir o que fazer sobre o caso de Petrópolis.


Uma busca mais difícil que a de Petrópolis foi feita no ano passado em Foz do Iguaçu, Paraná. O objetivo era localizar os corpos de cinco militantes da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e um militante argentino. Refugiados na Argentina, em junho de 1971, Onofre Pinto, José Lavechia, os irmãos Daniel José e Joel José de Carvalho, Victor José Ramos, todos da VPR, e o argentino Ernesto Ruggia tentavam retomar a luta armada no Brasil. O grupo foi atraído pelo militante Alberi Vieira Soares – que, na verdade, era um agente duplo a serviço do Centro de Informações do Exército. Um ex-militar aceitou colaborar como informante da missão da Secretaria. Ele disse que, com exceção de Onofre, os quatro da VPR e Ruggia foram levados por Alberi e um colega a um suposto esconderijo pela antiga Estrada do Colono, na noite de 14 de julho de 1974. Eles caminhavam pela mata, quando caíram numa emboscada e foram metralhados. A armadilha teria sido executada pelo capitão Ênio Pimentel da Silveira, o doutor Nei do Centro de Informações do Exército, o capitão Paulo Malhães, chamado de Doutor Pablo, e os militares Laecato, Camarão e Presuntinho – os três últimos do CIE e funcionários da Casa da Morte de Petrópolis.


Os militares teriam ficado ainda cerca de meia hora no local, comendo e bebendo ao lado dos corpos. No dia seguinte, a mesma turma teria matado Onofre Pinto com uma injeção de Sheltox e jogado seu corpo em um rio. Durante 20 dias, uma equipe da Secretaria fez três expedições e escavações em vários locais dentro do Parque Nacional do Iguaçu para localizar os corpos. Até um helicóptero foi usado. No penúltimo dia, o ex-militar descreveu o local da emboscada e informou que as escavações não estavam sendo feitas no local exato. Ele deu indicações genéricas e novas buscas devem ser feitas neste ano. [o elemento declara saber a localização do local onde os corpos foram sepultados e o que ele diz passa a ser considerado pela tal comissão VERDADE; nada é encontrado, já que o elemento está mentindo; mas, basta ele indicar outro local e novas buscas são feitas e os militares acusados por terem ocultado cadáveres que simplesmente não existiram, nem existem.]

Será muito difícil encontrar os mortos de Petrópolis ou de Foz do Iguaçu.


Os algozes tiveram tempo suficiente para removê-los ou para alterar os locais. Há quase 40 anos, as famílias dos desaparecidos em Foz, São Paulo ou Petrópolis convivem com a dúvida de saber onde eles estão. A família de Mário Lodders, o homem que tornou possível a existência da Casa da Morte, tem mais sorte. De acordo com os registros do cemitério municipal de Petrópolis, Lodders morreu no dia 19 de fevereiro de 2008. Atenta às normas do cemitério, sua família pediu em fevereiro a exumação de seu cadáver. Os ossos estão guardados no ossário A-30, na quadra 04. Graças a esses cuidados, os restos de Lodders escaparam de se perder em uma vala comum. Se quiserem, seus familiares poderão homenageá-lo com flores para sempre.


Na pista dos desaparecidos

No alto de um morro na bucólica Petrópolis (RJ) funcionou, na década de 1970, um dos mais cruéis centros de tortura da ditadura militar

Nas ruas estreitas, sinuosas e inclinadas de Petrópolis (RJ), a casa branca, com pedras de granito na base, janelas de madeira, jardim impecável e um velho portão de ferro não chama a atenção. No alto do morro, ela não destoa da paisagem ao redor. Talvez por isso, há quarenta anos, ela tenha sido escolhida para a função que teve. Entre os militares, a casa da rua Arthur Barbosa, 668 , no bairro Caxambu, era tratada pelo codinome Codão. Para quem a conheceu era a Casa da Morte, um cárcere privado mantido pelo Centro de Informações do Exército (CIE). Dentro dela eram torturados e mortos militantes de organizações de esquerda presos pelo braço repressivo da ditadura militar (1964-85).

Após o golpe militar de 1964, o governo militar montou sua rede de repressão. Os DOI-CODI eram instalações militares, onde militantes ficavam presos e eram torturados. Eram instalações oficiais criadas para cometer crimes. Com o tempo, no entanto, surgiram os cárceres privados, centros de tortura mantidos pelas Forças Armadas fora de suas instalações oficiais. Como a Casa de Petrópolis, houve uma casa no bairro de São Conrado, no Rio de Janeiro. Em São Paulo houve o Sítio 31 de Março (em referência ao aniversário do golpe militar), na zona sul da cidade, e a casa de Itapevi (SP)

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