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sexta-feira, 8 de abril de 2011

'Ele sempre foi um adolescente muito ausente', diz irmão do atirador

País tenta entender a personalidade de Wellington Menezes de Oliveira, o assassino de Realengo

O Brasil ainda tenta entender como Wellington Menezes de Oliveira foi capaz de invadir a escola municipal Tasso da Silveira e provocar um dos crimes mais chocantes da história recente do país, matando 12 crianças e deixando mais de dez feridas, algumas em estado grave. Para descobrir como Oliveira foi capaz de tamanha barbaridade, a imprensa foi atrás de seus familiares e amigos, que descreveram Oliveira como uma pessoa altamente problemática.

O Jornal Nacional, da TV Globo, encontrou um dos irmãos de Oliveira em Brasília. Ele pediu para não ser identificado, mas aceitou conversar com a equipe. O irmão do atirador tem medo da reação da população, de sofrer represálias depois de tudo que aconteceu. O rapaz, temendo represálias, não quis se identificar, mas contou detalhes da vida do assassino: "Ele sempre foi um adolescente muito ausente de tudo, não se relacionava com ninguém. Era sempre muito trancadinho, muito fechadinho. Na escola, a mesma coisa", disse o irmão.

O irmão do atirador mostrou fotos antigas. Wellington era o caçula, e foi adotado ainda bebê. Segundo o irmão, a mãe biológica de Wellington tinha problemas mentais. "Ela tentou o suicídio, e mesmo depois que o Wellington nasceu, ela apresentou alguns problemas mentais", contou.

Em uma das fotos, Wellington aparece ainda criança, ao lado da mãe adotiva, que morreu há um ano e meio. Na época, os irmãos vasculharam o computador de Wellington e descobriram o que ele andava pesquisando. “Ele fazia muitas pesquisas a respeito de tiros, algumas coisas dessa forma aí”, disse. O irmão também conta que Wellington surpreendeu a família com alguns pensamentos. “Eu estou com vontade de, por exemplo, de destruir um avião, como o outro fez lá nos Estados Unidos”, contou o irmão. Ele ainda falou que Wellington passou por consultas psicológicas, mas abandonou o tratamento. O irmão agora teme pela segurança do restante da família, que mora no Rio de Janeiro. No fim da conversa, ele lamentou a dor das famílias das vítimas. “Eu tenho orado muito por essas famílias e pedido a Deus que olhe por eles".


O jornal O Globo conversou com um ex-colega de classe de Oliveira, que relatou que o assassino era vítima de bullying. Os estudantes chegaram a lhe dar o apelido de Sherman, em referência ao famoso nerd interpretado pelo ator Chris Owen no filme “American Pie”. Ainda segundo informações passadas por dois rapazes que estudaram com o atirador, Wellington também era chamado de “suingue”, pois andava mancando de uma perna. (…) “O Wellington era completamente maluco. Era perceptível na sala de aula que ele tinha algum tipo de distúrbio. Ele era muito calado, muito fechado. E a galera pegava muito no pé dele, mas não a ponto dele fazer isso (o massacre)”, disse o estudante Bruno Linhares, de 23 anos, que quando soube do ocorrido foi até a porta do colégio para prestar solidariedade.


“Uma vez, um colega bateu nas costas do Wellington e disse brincando: ‘Cara, a gente tem medo de você porque um dia você ainda vai matar muita gente’. Foi brincadeira, mas agora parece até que foi uma profecia. Sinceramente, não sei por que ele não fez isso com a nossa turma. Enquanto aguardava na fila para entrar no ônibus enviado ao local para levar doadores de sangue ao Hemorio, Bruno contou que Wellington não era bom aluno. - Além de tudo, ele ainda tirava notas baixas. A escola deveria ter encaminhado ele para um psicólogo - acredita Bruno, ainda tentando achar uma resposta para a violência.


Fonte: G 1

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