Pesquisa personalizada

terça-feira, 12 de abril de 2011

Eike Batista, o homem mais rico do Brasil, usa acidente de Fukushima para ficar mais rico ainda. É o que diz a ELETRONUCLEAR

Eletronuclear diz que Eike Batista usa acidente no Japão para alavancar seus negócios

A Eletronuclear, estatal responsável pelas usinas nucleares no Brasil, disse no começo da noite desta terça-feira que o empresário Eike Batista está "manipulando o acidente nas usinas de Fukushima, no Japão, para alavancar seus negócios na área de geração de energia em térmicas a carvão importado de suas minas na Colômbia".

A empresa se referiu às declarações feitas hoje pela manhã por Eike Batista quando ele criticou o cancelamento da expansão do programa de construção de novas usinas nucleares no Brasil e defendeu a geração em térmicas a carvão.

Segundo a Eletronuclear, " Eike Batista se junta ao coro daqueles que vêem o acidente de Fukushima como uma oportunidade de alavancar negócios, no caso, a geração elétrica a carvão mineral importado de suas minas na Colômbia". A estatal destaca que as necessidades de atendimento do setor elétrico brasileiro serão atendidas basicamente por energia nuclear, carvão e, em menor escala, gás natural. Assim, a redução do uso da energia nuclear, aumenta a importância das outras duas fontes de energia.

"Logo, buscar manipular o acidente de Fukushima para alavancar as alternativas fósseis, geradoras de gases de efeito estufa, é uma estratégia empresarial inteligente", declara a empresa. A Eletronuclear afirma ainda, que no caso do empresário Eike Batista, que tem negócios na área do carvão, esse objetivo fica evidente.

A estatal destaca, ainda, que a energia nuclear e o gás natural são dominadas por empresas estatais, como a Eletronuclear e a Eletrobrás, enquanto o setor de carvão importado está com o setor privado. E conclui a a nota: "Vejamos os desdobramentos".

Eike se diz contrário à construção de nova usina nuclear: 'é um monstro'

O empresário Eike Batista, dono da oitava maior fortuna do mundo, disse nesta terça-feira ser contrário à construção de novas centrais nucleares no Brasil além de Angra 1 e 2, que estão em operação, e Angra 3, em construção. Segundo ele, a melhor alternativa para a geração de energia elétrica nos próximos anos está com térmicas a carvão. Para Eike, depois do acidente com as usinas no Japão, com vazamento de radioatividade, o mundo vai investir pesado no desenvolvimento de tecnologias que permitam eliminar as emissões de CO2 (gás carbônico) das térmicas a carvão.

Além dos riscos de acidentes, Eike disse que os custos da energia nuclear vão aumentar ainda mais para se atender as exigências de aumento de mecanismo de segurança que serão feitas após o acidente no Japão. - Se os alemães tomaram essa decisão (suspender programa nuclear), faz sentido. É um negócio que você não controla, é uma coisa que a humanidade não pode conviver. É um monstro, é apavorante - afirmou Eike Batista.

Ao defender usinas térmicas a carvão para atender o aumento do consumo de energia futura, Eike destacou que em breve o país terá uma superoferta de gás natural que terá que ser usado na geração de energia, apesar de também emitir gás carbônico. - As plantas a gás também emitem a metade de gás carbônico. Não consigo ver a humanidade, os Estados Unidos e a China mudar sua matriz energética que é a base de carvão. Os chineses instalam uma térmica de 600 megawatts (MW) por semana. Como não se vai conseguir achar a solução, que é orgânica, que é sequestrar esse carbono, para produzir biomassa - questionou Eike.

O executivo participou do anúncio da criação da Bolsa de Energia no Brasil, que negociará a energia hoje existente no mercado livre de energia. Atualmente cerca de 25% de toda energia fornecida são comprados diretamente pelos grandes consumidores de energia, como indústrias eletrointensivas, diretamente das geradoras, envolvendo um volume anual de R$ 25 bilhões. Os 75% restantes da energia são vendidos por meio de contratos no chamado mercado cativo, nos quais os geradores fecham contratos com as distribuidoras.

Marcelo Mello, que será o presidente da Brix, disse que a expectativa é que dentro de três anos a bolsa esteja com um volume de negócios da ordem de R$ 75 bilhões. Atualmente os negócios no mercado livre são feitos diretamente entre os produtores, comercializadores e compradores de energia. Para Mello, as operações que atualmente levam de sete dias a dez dias para serem fechadas, passarão a levar apenas alguns segundos pela Brix.

Durante o lançamento da Brix, Eike já deixou claro seu interesse para que em breve a bolsa passe a negociar também outros produtos como o petróleo e o etanol. Segundo Batista, isso será mais do que natural considerando que em 2020 sua empresa de petróleo a OGX estará produzindo 1,4 milhão de barris diários de petróleo. - Vou usar o meu voto para entrar em petróleo também. A plataforma está aí, por que não usá-la? Pode servir para tudo o que for energia - disse.

A Bolsa, que será a primeira da América Latina se chamará Brix, começa a operar em junho próximo, em uma alusão à sigla Brics, grupo de países emergentes do qual o Brasil faz parte. A empresa de petróleo de Eike, a OGX, pretende chegar a uma produção de 1,4 milhão de barris de óleo por dia. A expectativa é começar a produzir em setembro e, em 2012, devem ser produzidos 60 mil barris diários. Na opinião de Eike, a bolsa é uma "maneira fantástica" de vender o produto brasileiro para as refinarias do mundo, à procura de quem pagar melhor.

- Houve uma reorganização de suprimentos. Se tiver óleo bom, pode até ter um prêmio. O seu produto pode chegar ao seu melhor pagador. Pretendemos vender para a Petrobras parte de nossa produção, mas ela tem que concorrer com o mundo inteiro. É uma janela de vendas extraordinária - disse.

A empresa contratada pela OGX para realizar o estudo de reservas de petróleo, a DeGolyer MacNaughton, vai divulgar na sexta-feira num relatório com a expectativa de extração de óleo. O empresário afirmou ter sido procurado por uma grande empresa de petróleo, que também é refinadora, para tentar comprar toda a produção da OGX. - Eu não vou fazer isso. Prefiro vender numa bolsa, pelo melhor preço - afirmou. Eike comparou a nova bolsa ao Facebook da tecnologia do setor elétrico.

Ele terá 23,75% da nova bolsa de energia, a Brix, ao lado dos sócios Josué Gomes da Silva, Marcelo Parodi e a IntercontinentalExchange (ICE). O economista Roberto Teixeira da Costa terá 5%.

Fonte: Valor Economico

0 comentários: