A esquizofrenia se manifesta geralmente entre os 15 e os 30 anos, mas antes apresenta sintomas como a impossibilidade de se relacionar com outras pessoas. Nas imagens da casa onde o assassino em série viveu nos últimos oito meses, muitos indícios da doença que poderia ter sido controlada com remédios. “A palavra esquizofrenia quer dizer isso: cisão e divisão da mente. É como se fossem duas pessoas estranhas convivendo no mesmo corpo”, explica o psiquiatra Talvane de Moraes. A sujeira do ambiente contrasta com a organização de uma estranha rotina, pregada na parede em forma de agenda. Tudo foi registrado: o que comia e a que horas, a dieta à base de ovos, as cascas deixadas pela casa, os exercícios físicos que fazia. Sem controle, e combinada com inúmeros fatores, como o bullying sofrido no colégio e a posterior morte da mãe adotiva, a doença fez com que Wellington criasse um personagem do qual ele não conseguiu mais sair.
Lá dentro [da casa de Wellington], estava um recado para a polícia. Estava escrito em um papel: “precisei destruir alguns bens para proteger a integridade do meu fornecedor. Precisava ter certeza.” Não se sabe que fornecedor seria esse. Mas a mensagem do bilhete é clara: o assassino sabia o que estava fazendo. Tinha consciência das consequências e planejou até o último detalhe. “Tudo que o Brasil inteiro está vivenciando, o sentimento de pena, de compaixão, de dor, de insatisfação com a morte das crianças que estavam na escola estudando, para ele isso não influenciou de jeito nenhum. Ele foi cumprir a missão que ele estabeleceu mentalmente pela doença e foi até o fim, inclusive com a ideia já que ia morrer”, aponta o psiquiatra Talvane de Moraes.
Em nova carta, atirador tenta usar bullying para justificar massacre
O Fantástico teve acesso às imagens feitas pela polícia na casa de Wellington na quinta-feira da tragédia. Em meio a muita sujeira, os policiais encontraram uma segunda carta deixada pelo assassino.
Três dias depois do crime que ainda dói no país inteiro, as perguntas são as mesmas do 7 de abril: Por que tanta covardia? Quem era o homem responsável por essa tristeza toda? Veja na reportagem de Sônia Bridi, Tyndaro Menezes, Marcelo Ahmed e Mônica Marques.
Um vídeo de março de 2005 mostra Wellington Menezes de Oliveira no casamento de um parente, posando para a foto, desajeitado, pouco à vontade. Mas havia ali algum sinal da brutalidade assassina? De que seis anos depois o rapaz arrumadinho teria se transformado?
O Fantástico teve acesso às imagens feitas pela polícia na casa de Wellington na quinta-feira da tragédia. Em meio a muita sujeira, os policiais encontraram uma segunda carta deixada pelo assassino.
Nas quatro folhas, obtidas com exclusividade pelo Fantástico, ele distorce a realidade e tenta fugir da responsabilidade do crime bárbaro que cometeu.
Diz a carta: "Quero deixar claro que não sou o responsável por todas as mortes que ocorrerão, embora meus dedos serão responsáveis por puxar o gatilho”.
Outro trecho: "Cada vez que virem alguém se aproveitando da bondade ou da inocência de um ser, lembrem-se que esse tipo de pessoa foi responsável por todas essas mortes, inclusive a minha”.
Ele tenta usar o bullying, a perseguição que diz ter sofrido na escola, para justificar a morte de 12 crianças.
Trecho da carta: "Muitas vezes aconteceu comigo de ser agredido por um grupo, e todos os que estavam por perto debochavam, se divertiam com as humilhações que eu sofria, sem se importar com meus sentimentos".
Wellington cita o menino australiano que, há poucas semanas, revidou a uma agressão na escola. E chama de irmãos dois outros assassinos em série: Chu Seng-hui, que em 2007 matou 32 pessoas na universidade Virgínia Tech, nos Estados Unidos, e o brasileiro Edmar Aparecido Freitas, que em 2003 feriu seis pessoas em uma escola no interior de São Paulo.
“Me parece que ele estava sofrendo de uma doença mental grave que é esquizofrenia, um tipo de psicose. O indivíduo se sente perseguido. Ele elabora ideias de grandeza. Ele veste um personagem. É como se ele fosse fazer uma novela e passasse a achar que ele é aquele personagem que ele está interpretando, e não sai mais do personagem”, explica o psiquiatra Talvane de Moraes.
Mas, afinal, como se construiu esse personagem tão destruidor?
Clique aqui, para a reportagem completa, incluindo que professores andam armados em algumas escolas dos Estados Unidos
Fonte: G1 - Fantástico

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