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sexta-feira, 8 de abril de 2011

Ele colocava a arma na testa das garotas e puxava o gatilho sem pena

Atirador preferia matar meninas e disparava "sem pena", diz aluno sobrevivente da tragédia no Rio

O estudante Matheus Moraes, 13, aluno da sétima série da escola Tasso da Silveira, em Realengo, no Rio de Janeiro, esteve com a arma apontada para a sua cabeça depois que Wellington Menezes de Oliveira, 23, invadiu a unidade educacional nesta quinta-feira (7). Mas o atirador que assassinou pelo menos 11 crianças resolveu não disparar, na última hora: "Ele pensou um pouco e disse para eu ficar tranquilo, que ele não iria me matar", relatou o jovem.

Segundo Moraes, sete colegas de classe do sexo feminino foram assassinadas brutalmente. "Ele colocava a arma na testa das garotas e puxava o gatilho, sem pena", disse. Os poucos rapazes atingidos foram baleados no braço ou nas pernas, propositalmente. Matheus ficou em pé, rezando, enquanto seus colegas corriam na tentativa de sobreviver. No entanto, muitas crianças em estado de choque sequer conseguiram se mexer.

“Ele simplesmente entrou na sala, puxou a arma e começou a selecionar as pessoas que iriam morrer", explicou o menino. A todo momento, enquanto assustava os alunos com ameaças, Wellington se dirigia até a porta para ver se algum policial estava nos corredores do colégio. Segundo Moraes,
o criminoso fez pausas para recarregar o revólver pelo menos cinco vezes.

Segundo informações de alunos que conseguiram deixar a escola, Wellington se referia às garotas como "seres impuros", o que, em tese, está relacionado ao conteúdo religioso da carta de suicídio escrita pelo criminoso.


Aluna se fingiu de morta antes de levar tiro mortal, diz família

Karine Lorraine, 14 anos, se jogou no chão quando vieram os primeiros disparos. Fingiu-se de morta até que a situação ficasse mais calma. Quando levantou a cabeça para ver o que estava acontecendo, levou um tiro mortal na testa, disparado por Wellington Menezes de Oliveira, 23, um ex-aluno que na manhã desta quinta-feira (7) voltou à escola municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na zona oeste do Rio, para cometer o massacre. O atirador invadiu o local com dois revólveres e matou doze alunos - dez meninas e dois meninos - que cursavam a oitava série.


Até a madrugada desta sexta-feira (8), a mãe da menina, Sheila, que mora em Seropédica, na região metropolitana do Rio, ainda não tinha sido informada pelos parentes da morte da filha. O celular dela passou o dia todo fora de área. Karine morava com a avó, Nilza da Cruz, 63, que a criou desde pequena, e costumava passar as férias com a mãe na região de Itajaí. Quando falou com a reportagem do UOL Notícias, já tarde da noite, Nilza estava extremamente abatida. Fazia apenas algumas horas que ela tinha reconhecido a neta na tela do computador do Hospital Albert Schweitzer, para onde foram levadas inicialmente as vítimas. A história da morte da menina foi contada à família por um colega de classe, que se fingiu de morto ao lado dela. "Um horror", disse a tia Ana Paula Sampaio dos Santos.

A família, no entanto, lembra com serenidade de Karine. Contam que ela era uma menina calma e quieta, "mal falava". Na foto do celular da tia, ela aparece sorrindo e tímida, apesar da pose comum às meninas vaidosas da sua idade.


Mudança de colégio

Segundo a tia, a estudante, que estava há três anos na escola pública, chegou a pedir para mudar para um colégio particular, mas a família não podia bancar. "E ela morreu justo agora que estava empolgada com a escola, porque estava fazendo atletismo", lamenta Ana Paula. O professor e sua turma de atletismo vão prestar uma homenagem à garota durante o enterro desta sexta-feira (8), no Jardim da Saudade.

"O que acalma a gente é saber que ela vai se manter viva em outra pessoa. Isso é muito bonito e nos ajuda a enfrentar tudo isso", explicou a tia. A família doou as córneas de Karine e agora espera conhecer a pessoa que será beneficiada pelos órgãos. "A gente nunca espera passar por isso, mas essa foi a melhor decisão", disse.


O caso

Um homem invadiu na manhã desta quinta-feira (7) a escola municipal Tasso da Silveira, na Rua General Bernardino de Matos, em Realengo, na zona oeste do Rio de Janeiro. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde, 11 crianças morreram --dez meninas e um menino--, além do atirador, Wellington Menezes de Oliveira, que, segundo a PM (Polícia Militar), atirou contra a própria cabeça depois de ser baleado por um sargento.

O atirador disparou várias vezes contra os alunos de uma sala de aula de oitava série, com 40 alunos, no primeiro andar. Mais de 400 jovens estudam no local, em 14 turmas do 4º ao 9º ano. Segundo as últimas informações da Secretaria Estadual de Saúde, há 13 feridos, sendo dez meninas e três meninos -quatro estão em estado grave. Os feridos foram levados para seis hospitais do Rio de Janeiro.


Fonte: UOL Notícias

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