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segunda-feira, 18 de abril de 2011

Em 1974, a Inteligência militar brasileira já conhecia as Farc

FARC já eram conhecidas da inteligência militar brasileira desde 1974


ÉPOCA teve acesso a documentos liberados na semana passada pelo Arquivo Nacional e, um deles, é um relatório de grande importância histórica, que traz informações colhidas pelo serviço de Inteligência da Força Aérea Brasileira sobre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). É uma das menções mais antigas feitas ao grupo, que ainda causa problemas graves na Colômbia.

A ditadura de olho nas Farc

Documento produzido pelo serviço secreto da Aeronáutica em 1974 cita o grupo colombiano e seu chefe

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) vivem o período mais difícil de sua história. Ações do Exército colombiano durante os governos de Álvaro Uribe e Juan Manuel Santos mataram seus principais líderes, libertaram reféns e prejudicaram seu controle sobre parte do território colombiano. Mas, há 40 anos, quando as Farc começavam a construir seu poder pela luta armada, elas entraram nos radares das Forças Armadas brasileiras. Em 1974, um documento produzido pelo Centro de Informações e Segurança da Aeronáutica (Cisa), o serviço secreto da força, já fazia menção à formação das Farc.

O relatório de 22 páginas, com o título “Como eles agem II”, faz parte dos cerca de 50 mil documentos do Cisa, liberados nesta semana para consulta pública pelo Arquivo Nacional. Entregues pela Aeronáutica no ano passado, o acervo passou um ano e dois meses sendo tratado, organizado e digitalizado. Entre os papéis estão informações produzidas pelos agentes do Cisa a partir de 1965, um ano após o golpe militar que instaurou a ditadura (1964-85). Há também papéis produzidos por outros órgãos da extensa estrutura do sistema de informações montado pelos militares e encaminhados ao Cisa.

O trecho que cita as Farc trata da disseminação da influência chinesa pelas organizações de esquerda na América do Sul. “Muito significativo é também o que aconteceu em abril de 1966, quando os grupos de Tiro Fijo celebraram uma reunião com o Partido Comunista Colombiano (linha soviética) e formaram as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc)”, diz o texto. A informação do Cisa é uma das mais antigas menções às Farc. Tirofijo (Tiro Certeiro) era o apelido de Manuel Marulanda, o principal líder das Farc. Citado pelos militares brasileiros em 1974, desde 1966 Marulanda era o líder da luta armada travada pelas Farc. Sob seu comando, as Farc dominaram uma grande parte do território colombiano no final da década de 1990, durante o governo do presidente Andrés Pastrana. Sob Marulanda, as Farc disseminaram a prática de seqüestros e de controlar o tráfico de drogas. Tirofijo morreu em maio de 2008 e seu nome verdadeiro era Pedro Antonio Marin. Desde sua morte, as Farc perderam grande parte de sua força.

Em 1974, o documento da Aeronáutica cita a disseminação das Farc pelo território colombiano. “Em março de 1967, o jornal ‘O Tempo’ de Bogotá, informou da presença de um grupo de guerrilheiros pró-chineses, na região do Alto Sina”. Para os militares, a Colômbia, ao lado da Venezuela, era um dos países da América Latina por onde o comunismo de linha maoísta, vindo da China, estaria se espalhando.

O documento “Como eles agem II” tem o carimbo “reservado”. Trata-se da classificação burocrática que regula o prazo pelo qual um papel deve ser mantido longe dos olhos do público. É a classificação menos sensível, ou seja, que mantém o documento oculto por menos tempo – no caso, cinco anos. Pela escala, depois do “reservado”, vêm o “confidencial”,secreto” e “ultrassecreto”. Pela lei em vigor, o documento produzido pelo Cisa já deveria ter se tornado público há anos. Mas só foi entregue pela Aeronáutica no ano passado. Como ele, muitos papéis que já deveriam ser conhecidos ainda esperam por isso.

Fonte: ÉPOCA

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